«contigo até ao fim»

julen© getty images

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caríssima(o),

esta posta de pescada“®, será um pouco longa (por que comprida), fazendo jus à imagem de marca deste espaço de discussão pública: os testament… os textos um tanto ou quanto extensos.
como habitual nestas ocasiões, recomendo-te a companhia de uma geladinha, e de um pratinho de tremoços” (ou de couratos, dependendo da zona territorial onde te encontres).
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Julen Lopetegui é o meu treinador.

porquê? simples: porque, à data e hora em que escrevo estas linhas e salvo informação em contrário, é o actual treinador da equipa principal de futebol sénior do Clube.
e porque Julen Lopetegui é o treinador escolhido por quem gere os destinos do FC Porto fez, precisamente esta última Quinta-feira, 33 anos. repito e por extenso: t-r-i-n-t-a e t-r-ê-s anos; não são trinta e três meses, nem trinta e três trimestres, antes trinta e três anos. é mesmo muita fruta, a qual não está ao alcance de todos quantos a desejam…
e porque Julen Lopetegui, no Presente, ao liderar este projecto desportivo de «mais dois anos», tem «encantado muito» e «há uma identificação total entre as partes», e de acordo com a opinião do nosso querido líder.

em suma: Julen Lopetegui é o treinador do FC Porto enquanto Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa assim o entender que seja. e como eu sou adepto fervoroso do FC Porto e admirador confesso do nosso grande presidente, para mim está tudo bem.

por esta altura, já sei que estarei a ser acusado de «seguidista» e/ou de «ovelha» (choné?) e/ou de outros adjectivos tão em voga (sobretudo) na voz critica de alguns portistas, opositores virtuais ao nosso grande presidente.
e apelido-os de opositores virtuais nesse sentido virtuoso de que ninguém sabe quem eles são pois que, no momento em que poderiam (e deveriam!) dar a cara pelo que tanto contestam, apresentando uma alternativa válida ao rumo actual que tanta mossa lhes causa, vai-se a ver, e acaba por ser sempre mais do mesmo: candidatura única, lista única, eleições pouco (ou nada) concorridas…
pode ser que no próximo acto eleitoral haja novidades. ou então, não. a ver vamos… por vezes, isto da Democracia é tramado com um F bem maiúsculo…

entretanto, dispersei o pensamento…
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Julen Lopetegui é, portanto, o meu treinador.

e, para lá do que já foi exposto, há factos que sustentam esta minha (re)afirmação, e que não foram alterados pela copiosa derrota de Terça-feira passada, e independentemente do que possa vir a acontecer amanhã, ante a agremiação de Carnide.
esses mesmos factos serão apresentados de forma arbitrária, sem ordem de grandeza e/ou relevância, e servirão para contrapor algumas das afirmações que pude ler ao longo desta semana, nalgumas caixas de comentários, nesse maravilhoso mundo que é a bluegosfera“®, e que foram o mote para esta prosa.
vamos a eles, então.
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1) Julen Lopetegui «é um ‘flop», tendo perdido «todos» os desafios decisivos, até hoje.

ora bem… o primeiro grande desafio lançado a Julen Lopetegui foi superado e com sucesso. esse desafio chamou-se Lille OSC. e é bom recordar e relembrar, que toda a planificação da presente temporada foi por ele condicionada.
pois, com a superação desse desafio, foi possível alcançar o segundo objectivo e/ou meta a que Julen Lopetegui se propôs, esta época, quando rubricou contrato com o FC Porto: atingir a fase de grupos da Champions por todos os motivos e mais o de ser onde está o indispensável dinheirinho e por ser a prova que melhor promove o jogador made in FC Porto.
já o primeiro objectivo e/ou meta terá o seu epílogo no próximo Domingo, cujo sucesso está ao alcance de três singelos pontos. para tal, temos que vencer o rival directo e em sua casa. obrigatoriamente.

estes factos não visam escamotear o reverso da medalha, escondendo algumas prestações infelizes, como, por exemplo, o que ocorreu na Madeira, ante o Nacional, onde se desbaratou um precioso élan para o que ainda falta deste campeonato e «apenas e só» para me referir ao mais recente.
o que se pretende é alertar para a incongruência do pronome de índole global «todos».
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2) Julen Lopetegui «não sabe gerir recursos».

pois então… talvez seja de bom tom recordar onde estávamos há um ano atrás e relembrar a única expectativa por que tanto ansiávamos: que a época terminasse o mais rápido possível.

dos escombros de 2013/2014 surgiu um grupo de trabalho que, note-se bem!, conseguiu impor respeito a um colossal clube da Baviera, na mais prestigiante prova de clubes a nível mundial. é certo que fomos trucidados por um inapelável rolo compressor, na segunda mão da eliminatória; mas o sonho de podermos ter atingido as meias-finais dessa mesma prova, após uma exibição soberba em nossa casa, esse ninguém mo tira!
e tal foi conseguido à custa de um grupo de trabalho que, apesar de jovem, sempre se mostrou coeso, sem evidenciar os «super-egos» de um Passado recente e de muito má memória…
e há sempre a questão do Quaresma, e do paradigma da sua mudança de atitude, como o referiu recentemente e sobretudo depois daquele início de temporada.
e há a questão do Ruben Neves, claro (mas já lá vamos).
e há a questão da valorização de alguns dos seus activos (e também já lá vamos), com os jogadores emprestados à cabeça, mas não só.
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3) Julen Lopetegui «só aposta nos espanhóis».

pois sim, pois sim… para mim, esta é a (extra)ordinária falácia assente num pressuposto xenófobo e que, até esta temporada, nunca se colocou no seio do nosso Clube.
para lá dos jogadores emprestados pelos dois maiores clubes (para não repetir o epíteto colosso) espanhóis da actualidade e quando muitos, no início de época, afirmaram que não poderíamos ser «barriga de aluguer», recordo esta evidência: quem não apostou em Ruben Neves, para aparecer com regularidade na equipa principal, não os tendo no sítio (sequer!) para o lançar ao mais alto níBel, como em jogos da Championsfoi anterior a Julen Lopetegui. e, já agora, o mesmo se aplica a Gonçalo Paciência.

mais: tenho, para mim, que não é nenhuma coincidência o facto de, pela primeira vez em (pelo menos) cinco anos, todos os escalões da formação do FC Porto estarem nas correspondentes fases finais, e em condições de se poderem sagrar campeões nacionais.

mais ainda: para quem tanto se queixava do abandono do Clube para o jogador promissor português e para o campeonato tuga, a contratação de Hernâni, a garantia de que Sérgio Oliveira fará a próxima época entre nós e a provável vinda de André André, só podem constituir-se como boas notícias. eu acho até que são muito boas notícias!
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4) Julen Lopetegui «inventa p’ra c@r**… p’ró mundial»

ele foi a torre. ele foi a questão dos bonecos insufláveis. ele foi a rotatividade. ele foi a «inócua» posse de bola. ele foi o carvalho da Silva, o cu, as calças e o cinto deste. quando se é «orgulhosamente» (do) contra, todos os argumentos parecem válidos, inclusive o seu contrário.

apenas tenho para mim que, nunca como nesta época e de uma forma geral, vi tanto futebol nos seguintes jogadores que transitaram da época passada: Danilo, Maicon, Alex Sandro, Herrera, Quaresma e Jackson. certamente que não é coincidência.
e, naquele lote, só não consta Quintero por sua própria culpa, pois que já teve muitas oportunidades para mostrar ao treinador que está errado em não apostar mais vezes no seu futebol.

depois, há a questão dos jogadores emprestados: nunca, como nesta época, Casemiro, Óliver e Tello tiveram tantos minutos de jogo e evoluíram, de forma exponencial. se exceptuarmos o baixinho criativo, as críticas que se teceram aos outros dois, actualmente, soam a injustas, ou não será assim? por exemplo, não me recordo de ler alguém com saudades do Fernando…

noutro diapasão, um pouco mais táctico, confesso que o que ainda me incomoda é o não haver um plano B para quando a coisa não corre de feição. mas, como sei que Roma e Pavia não se fizeram num dia, aguardo pela próxima época…
o que, mesmo assim, me agrada, é saber que os jogadores não se desmancham, a bola não queima nos pés e o esférico não ganha picos, se a mesma coisa ainda não corre conforme o planeado.
torna-se evidente que há um plano A, estruturado e onde todos os jogadores sabem a função que têm que desempenhar. em nenhum dos 47 jogos oficiais até hoje disputados vi o que vulgarmente se designa por chuveirinho
e torna-se claro que a célebre rotatividade, tão criticada no início e que, reconheço, nos terá custado alguns pontos no campeonato e a (precoce) eliminação da Taça de Portugal, agora dá os seus frutos. salvaguardando as devidas distâncias orçamentais, pois que não somos nenhum colosso e/ou tubarão da Europa, confirma-se que qualquer elemento do plantel está apto a jogar na primeira equipa, se assim for necessário. o exemplo fulcral foi o jogo anterior, para o campeonato, ante a Académica
e, pese embora um outro erro pontual, também se torna manifestamente inequívoco que há um treinador que sabe ler, interpretar e agir no jogo, quando assim tem que ser, e que, por exemplo, não espera somente pelo minuto 60′ para proceder à primeira substituição…

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esta é a minha interpretação dos factos que (in)tentam rebater algumas acusações que considero injustas, e que partem de alguns adeptos portistas, indefectíveis como eu e tu e que, à sua maneira, sofrem com e pelo Clube. às dos sabujos de sempre, nem lhes ligo…
com elas fica patente, não só que Julen Lopetegui ainda tem um longo caminho a percorrer e que não é perfeito (quem o é, sendo humano?), mas sobretudo que muito mudou e para melhor, no espaço de um ano.
provavelmente essa mudança, por muito positiva que a considere, não nos garantirá qualquer título apesar de estar firmemente convencido de que teremos uma boa prestação, amanhã, ante o 5lb. mas o Futuro, inclusive a curto prazo, esse só poderá ser risonho. e deixa-me confiante para o que por aí virá.
.

.
disse!
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13 thoughts on “«contigo até ao fim»

  1. E, disse muito bem!
    Gostei sobretudo de “o cu, as calças e o cinto deste”, etc… –

    O interessante é que no ano passado vieram todos dizer que o modelo estava caduco, blá e blá e blá…
    este ano, o modelo muda – e muda muito! volta a haver ordem na casa, trabalho todos os dias, e, tal como apontou, depois de muito tempo, finalmente os miúdos estão todos a carborar e nota-se as apostas feitas neles – e “ai que Del Rei ” … que não podemos viver de emprestados, não podemos viver disto e daquilo… que estão todos a encher os bolsos e é o que se está a ver…
    como todos sabemos, se lá estivessem, estariam forçosamente a fazer pior – tipo bruno – e ainda a encher mais os bolsos!…

    Pois eu, ambiciono um clube que continue sempre grande, como é, que tenha uma máquina montada para superar os ventos fortes e as tempestades, quando elas vierem, e que quando não as houver, aproveite para fazer uns brilharetes. Na Europa, claro. Um clube que com um passado tão rico, se vocacione para o futuro, e para onde os jogadores gostem de vir, não de passagem, mas para umas temporadas…
    – escolhas!

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  2. Só faltou mesmo recordar o quanto se bateu no homem por querer um gr; e o quanto se bate hoje na estrutura por…não ter arranjado um gr. O Navas é que era, dizem os mesmos que antes não percebiam para que se havia de gastar dinheiro… Oh well, hodor! 🙂
    Abc

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  3. Totalmente de acordo!
    Estive a pesquisar e encontrei um dado engraçado que decidi partilhar: O FC Porto se ganhar os próximos 5 jogos, como todos acreditámos, iguala o recorde de pontos da Liga(2002/2003-86 do FC Porto) no atual modelo, e ainda corre o “risco” de não ser campeão.

    E esta heim…? Coincidências…

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  4. Acho que falar da saída do Lopetegui é um não assunto. Não faz qualquer sentido. É certo que a equipa ainda tem que evoluir, nomeadamente bolas paradas e transições rápidas defesa/ataque. Mas o que se conseguiu este ano não deve ser menosprezado.
    Precisamos de retocar alguns sectores como a baliza, um defesa central de qualidade para jogar com o Marcano (na minha ideia o Maicon e o Reyes não servem). Acredito que o Lopetegui já tenha tudo tratado com o NGP para resolver essas questões pontuais.

    Abraços a todos os Portistas!!!

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  5. Miguel,

    Muito bem, gostei…! Passo a explicar:
    Também eu reconheço e sou admirador da competência do Jorge Nuno.
    Relativamente ao Lopetegui, apesar de alguns jogos não terem corrido bem, também acho que é um bom treinador (equipa técnica) e não vislumbro melhor no panorama nacional, no internacional: os melhores não são acessíveis. Na minha opinião os melhores serão: Guardiola, Mourinho, Ancelotti, Wenger, Diego Simeone … e creio não existirem mais com este nível.
    Quanto ao resto, temos de ter calma e esperar por melhores dias, que eles acontecerão de certeza, se não for este ano será no próximo.

    Abr@ço
    A.M.

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  6. Adoro o mito de que o Lopetegui nunca ganha os jogos decisivos, porque conheço um catedrático que:
    – decidiu uma supertaça nos penaltis
    – que ganhou 1 dos 6 jogos na champions
    – que empatou em casa com o Sporting
    – que ganhou ao Porto no Dragão
    – que perdeu em Braga
    – que perdeu em Paços de Ferreira
    – que perdeu em Vila do Conde
    – que empatou em Alvalade

    12 jogos decisivos e de elevado grau de dificuldade, 2 vitórias. E o Julen é que não ganha os grande jogos?

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  7. caríssimos,

    muito obrigado! pela vossa visita e pelas vossas gentis palavras!

    no fundamental:
    é muito gratificante, para mim, enquanto ‘blogger‘, perceber que não estou sozinho no que defendo acerrimamente.
    tal não significa que esteja mais certo, ou mais errado do que quem pensa de forma diferente da minha. antes que há quem concorde com esta minha perspectiva e, vá lá, num pouco de imodéstia, até se identifique com ela 😀

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    abr@ços a «ambos os dez» 😀
    Miguel | Tomo III

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