novos tempos, novas vontades?

pentabw© os filhos do dragão | Tomo III
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caríssima(o),

em relação à (mais do que provável) partida de JacKson Martínez para o Atlético de Madrid e a propósito de uma brevíssima troca de mensagenscom um imBicto velho, peço-te a maior atenção para o que se segue:
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« Talvez Jackson merecesse mais do que um post em que se funde com outro interveniente. Talvez Jackson merecesse isso e mais, muito mais. Merece, mas não o vou tratar com mais dignidade do que aquela com que tratou o FC Porto: sendo um profissional inolvidável, que lutou até ao limite das suas forças o jogo no Allianz Arena é exemplo disso – pelo impossível; um homem extraordinário que nos deu muito, mas que sempre fez questão em tratar-nos como aquilo que somos: uma entidade patronal. E, assim sendo, de mim, com todo o profissionalismo, o meu obrigado, mas não te darei mais do que aquilo que nunca nos deste: um lugar especial a não ser o dos números e da incontornável estatística, com a respectiva estátua no Museu e com Dragões de Ouro no bolso, demasiadamente banalizados para me sentir ofendido com quem os recebe. »

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caríssimo velho, reproduzo um parágrafo que sintetiza, na perfeição, aquele que também é o meu estado de espírito relativamente ao jogador em causa.
estou-lhe grato pelos golos, alguns deles de belíssimo efeito, e por alguns momentos sublimes. contudo, não tenho memória curta, pelo que não esqueço nem perdoo, as muitas declarações à Imprensa a pedir mudança de ares.

eu tenho mesmo pena de os tempos correntes serem, de facto, outros. com a política desportiva praticada pelo nosso FC Porto a ser assente em ciclos de três a quatro anos por jogador (o bastante para o lapidar”), cada vez mais somos encarados como um clube trampolim.
esta é uma realidade que me dói, enquanto adepto. e é o suficiente para que situações como a do Jackson não sejam meros casos isolados. e que equipas compostas quase em exclusivo com a ”prata da casa” já façam parte do Passado.

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fruto da colheita de ’75, as minhas recordações mais imediatas são as das conquistas, inclusive as internacionais, sendo que o hiato maior que sofri durou três anos de seca. dos feitos tugas, o nosso PENTA é o que guardo com maior carinho, talvez por o ter acompanhado mais de perto, pois que, nessa altura, era associado do clube, com lugar catiBo na bancada central do (saudoso) Estádio das Antas.
recordando essas épocas mí(s)ticas, com o apoio imprescindível de muitos de vós, portistas dos quatro costados e indefectíveis bloggers, apercebemo-nos de que, na sua esmagadora maioria, os onze-base, na sua essência, eram constituídos pela tal prata da casa“: jogadores tornados homens, oriundos dos nossos escalões de formação e com experiência de futebol de barba rija noutras paragens, até pararem nas Antas. a veterania do calo, esse era adquirido nos treinos, rasgadinhos como convém, e sempre pelos (in)suspeitos do costume: os atletas com mais anos de FC Porto nas pernas e que, em boa hora, Bernardino Barros tem recuperado, na sua rubrica “entrevista de carreira”. os jogadores estrangeiros, normalmente provinham de equipas tugas, com conhecimento das manhas do nosso comezinho futebol (por vezes, um pouco indígena), ou então, apesar da sua juventude, já tinham algum estatuto nos seus países de origem (mormente algumas internacionalizações no curriculum).

sem pretender ser (muito, ou ainda mais) fastidioso, o que veio alterar este figurino foi a famigerada Lei Bosman. actualmente o paradigma mais próximo daquela, são os fundos e a questão da third-party ownership.
o nosso Clube paulatinamente foi-se adaptando, com maior ou menor dificuldade, a estas realidades. se, a nível interno, conseguimos feitos únicos, a nível internacional (entenda-se: europeu), apesar do brio que legitimamente nos assiste, a verdade é que ainda somos um clube de dimensão média, se comparados com os tubarões. e que, no Presente, só muito dificilmente poderemos almejar a sonhar com a vitória final numa prova como a Champions. o tormento de Munique ensinou-nos isso mesmo, e da forma mais dura. e bruta. 
tal e qual a Realidade.

para lá do foro desportivo, o que esta rigorosa, severa (agreste?) Realidade nos traz é que há jogadores, sobretudo pela via seus empresários, que nos vêem «apenas e só» e em exclusivo, só como uma porta de entrada no futebol europeu, e por forma a se mostrarem àqueles mesmos tubarões“: o fito final do seu último objectivo de carreira, e que passa pela celebração do contrato de trabalho de uma vida.
e que, por inerência, principalmente devido àquele mesmíssimo ciclo de três a quatro anos, fica muito difícil criar uma relação umbilical, de tal forma próxima com o Clube, que os faça voltar atrás na decisão de permanecer entre nós ad aeternum (entenda-se: mais do que aquele período. não!… do que aquele ciclo. não!… do que aqueles anos. também não!… vocês sabem ao que me refiro, porr@! que mentes perversas!). o exemplo mais recente que encontro é o de Ljubinko Drulović, já que Lucho González foi um caso à parte…
e é que nem vale a pena referir que, muitos desses jogadores (para não escrever a sua esmagadora maioria), só tiveram sucesso desportivo (leia-se: títulos) enquanto envergaram o nosso manto sagrado, pois que valor€$ mais a£tos se elevam, sobrepondo-se ao do êxito desportivo… Radamel Falcao foi (talvez) a excepção àquela minha afirmação.

noutro diapasão, mas relacionado com a temática em apreço, há também o despontar de novos valores da nossa formação. mas, já se sabe que, no nosso FC Porto, não há tempo (paciência?) para se ter Tempo. acredito que, com Julen Lopetegui, haverá um pouco mais de tempo para que se regresse ao tempo referido no início deste testament… deste texto, mas há algo que não mudará com o Tempo: quem ingressar na primeira equipa tem que ser um vencedor nato, no sentido em que tem que renderno imediato (mas não dessa forma, porr@!) e sem margem para errar (muito) de forma sistémica e sistemática, somente para evoluir. exemplo perfeito“: Ruben Neves.

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em suma:

os tempos são, de facto outros.
haja o bom senso, por parte de quem chega e pela primeira vez, de encarar o desafio FC Porto com o profissionalismo e sobretudo o respeito, que se exigem. assim, por inerência, algum recato, algum comedimento, alguma contenção, alguma prudência e principalmente algum tino, será sempre exigível na altura de se tornarem públicas «certas e determinadas» declarações – estejam a Direcção e o Departamento de Comunicação à altura das suas responsabilidades.
e, claro!, haja alguma capacidade para se tolerar contrariedades, dissabores, infelicidades, com os mais novos, por forma a que superem, com perseverança, as suas naturais limitações, tendo em vista o sucesso desejado por todas as partes envolvidas no processo.
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post scriptum pertinente:
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apipa© pravda
(clicar na imagem para ampliar)
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a pipinha de água muito choca continua com as suas diatribes, lá pela Travessa da Queimada, destilando o seu mais puro anti-portismo básico (por que primário).
«perguntem aos do FC Porto», escreveu ele, na edição impressa do pravda em causa de ontem, Quarta-feira de S. João (aqui)
«aos do FC Porto»… registei o seu tom sobranceiro, altivo, soberbo.
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cartoon© pravda
(clicar na imagem para ampliar)
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eis o exemplo máximo de como se pratica a «gloriosa» defesa do Carnide, lá pela Travessa da Queimada, num cartoon constante na sua edição impressa de hoje, Quinta-feira (aqui).
retratados como abutres, «os do FC Porto»… registei o seu tom arrogante, insolente, grosseiro.

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disse!
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9 thoughts on “novos tempos, novas vontades?

  1. Imbicto Miguel,

    Mais uma honra da tua parte! O meu obrigado, seguindo a mais profunda concordância com o que posteriormente foi escrito.
    Como já discutimos levemente a questão primeira do teu post, deixo uma pergunta em relação à última e estranha parte de pipa constatação: afinal, que raio de ajustamento é que foi esse, que o Sporting fez e que outros fazem/ procuram fazer?

    Imbicto abraço!

    http://imbictopoema.wordpress.com

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  2. Meu caro amigo,
    Não padeço dessa dor nostálgica. É verdade que os ciclos são um sinal dos tempos, mas só são maus se…forem maus. O FCP é o topo do Universo para mim. E para ti. E assim é que está bem! O resto são funcionários.
    Abraco.

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  3. No que toca aos estrangeiros, tenho a opinião que os sul-americanos já parecem não terem aquela gana que víamos há uns pares de anos.
    Se for para contratar lá fora, temos de começar a virar a cabeça para o velho continente.
    Ir procurar jovens promessas em países como a Holanda ou a Bélgica.
    Para acrescentar, posso referir ir procurar jogadores da Bundesliga 2 ou então procurar jogadores “reservas” nos principais clubes da Bundesliga. É certo que não descarto a vinda de um brasileiro, colombiano ou argentino….. |há já agora também um russo|.

    A ida de Jackson vai ser sempre um buraco bem grande para preencher.
    Mas como sempre no FC Porto não há tempo para os tais “lamechismos”|não me interpretem mal|, e há que ir “buscar outra engrenagem para o motor”.

    PS: Já tinha saudades destes posts “perversos”.

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