‘bi-polar’

drago© sapo desporto | Tomo III
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i)

não pude ver o jogo. e, se por um lado, ainda bem (que me poupou a consumições), por outro angustia-me perceber o que (não) se terá passado por olhos que não os meus. tal não significa que as minhas fontes, indicadas na coluna ali à direita, um pouco mais abaixo, não sejam credíveis, nada disso! mas a sua frustração não é nem poderá ser a minha, de forma plena porque… não pude ver a partida. e ainda bem… poupei-me a angustiadas arrelias e a um dia mais de perda (quase total) de sono.

já agora e porque é meritório, esta crónica aqui, no “do calcanhar à trivela“, foi das poucas em que o autor conseguiu manter a lucidez num momento exasperante, sem disparatar e começar a disparar a “torto e a direito”, e em tudo o que mexe.
as outras que merecem o meu elogio pela (necessária, mas sempre difícil) cabeça fria em altura quente foram estas aqui (dragão até à morte), aqui (tribunal do dragão), aqui (porta19) e aqui (imBicto poema).
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ii)

depois do que li e sobretudo pelo que não vi, sinto-me bipolar: de uma confiança total e plena, há uma semana atrás, vivo num descrédito até ao que poderá acontecer no próximo jogo… e um estranho sentimento desconforme, que atravessa o meu ser, por ora inquieto, numa revisitação do que aconteceu na época passada…
(e assim se justifica o título desta “post@ de pescada”, num ridículo neologismo que mais não significa do que um revisitar de um estado de espírito frio, sentido em Janeiro deste ano.)

não gosto de me sentir assim, mas sei que «não sou o único» a micar a céu e que não estou sozinho na partilha deste desconforto emocional…
só que tal não significa que esteja já a duvidar de tudo, de todos e do que não seremos capazes de fazer, e que o que poderemos vir a executar será sempre mal, e não sei mais o quê – que a crítica destrutiva não é meu apanágio; para saberes mais sobre ele basta dar uma vista de olhos nas caixas de comentários desse “maravilhoso mundo que é a bluegosfera”®… há pessoal que, se tivesse esse poder, já teria despedido o treinador, refeito três plantéis em menos de um mês de trabalho, e quando o mercado de transferências de Verão ainda não encerrou…
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iii)

a propósito:
uma das críticas acintosas que amiúde tenho lido por aí, quase de forma recorrente e não só no jornalixo tuga, é a de Julen Lopetegui é um choninhas por lembrar que perdeu (pelo menos) meia equipa titular nesta nova época. de facto, tal aconteceu, mesmo! e do que o que o treinador afirmou, interpretei-o em tom lamurioso, antes que o trabalho anterior foi bem feito, apesar de desportivamente  ter sido fraco, e de que haverá necessidade de se dar o necessário tempo ao Tempo para que esta nova equipa amadureça. se assim não fosse, não atirava, confiante:

« Vamos construir uma equipa nova, competitiva, com futebol, carácter e ambição máxima, para dar resposta aos objectivos do FC Porto, e para que o Clube tenha a possibilidade de ganhar todos os títulos a que se propõe. »
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mais:
o contra-argumento àquela constatação surge pronto, afirmando-se que o marít’mo também perdeu mais de meia equipa titular da época transacta. pois… está bem, abelha… como se as ambições do marít’mo fossem em tudo idênticas às nossas e o futebol praticado coincidente com aquelas… e “muito gostava de ver” os que defendem aquelas perdas da agremiação insular a absterem-se de criticar o FC Porto se, algum dia, viesse a jogar futebol como o marít’mo o “fez” ontem – como se jogar para a «matemática do pontinho» fosse compatível com os nossos pergaminhos…

mais ainda:
ao que parece, nos instantes finais, Lopetegui trocou Aboubakar por Osvaldo, numa altura em que procurávamos, mal, o segundo golo, numa espécie de futebol directo sem direcção alguma – consta-se que num ‘déjà vu‘ de alguns dos erros de palmatória, do treinador basco, na última temporada (essa teimosa dificuldade em perceber que, em Portugal, jogam-se mais de trinta jornadas contra autênticos “autocarros de três andares”, estacionados em frente à baliza adversária).
e há quem também questione os porquês de (i) Herrera ter entrado em jogo depois do intervalo, de (ii) Bueno alimentar-se de kinders enquanto está a aquecer o banco, de (iii) André² não ter alinhado de início, (iv) da substituição tardia do Silvestre (ao que parece, o Varela ficou na ImBicta…), de (v) não haver alternativa a Cissokho, etc e tal…

como não vi o jogo, não posso argumentar. mas, ao que consta e apesar de algumas indicações dadas na pré-época, parece que ainda não temos um plano B – e que deveria ser o principal – para lutar contra o anti-jogo contrário e que será, sem dúvida alguma, “o pão nosso de cada dia” no que resta desta temporada. considero que ainda vamos (bem) a tempo de rectificar esta (ao que consta, evidente) incapacidade.
e, também por esta razão, certamente qu
e o resultado de ontem “arrefeceu” os meus ânimos e trouxe um pouco mais de realismo às expectativas que criei – é a tal bipolaridade a funcionar…
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iv)

sem ironias, adorei o final da conferência de Imprensa de ontem, no Funchal, quando o Director de Comunicação do FC Porto, Rui Cerqueira, cortou o pio ao trabalhador do grupo Cofina, insurgindo-se contra o seu «jornalismo de sarjeta» [vídeo aqui].
já é um bom sinal; faço votos para que continue e que não se cinja só e em exclusivo, àquele lixo tóxico, pois há mais a quem não se deveria responder, sequer em monossílabos.

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disse!
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16 thoughts on “‘bi-polar’

  1. Caro, Miguel.

    Antes de mais, deixa-me agradecer a referência e o elogio público, que por si só já me atenua a dor aguda de ontem. É com grande honra e orgulho que o recebo. Tento sempre ser lúcido nas análises, mesmo sabendo que deixo sempre escapar umas gramitas de emoção em cima da razão. Mesmo hoje, relendo o que escrevi, até acho que exagerei um bocadinho em alguns aspectos. Lá está, a tal irracionalidade de não estar habituado a não ganhar.

    O meu estado de espírito actual foi descrito com precisão no teu ponto ii. Partilho do que sentes. Estou um pouco dececionado com o resultado e o facto de a equipa ter acusado o ambiente à volta do jogo, mas longe de pensar que é o início do fim. E todos devemos estar otimistas com o futuro.

    Perdemos dois pontos ontem, num dos recintos onde era havia uma probabilidade simpática de isso acontecer. Ficaria muito mais chocado se empatássemos em casa com o Arouca.

    Mas estamos em reconstrução e o treinador tem feito o melhor que pode nessa matéria — como referiste e bem — pelo que é necessário dar tempo ao tempo. Não foram dois ou três titulares, mas sete (!!) que seguiram para outras paragens. Os resultados chegarão.

    Maior abraço, Miguel!

    PS: Evitaste a perda de uns quantos anos de vida. Jogar na Madeira começa a ser um dia horrível para onicofágicos.

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  2. E no meio de todas as interpretações, a quente, a frio e a assobiar, um facto parece passar despercebido: se fizermos os mesmo exatos resultados da época anterior a partir daqui…chegaremos ao fim com 83 pontos. Maijum portanto! Lá está, quando um iluminado da Reboleira diz: “Se tu não possaras ganhar, tu tens que não perdera!” é um mestre brilhante. Quando o choninhas, sem abrir o pio, pratica isto mesmo, é um…choninhas. E nós, eu também!, os cultos exigentes.
    Manda lá a bipolaridade pró galheiro! Vai ser cincazero este ano! Vai, não vai? Vai? Vai pois! I hope… 🙂
    Abraço.

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  3. Porque perdeu o FC Porto, versão 2014/15? Ou “Karma Is A Bitch”!

    No tradicional jogo de apostas, no início da temporada que agora se consumou, praticamente todos os comentadores da bola embarcaram, à uma e sem pestanejar, na lancha da evidência: o FC Porto investira fortemente, e exibia ponderosos e imbatíveis trunfos, para a reconquista do ceptro nacional.
    E nem a inexperiência do timoneiro, em pelejas desta rijeza, os fazia vacilar nas suas férvidas previsões: digamos que todos eles jogavam as fichas todas na casa do Dragão, o que, em linguagem do nosso povo, significa que eram «favas contadas».

    Esta certeza, porém, viria, como sabemos, a revelar-se perigosamente incauta, pois que assentava imprevidentemente no primado exclusivo de uma certa lógica matemática: como se a mais jogadores de Qualidade correspondesse uma equipa melhor. Mas, bem sabemos da Psicologia, que o Todo supera dinâmica e irreversivelmente a mera soma das partes que o integram.
    E, já agora, uma outra inadvertência: esqueceram que, mesmo assim, não basta a qualidade técnica para que uma equipa se revele melhor do que outra – o que é decisivo é a Qualidade do seu estado mental, estado esse que se obtém a partir da Qualidade e do teor dos pensamentos e das emoções que circulam no interior do grupo.

    Então, por que perdeu, afinal, o FC Porto, de forma tão enervante e traumática, para todo o universo portista?

    E aqui vai a primeira “dose de veneno”, que o grupo avidamente engoliu, em clima de jubilosa cruzada: obrigou-se a ganhar. O FC Porto tinha que ganhar esse campeonato! Esquecimento fatal: tudo o que se faz porque se tem que fazer, o mais certo é que isso se não consiga mesmo fazer.

    Mas houve “mais veneno” que todos os portistas se deleitaram em sorver: o do contra.
    Não se tratava simplesmente de ter sucesso – era contra, obsessivamente contra, o 5lb que era imperioso tê-lo. Mas tudo a que se resiste persiste – como as bactérias da tuberculose que, combatidas maciçamente, regressam agora sob a forma reforçada de uma estirpe desconhecida de super-bactérias, deixando perplexas as autoridades sanitárias.

    Mas há ainda mais “veneno”: que era insaciável essa sede de vingança, com o objectivo de tirar, ao 5lb e a qualquer preço, o campeonato que, a ser ganho, representaria a tragédia da perda da tão [ciosa] hegemonia no futebol.

    Eis os condimentos de uma receita letal: tirar e medo!
    Tirar (o título ao 5lb): quando se deseja muito algo, mas não enquanto é isso que genuinamente se deseja – somente enquanto algo que a outra [parte] tem, [pelo que] se tira/rouba -, é a si mesmo que se acaba por tirar; porque a mente humana toma tudo à letra e ela, a mente, não se pauta pela obediência aos princípios da lógica.
    Medo: é o certificado de que se obtém sempre aquilo que se teme; ele é o atalho mais seguro e mais rápido, para lograr uma desgraça – como a que acaba de acontecer ao FC Porto.

    Mesmo assim, duvido que a lição tenha sido aprendida.
    O 5lb, depois de muitas lágrimas, parece tê-la aprendido.

    (José Antunes de Sousa é doutorado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa e é Professor na Universidade de Brasília).

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    1. @ Diógenes

      canudos à parte, em suma e depois de uma análise àquelas palavras (muitas. imensas. num vasto “testamento”): um enorme tratado de Nada, que um singelo Arouca, ontem, acabou por desmentir, em Aveiro…

      mesmo assim, “obrigado!” pela partilha de um pensamento com o qual discordo, em Absoluto e à luz (cruz! credo! lagarto, lagarto, lagarto!… ai!, assim também não, car@go!) de uma Razão demasiado azul-e-branca.

      cumprimentos,
      Miguel Lima | Tomo III

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  4. BI-polares irão ser as exibições da nossa equipa nos jogos em casa e nos jogos fora.
    É páh dêem uma dose de adrenalina a estes jogadores nos jogos fora…
    Sempre que houver jogos fora irei estar sempre numa cama de espigãos, tal desconforto que esta equipa me dá quando não joga no Nosso Dragão.

    Acordem-me estes tipos car@go!

    Julen tio en el FC Porto es para jugar futbol hasta el finito!

    Abraços.
    PS: Que esta agonia seja de pouca dura.

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  5. Caro Miguel,
    O meu veredicto, ou, o meu “post”:

    Um FC Porto tímido empata com um Marítimo: arruaceiro, quezilento, agressivo
    (pseudo-agressões, era notória a atitude de Brigões daquela corja…)

    Faltou agressividade sobre a bola a este FC Porto para vencer um Marítimo muito lutador, extremamente guerreiro, direi mais, até arruaceiro; que além disso contou com a ajuda do árbitro Hugo Miguel da Associação Futebol de Lisboa; demasiado permissivo para com os maritimistas, apitando sempre que os insulares se atiravam para a piscina e excessivamente rigoroso para com os portistas não permitindo sequer que os “dragões” disputassem as bolas; ao mínimo contacto físico assinalava falta contra o FC Porto! De realçar a intimidação constante com a exibição de cartões amarelos aos nossos jogadores à mínima que eles fizessem…!!!
    Claro que além dos preconceitos anti-portistas do árbitro lisboeta, que na dúvida apitava sempre contra os azuis e brancos, há também a registar alguma inépcia da parte da equipa portista no capítulo do entrosamento, da precisão dos passes e um défice de remates de meia distância; os lances de bola parada então, foram totalmente desperdiçados…!

    E além disto o que me irrita (a gabarolice dos fulanos):

    O que nunca deveria poder acontecer
    Xavier (Marítimo): “Pusemos a defesa do FC Porto em sentido”
    Sobre o jogo: “Acaba por ser um resultado ajustado face às oportunidades criadas pelo Marítimo e pelo FC Porto.
    Estudámos bem o FC Porto; sabíamos perfeitamente como jogam e conseguimos anulá-los, saindo depois rápido para o contra-ataque.”
    “Pusemos a defesa do FC Porto em sentido”.
    Então os tipos vêm depois dizer que estudaram bem o FC Porto… E a equipa portista estudou bem a forma como o Marítimo joga…?! Parece-me que não, ou seja, tenho dúvidas…

    Abr@ço,
    Monteiro

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  6. Caro Miguel,

    Exasperou a exibição, bem mais do que o resultado. Contudo: Barreiros, São Luís, Reboleira… Não é de agora, obviamente, que há campos “tradicionalmente” difíceis. Não me lembro de ir para jogos neste tipo de local com uma confiança desmedida… Os gajos até parece que correm mais e são “mais grandes” 😉

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