dragão de ouro: ‘Velho da Constituição’

dragoes_ourob© google

caríssima(o),

surgiu neste “maravilhoso mundo que é a bluegosfera”® de mansinho, sem querer levantar muitas ondas, num mar já de si revolto e por natureza – pois que, tenho para mim, que será mais uma questão, não de defeito, antes de feitio, o portista ser um insatisfeito crónico.
ao início, fê-lo em forma de verso, até que, em Maio de 2015, fez-se uma espécie de click, e enveredou por um estilo mais prosaico; não que a poesia dos seus textos em estrofe fosse má, ou de carácter duvidoso, não! os poemas em verso branco é que lhe conferiam – e felizmente que ainda conferem – mais autenticidade, mais carisma, mais ardor, mais expressão, mais… tudo!

e, se dúvidas houver sobre o que atrás refiro e (re)afirmo publicamente, atente-se na sua capacidade em transformar (mais) uma entrevista numa enorme composição poética, bem ao seu estilo (inconfundível e já de marca registada). e, de facto, é mesmo enorme – não só no seu sentido literal, mas sobretudo no imenso “sumo” que dela se pode beber, numa essência de portismo única e que muito aprecio.

assim sendo e sem mais delongas, na rubrica binte perguntas a… os dragões de ouro deste espaço de discussão pública , o ilustre convidado deste mês é o caríssimo Velho da Constituição, legítimo proprietário de um local muito próprio e ‘sui generis‘ nesse “maravilhoso mundo que é a bluegosfera”® e que dá pelo nome de “imBicto poema

faço votos sinceros para que também desfrutes desta minha alegria em poder partilhar contigo alguns dos seus pensamentos sobre o quotidiano azul-e-branco e que, tal como eu, te deixes surpreender com alguns dos factos contidos na entrevista que se segue.
é já a seguir a este (brevíssimo) intróito, na segunda parte desta posta de pescada“®.
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por último, não menos importante e porque não é mentira nenhuma:

imBicto Belho, muito obrigado! por teres aceite participar nesta brincadeira (um pouco séria), e em aceder responder, com um gosto demasiado eBidente, a uma entrevista que revela publicamente muito do teu portismo!
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abr@ço forte!
Miguel | Tomo III

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imbicto© imBicto poema

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binte perguntas a… “Belho da Constituição”

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I. dados biográficos (gerais)

nome: A. | Belho da Constituição’

data de nascimento (mês, ano): Junho de 19…

signo do Zoodíaco: gémeos

naturalidade (concelho, distrito): Póvoa de Varzim, (Porto)

residência (concelho, distrito): Póvoa de Varzim

área de actividade profissional: Marketing Digital, Comunicação e Arquitectura

estado civil: muito bem acompanhado, sem formalidades

nr. de rebentos: zero
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II. entrevista

1. primeira “entrada a pés juntos”:
o que é para ti ser portista, o que é «
ser Porto»© – para utilizar a expressão tão em voga?
É muito difícil explicar, sem que se fira qualquer susceptibilidade.
Dentro da subjectividade do amor que cada um julga sentir a mais pelo seu clube do que o seu par, definir o “Ser Porto” é do seu intrínseco, do viver próprio. Qualquer definição do que “deve ser-se” será insinuar lições de moral e colocar a nossa perspectiva na base referencial.

Seja como for, para mim, “Ser Porto” é algo que nasce da circunstância do que nos envolve, seja do nosso crescimento, seja da nossa família, seja da nossa resistência/resiliência e da formação da nossa personalidade.
“Ser Porto” é fazer parte daqueles que amam mais do que uma colectividade desportiva.
“Ser Porto” é anacrónico e transversal a uma forma de estar que se confunde com a noção de comunidade, de região.
“Ser Porto” é tomar o clube como estandarte da demonstração obscena de que podemos protestar, com sucesso, de sermos mais do que aquilo para que a nós nos querem relegar; é ser essa pessoa que absorve uma forma de estar que batalha e que sabe que vencerá, independentemente das circunstâncias (nem que seja pela Razão).
“Ser Porto” é agir, reagir, revolucionar consciências, provocar, inovar, ser exemplo, estar à frente porque nos obrigam a formal e comunicacionalmente a estar atrás.

“Ser Porto” não é ser do Porto – cidade, ou clube. “Ser Porto” é personificar um espírito comum de gentes que conhecem a História, a Cultura, a Realidade… E, quando não a conhecem, sentem-na e batem-se por ela. Porque o antecedente está aí e é nossa obrigação lutar por isso, nessa expressão de cultura que é tão nossa: “este sou eu, Porto. Os outros serão outra coisa, sem que essa coisa seja menos que a minha”. A não ser que…
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02. e, no teu entendimento, consideras que a «mística» do nosso clube do coração ainda existe ou, pelo contrário, está a ser substituída subtilmente pelas “pipocas” e pelos adeptos do «FC Festas»?
desenvolve a tua resposta, por favor. os “testamentos” são a imagem de marca deste espaço de discussão 😀
As palavras significam, cada vez mais, o que queremos que elas sejam, e não necessariamente aquilo que materialmente encerram.
O misticismo Portista está muito ligado à tal definição heterogénea do “Ser Porto”, pois existe uma base que, independentemente das várias expressões que dela emanam, mantém as raízes fundamentais dessa mesma definição, de mística. É um termo que tenta, de uma forma complexa e até mesmo forçada (como o espectáculo estranho das apresentações), fazer do Dragão símbolo de algo intangível e que existe na consciência colectiva, como símbolo importado do Oriente – e não falo das espécies animais homónimas que existem, de facto –, que tem chama e que é sagrado; uma espécie de último reduto da distinção, do poder e da força…
Creio que a tal mística é uma espécie de reflexo inexplicável dessa forma de estar que refiro acima. Não se explica: faz-se; acontece. É verificável, mas não é visível. É algo cultivado pelo tempo, pelas gentes, pelos sedimentos culturais que culminam neste resultado que, possivelmente, vai sofrendo alguma erosão, fruto da exposição aos elementos (à realidade dos tempos mutáveis).
Repare-se: a mística associa-se àquele espírito que é encarnado (no seu verdadeiro sentido) em gentes de traço de personalidade vincado, gente que faz do impossível possível – seja na faina, no campo, na fábrica, no escritório, ou numa sala de aulas. Esses outros tempos de mística eram, talvez, outros tempos de dificuldade e de instrumento de demonstração, num Portugal pequenino e dormente. Homens do mar que batalham, mas cujo trabalho esquecemos e do qual só vemos um resultado final: o peixe que com sucesso foi pescado. Esses “Andrés” que vêm de comunidades como as Caxinas, a Póvoa, Matosinhos, Gaia, Espinho; ou gente do Interior, de terras que o centralismo quis que fossem longínquas.
É uma tarefa sociológica, filosófica e antropológica. Não se trata de um clube que cresce por vontade de alguém que quer (obriga) a que dele se seja. É-se porque se sente, nem que as gerações anteriores o obriguem a ser do que se sente não ser parte sua – e logo muda-se.
Mas há quem mude pela superficialidade das coisas. Pelo culto de vitória em que se transformou o FC Porto. Esses entes, os das festas, que venham, que comprem, que se divirtam enquanto ganhamos. E que vão, quando perdemos… Mas eles vão, sabes… Vão, enquanto nós ficamos. Pagam em euros o que nós pagamos em fé, mas há troca efectiva que ofende o mais “purista”. E isso é incontornável e inexplicável porque é místico. É o custo da glória dos “glory hunters” relativo aos grandes, aos maiores do que os demais. E isso, se acontece, é bom sinal. É sinal de que estamos na mó de cima, sendo conhecidos e reconhecidos aqui e além-mar. Mas isso não significa que sejam portistas; isso significa, apenas, que são mais um em busca de ser parte da maioria em comportamento tribal. É um reflexo social crescente, desde os anos vinte, do século passado. É distinguir a dimensão de “clube material”, da dimensão de clube enquanto instituição desportiva e recreativa.
São as massas, mais ou menos pensantes, que ajudam a medir a fama, mas não necessariamente o seu cerne e o seu sentido. É o imediatismo que se torna, no clube, a extensão dos restantes campos sócio-culturais. Não é sua culpa directa e primária, pois é gente formatada pelo modelo social e pelo reflexo da tentativa da aparência.

Nós somos a base para que estes venham e vão. E que venham e vão à vontade, desde que entendam que não têm justificação para exigir, quando imitam mal e no momento errado, o comportamento do verdadeiro “Tribunal do Dragão”, na ânsia do Imediatismo que a contemporaneidade impõe, por exemplo, assobiando.

Portanto, quem não “É Porto” não tem “Mística”, pois ter mística é ter paciência e agir no momento certo. Compreender e saber ler momentos. É saber o quê e como exigir, sem que a cultura de vitória seja preponderante, pois o que está mal não é a falta de vitória, mas o que leva a que a vitória não apareça. É o lixo que se esconde debaixo de um tapete que os “festeiros” querem que se veja limpo, na espuma das coisas.
Há, no entanto, uma outra discussão a fazer e que se prende com o jogador, para lá da perspectiva do adepto que referi.
O mundo mudou: mudou o adepto, o jogador e a compreensão do fenómeno futebolístico, que se transformou em algo menos profundo e mais imediato, mais lúdico. A cultura de mercado fez com que isso acontecesse e não podemos achar que está mal, ou estaríamos condenados ao nosso lugarzinho constante e imutável, sem que se pudesse acompanhar quem está no topo, estando com “eles”. 

Por vezes esquecemo-nos de algo básico: como é que podemos falar da mesma coisa, imutável, em tempos diferentes? Os jogadores estão no FC Porto, uma instituição que mudou de conceito desportivo (pelo menos) nos últimos quinze anos. Criou um novo paradigma de mercado e de (re)estruturação do futebol que é imitado por muitos – nem que seja na tentativa de apropriação das palavras, mas sem o nosso inimitável conteúdo – e que é estudado nas melhores “Business School’s”…
A mística no jogador deve existir na mesma medida da do adepto. Ou seja: existir uma base sólida e imutável que não descaracterize o sentido da existência do clube, passando-a e demonstrando-a no peso e na medida a quem chega – na bancada, ou no balneário. Deveremos ter jogadores formados cá, que entendam as bases, mas na medida certa que garanta a competitividade, injectando nos que chegam essa obrigação e compromisso com a História e com a sua manutenção de sucesso. E assim como há malta que vê o Porto porque gosta de ganhar, também há profissionais que jogam cá porque precisam de ganhar.
E pensemos no que seria o FC Porto num país evoluído, sem a semente centralizadora…? Talvez fôssemos mais um grande, no meio de outros, onde a tal mística é coisa do Passado. Ou talvez fôssemos nada… Seríamos apenas portistas orgulhosos do seu Passado, e sem razão aparente para “Ser Porto”, tendo na busca da conquista razão isolada.
Haverá males que vêm por Bem? 
O Mundo mudou, é verdade, mas o Sonho continua a ser a base do realismo e do que acontece, tal como Pessoa uma vez disse, com outras palavras. Faz parte. Há lugar para todos, desde que cada um entenda qual é o seu lugar. E assim continuaremos, perenes.
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03. ainda te lembras da primeira vez que entraste num estádio de futebol?
e já agora: qual foi o estádio, quando foi (basta o ano), que equipas jogaram e qual o resultado final?
Lembro vagamente… As memórias são tramadas. É como o açúcar em copo de água… Está lá, sente-se, mas já não se define da mesma forma e com a mesma certeza. E como essas boas memórias parecem ser sonho… Pelo menos, são feitas da mesma matéria (ou falta dela…).

Para além de portista, sou varzinista. Aliás, nutro simpatia por outros clubes, o que se deve a questões muito particulares – desde a admiração pelo Intangível, ao gosto inexplicável… E aí incluo o Celta de Vigo (o meu clube preferido em Espanha), o Lyon, o Barça, o Bilbao e o Feyenoord. Não falo de casos internos, por razões óbvias…
Bom, voltando à questão, foi algures no início da década de noventa, pelas mãos de um estranho qualquer, que se fez passar por meu avô. Na altura era assim… Pelo menos foi isso que me aconselharam a fazer, se quisesse entrar.
Eu era um gajo tímido e lá me fui aproximando da confusão, onde havia mais homens. Recordo-me de que nem sequer tive de dizer nada. Olhei para dois ou três velhos, de soslaio, até que um olhou de volta e me perguntou: “Queres ver o Varzim, moço?”; eu só sorri; o gajo deu-me a mão e disse: “Vamos lá, caralho!”.
Fui às escondidas. Queria muito saber como era um jogo da bola lá dentro. Queria perceber o que estava para lá dos muros que ecoavam o som da multidão misturada com o som das ondas, porque o estádio é à beira-mar.
Sinceramente, não faço a mínima ideia de quem estava do outro lado. Só sei que entrei para ver o Varzim. O resto não interessava… Lembro-me apenas que empatámos 2-2 e que os tipos vestiam verde-e-branco.
Foi incrível ver tanta gente… Gente descontrolada. Ainda hoje é assim, aos milhares, mesmo vindos do Campeonato Nacional.
Lembro-me que saí a medo pois nunca tinha visto tantos homens a fazer ameaças a tudo o que mexia, nem tantas mulheres a falar tão mal… Talvez tenha sido o meu primeiro encontro com o mundo real – aquele que todos nós escondemos por convivência e tolerância social, de maneira a fazer com que esta porra toda funcione.

04. e, se tiveste esse privilégio, qual a tua primeira recordação – a mais imediata – de “sentires o pulsar da turbe” no saudoso Estádio das Antas, de “estares” nas Antas? justifica a resposta.
Esta pergunta é curiosa.
A primeira vez que senti o pulsar do Dragão foi o dia em que senti que era mesmo portista. Tinha ido visitar a minha madrinha, que morava na Praça Velasquez, mesmo por cima de um dos cafés com pior atendimento no Porto, mas daqueles onde, em acto impensado e irreflectido, se gosta de ir, mesmo assim.
Lembro-me que dava para ver as Antas da janela da sala. Quando digo que dava para ver, dava mesmo para ver uma boa parte do interior do estádio, com destaque para a bancada nascente. Aquilo era uma visão! Muita gente a entrar, muita alegria, carros a engarrafar o trânsito, mas sem grande stress. Foi tremendo. Nunca me vou esquecer. E, mais uma vez, não faço ideia de quem é que lá estava para enfrentar o FC Porto – mas, desta vez, porque nem estava lá dentro… Só me lembro de que marcámos três golos e que o barulho da multidão batia forte e feio nos vidros. Sei que foram três porque tudo tremia de cada vez que a multidão enlouquecia. Era impressionante!

Era um sítio muito especial…
Lembro-me ainda da primeira vez (e última), nas Antas, em que estive no interior do estádio – refiro-me mesmo às zonas com acesso condicionado. Foi em 2002. Soube a despedida… Tinha ganho um concurso e fui lá receber o prémio, à sala de Imprensa, onde tive a oportunidade de conhecer e falar um bocadinho, com o grande Domingos. Vim de lá feliz da vida. Íamos jogar nesse dia com o Real Madrid, para a Liga dos Campeões. Perdemos 2-1, mas ganhei uma camisola autografada e um cachecol, que a menina que me deu boleia estava a usar para limpar o vapor de água dos vidros…
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05. uma pergunta que se impõe (e que será recorrente nesta rubrica):
concordaste com a demolição do Estádio das Antas? porquê?
Totalmente.
A vida e o mundo não abrandam. Podem-me perguntar se não concordaria, antes, com a requalificação do estádio antigo. Ora, vamos lá ver… Temos de compreender contextos. O Euro 2004 estava ali e não podíamos perder a oportunidade de ter um estádio de última geração, mas sem loucuras. Requalificar ficaria mais caro. E mais ainda, eu, que estou na área, compreendo bem a necessidade da intervenção urbanística da zona das Antas – independentemente dos problemas que surgiram com a compra/ venda de terrenos, que daria uma outra discussão. Foi uma operação de sucesso a todos os níveis, até no da tristeza que o Salgado deve estar a sentir por ter desenhado uma obra daquelas para o seu principal rival…
O plano estava incluído numa lógica de requalificação abrangente, de uma nova centralidade, comungando o projecto com o projecto do Metro do Porto. Aliás, existe obra publicada sobre isso…
Hoje, temos uma das maiores referências arquitectónicas do mundo desportivo, com excelentes acessibilidades, com serviços e com uma envolvente repensada onde existem outros edifícios já distinguidos com prémios, sendo pretexto para reorganizar uma zona que pedia, há muito, atenção e necessidade de reformulação nas vias e nos acessos. Para além do mais, o problema do estacionamento deixou de existir e a cidade passou a respirar melhor, principalmente a Fernão Magalhães e os nós de ligação à VCI.

Tudo fez sentido.
Não nos esqueçamos ainda de que, para lá do simbólico, as Antas não eram mais do que uma escavação feita seguindo um modelo ultrapassado e bastante comum a várias outras obras. Ganhámos exclusividade e ajudamos a cidade a crescer em todos os sentidos – até na perspectiva turística – deixando de associar a zona das Antas a um depósito do Porto Industrial de início de século, arruinado, em contraste com a construção burguesa tipicamente de estilo Moderno. Agora existe equilíbrio urbanístico que teve como desculpa o novo estádio.
Quanto às contas e ao derrapanço, é triste, mas não nos compete falar sobre a competência de quem de direito, a não ser em tempo oportuno.
Hoje, o Dragão faz parte da marca “Futebol Clube do Porto”. E, assim, é sempre mais fácil encontrar reconhecimento (externo) e retorno (financeiro).
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06. à data [Agosto de 2015], qual foi o melhor desafio de futebol que assististe “ao vivo e a cores” e que nunca esquecerás? porquê?
(não contam para esta estatística as partidas televisionadas, ok?)
Infelizmente, não te consigo responder à altura.
Nunca houve um jogo realmente bom ao qual tivesse ido. Pior: aquele que seria o mote de resposta a esta questão – o jogo do golo Kelvin -, foi precisamente o qual estive mesmo, mesmo, mesmo, mas mesmo!, para ir; mas infelizmente não deu… “Pá, é a vida”… E é por estas coisas que, por vezes, a Vida é uma merda…
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07. se tivesses poder na estrutura do nosso clube do coração, o que farias para internacionalizar (ainda mais) a marca “Futebol Clube do Porto”?
refere (um máximo de) três exemplos (práticos, exequíveis, exemplares) e em que os três b’s se apliquem (bom, barato e bantajoso), por favor.
Ui.. Difícil de responder…
Sabes que é tudo muito bonito quando não nos cabe ter o peso da decisão.
Acho que vou ter de recorrer a exemplos um pouco parvos, mas que acho fariam a diferença e pensando de uma forma “pequena”.

Nós, seres humanos, temos um problema do carago: esquecemo-nos de pensar estando na perspectiva do Outro. Se abandonarmos esse espartilho, talvez haja coisas que façam sentido. Por exemplo: a internacionalização de uma marca é uma coisa cara e terá necessariamente de partir da perspectiva do Ganho. Isso custa tempo e muita “massa”, se pensarmos com a nossa visão.
Agora, percebamos o seguinte: porque é que uma determinada equipa tem maior potencial, ou é efectivamente mais popular? Isto é fundamental. O FC Porto ainda não está ao nível que deveria estar e que corresponde à sua valia desportiva, até porque há clubes manifestamente incomparáveis a nós, no plano desportivo (nomeadamente títulos conquistados), mas com muita maior projecção internacional. E de nada adianta “nadar na maionese” quando (i) o nosso campeonato limita tudo o que se possa aspirar a mais e que é a nossa real condição de popularidade potencial, e (ii) o mundo lusófono possui efectivamente muito pouco poder de compra – e que fica bem pior se lhe retirarmos o Brasil, que, ainda por cima, tem um campeonato muito competitivo, num mercado grande (gigantesco?) e auto-suficiente, onde Portugal tem uma imagem secundarizada e até escarnenta.

Mais: convém salientar que não somos parte integrante do mundo hispânico, logo “bye-bye” parte de um potencial mercado… Mas, por outro lado, temos “pontes”: por exemplo, a vizinha Galiza e a estratégica Macau. E temos ainda, do nosso lado, a quantidade “assustadora” de Emigrantes em tudo quanto é lado.

Assim sendo, resumiria em três ideias fundamentais um aproveitamento do potencial da internacionalização da nossa marca:

» traçar campanhas “básicas” de Marketing a partir da Galiza, em colectividades e estabelecimentos de Ensino, em diálogo com o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, a Xunta de Galicia, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte [CCDRN] e o Turismo de Porto e Norte de Portugal, por forma a cativar o interesse dos mais jovens pelo FC Porto como seu segundo clube e como local potencial de formação desportiva, aliada ao acompanhamento no Ensino, onde aquelas entidades seriam fundamentais no entendimento geográfico e nas pontes diplomáticas;

» aperfeiçoar pequenos núcleos e parcerias com clubes em locais estratégicos – política já seguida neste momento, mas que carece de maior atenção e maior divulgação da cultura Porto (veja-se o caso do FC Porto de Macau…);

» lançar campanhas estratégicas de apoio básico em regiões carenciadas, com pequenas bolsas de estudo, oferecendo ainda material desportivo para a prática das modalidades – algo que parece tão óbvio, mas que não é feito de forma assim tão exaustiva e pertinente, nomeadamente em países onde meninos de rua compram material contrafeito dos clubes ingleses e espanhóis…

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08. segunda “entrada a pés juntos”:
achas mesmo que o nosso clube é «regional» e nesse sentido tão depreciativo e pejorativo, com que foi proferido pelo actual sacristão no Estabelecimento Prisional da Carregueira?
desenvolve os teus considerandos, sff.
É uma matriz inegável e incontornável, assim como é matriz de outros ser um clube de bairro.
Não tivemos a máquina propagandística do nosso lado (felizmente!) para fazer de nós um clube de massas, ou um clube coactivamente nacional.
A nossa génese dá-se como protesto disso mesmo, dessa forma de relegar miseravelmente trabalhada… É o tal “Ser Porto”… Foi isso que nos tornou no que hoje somos: um clube internacional, reconhecido nos quatro cantos do mundo, por nós, sem “colo” dos milhões a quem se fez crer que ser “daquele” é que era. Ninguém nos colocou em patamar algum. Nós colocámo-nos lá.

O termo só é pejorativo para quem nele se afecta. Não me afecto nele. Prefiro “Ser Porto” e ter “Mística” por ser regional, do que ser um grande Nada, à procura de si mesmo, cuja dimensão ainda inferior (que nem local é, é de bairro e não é pejorativo sê-lo, mas é querer esquecer as origens) à nossa se transformou numa grande entidade na qual não se percebe grande fundamento, a não ser o recurso aos feitos de um passado que nos remete apenas às vitórias na “outra senhora”.
O Portista não se gaba da vitória isolada, nem da glória em tempo de pouca competição, em grande parte, sem sequer se lembrar dela. O portista gaba-se de estar eternamente insatisfeito e de querer mais. O portista gaba-se de exigir e não de agradar quem entra em debandada como simpatizante, ou como convertido. O portista fica maluco quando ganha, mas joga mal e porcamente, preferindo vestir o “fato-de-macaco” a fazer “rodriguinho”. O portista não tem vitória moral. O portista odeia ganhar com lances duvidosos, porque não quer desculpas, nem quer que lhe criem deméritos.
É um facto: somos regionais na origem; mas ninguém fez de nós o que não éramos, pois fomos nós que o fizemos, Vale? 😉
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09. esta pergunta também será recorrente nesta rubrica, pela sua pertinência:
tendo em consideração os climas eleitorais nos clubes (ditos) «grandes», lá para os lados da Segunda Circular, e tendo presente todas as “peripécias” em torno das últimas eleições presidenciais para o spórtém e para o 5lb, pergunto-te:
temes que o mesmo possa acontecer quando Pinto da Costa abdicar de concorrer à presidência do nosso clube? porquê? sustenta a tua resposta com três razões/factores principais.
Temo. E a explicação até é bastante simples.
O FC Porto é um clube de dimensão internacional. Novos modelos que não necessariamente o estabelecido podem suceder. E não nos esqueçamos que é de gente que se trata: gente que se candidata, gente que vota. Todos somos feitos do mesmo, aqui, ou lá em baixo, mas é a forma de pensar que fará com que lidemos com o processo de forma diferenciada, a manter-se o modelo actual de eleição.

E porque é que me preocupa:

» porque o FC Porto é um clube de dimensão mundial e chama a si os “glory hunters”;

» porque o FC Porto gera fortunas em facturação (neste modelo) e gente pouco honesta há em todo o lado;

» porque o FC Porto pode vir a ser adquirido por alguém, ou por uma entidade, modificando drasticamente o paradigma, entrando numa onda megalómana.
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As diferenças estarão sempre no momento do pós-eleição e nunca no da pré-eleição. O que nos faz diferentes é a reacção ao resultado da eleição e não o modelo desta, nomeadamente a colocar-se o último argumento. E é algo inevitável, seja por razões biológicas, ou por razões circunstanciais…
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10. esta também será recorrente, por motivos óbvios:
Paulo Pereira Cristóvão. #Cardinal circus. dois mil euros. ex-vice-presidente do spórtém. corrupção. «constituído arguido por sete crimes». «detido por suspeitas de envolvimento numa rede que se dedicava ao assalto de residências [sendo o seu] responsável pela sinalização de potenciais vítimas dos roubos».
consegues estabelecer a relação de causalidade dos factos em apreço? e teorizar sobre o que já teria acontecido se tal se tivesse desenrolado geograficamente bem mais para Norte da Segunda Circular e com outros personagens neste “filme” nada ficcional?
justifica as tuas respostas.
Por muito menos, o Jornal da Noite da SIC começou às 19h57m, no dia em que quiseram misturar o indivíduo Antero Henrique com a instituição para a qual trabalha de forma copiosa e descuidada – coisa difícil de acontecer noutros locais, até mesmo quando o estado, entidade pública financiada por todos nós, alegadamente, assume dívidas de milhões de “empresários de sucesso”.
À Justiça o que é da Justiça; à Verdade o que é da Verdade; ao lixo o que não é dos outros.
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11. e, face aos acontecimentos (menos) desportivos que aconteceram na anterior edição da Liga Portuguesa – vide a rubrica “lampionagens” e “calimerolândia” -, achas que é uma “teoria da constipação”® ou os clubes da Segunda Circular têm mesmo uma política de justiça e de (im)parcialidade diferente dos demais adversários na Liga? ou somos (só?) nós que conseguimos melhor “fruta” e mais “quinhentinhos” do que os outros, os ditos «impolutos»?
no teu entendimento, qual(ais) a(s) razão(ões) para que tal esteja a acontecer (se é que está…)? e que solução encontrarias para que, na próxima temporada, tal já não se verificasse (se é que se verifica)?
Os paradigmas não mudarão. E não mudam porque a Capital age e reage como se fosse o Pinheiro de Azevedo, naquele estilo inqualificavelmente “marimbante”… O que mudará será sempre e somente o ‘modus operandi‘.

Para compreender esse fenómeno de duplo critério e que se estende em todos os campos do desportivo (e não só), é necessário entender o “sistema”.
Não falo do “sistema”, “famosamente” adoptado como retórica de Dias da Cunha, mas antes uma teia densa, praticamente inultrapassável, da qual apenas os mais cautelosos e inteligentes se libertam. Essa teia é um sistema de contactos, de “cunhas” e de influências, às quais, hoje em dia, pomposamente e numa espécie de semântica envergonhada, assume nomes como “networking” (cunha), ou “lobby” (influência). Aquele sistema a que se referia o antigo presidente leonino é um sub-sistema, um ramo da cabeça de um polvo do que verdadeiramente é o Sistema.

Sabes, as coisas, ditas noutra língua, parecem menos graves e mais modernas, conferindo a ilusão de que isso se passa em todo o lado e sempre da mesma forma – o que é supostamente normal e impossível de mudar, pá.
A verdade de que se passa em todo o lado é factual; já a forma, não raras vezes descarada e obscena, é diferente e característica tão nossa, dos países deste sul europeu e de tudo o que a influência ibérica tocou, além-fronteiras.

Por várias vezes dissertei sobre o assunto [aqui], nomeadamente na caracterização daquilo que se compreende como os tradicionais “Três Poderes” de Montesquieu que, se vivesse nos dias de hoje, não hesitaria em adicionar um outro, quiçá acima dos demais: o poder dos ‘Media’. Pois, a “besta” dos “me(r)dia“, com todo o reflexo escancarado dos os outros três poderes, mas sem filtro – já que a sua limitação é a Ética do Homem e o Código Deontológico da profissão, mas que tantas e tantas vezes, fazem questão em ignorar e de forma deliberada -, e que ajudam a moldar leis, consciências, opiniões, factos, julgamentos públicos de carácter e padrões ético-sociais – e tudo através de uma “simples” notícia, com um título tendencioso, e/ou através de uma novela que molde as massas.

A minha antipatia pelos ‘Media‘, nestes moldes, é como o Constantino, pois que a sua “fama” «já vem de longe». E note-se que não é só característica do futebol, mas também da Política, da Religião, ou até do Humor.
Em Portugal, o Jornalismo é de fraquíssima qualidade, não por uma questão de falta de fundos – por que inserido num mundo tão dependente do dinheiro alheio para levar a cabo as suas ideias -, mas antes de comodismo, de medo pela perda do estágio, por sectarismo e por proximidade geográfica e empática do contexto próximo. E é neste ponto que tudo começa…
Esse centralismo carece de revisão, não na sede (morada física) dos jornais, mas na sede dos poderes que influenciam e são influenciados pelo jornalismo. A Regionalização, ou o Federalismo (pensamento meu) seriam soluções a explorar que carecem de vontade. Vontade política de quem é recém-convertido ou “alisbonado”, esquecendo, a galope de onde veio, pois é tudo mais fácil, acessível e imediato. São estes os portadores dos podres que constroem a notícia, seja por conveniência, ou por simples dogmatismo resultante de uma chantagem qualquer.

Pior! Não se assumem, ao contrário do bom exemplo anglo-saxónico, do qual se sabe o que esperar declaradamente, não chegando ao nível de dissimulação ideológica que se vê por cá, em todos os campos. É uma espécie de gérmen… Uma semente que ficou e que não sai, de outros tempos, mas de forma esbatida e cínica.
É, portanto, na centralização dos meios que se inclina o campo ou os campos… E é aqui que se sedia a fonte de um poder tendencialmente emanador de notícias que, mesmo na inocência de alguns, são tendenciosas por uma questão natural e que tem que ver com envolvências e com predefinições estabelecidas – linhas de pensamento já enraizadas.

E por que razão o meu objecto está nesses ‘Media‘? Porque são eles o grande poder, o poder que gere verdadeiramente os países, as opiniões e as imagens. A eles cabe fazer de alguém culpado, ou inocente, sempre dizendo a verdade conveniente, ou destacando e secundarizando o que não lhes interessa. Foi assim com o Apito Dourado; foi assim com a meiga abordagem a outros casos de escutas e que todos viram no Youtube, mas que alguém decidiu apagar e que torna a apagar sempre que elas reapareçam… Foi assim com os “Sherlock Holmes” e “Big Broth’asavisconados

Resumindo: o tratamento é diferenciado. E é diferenciado porque alguém criou convenientemente a imagem de que “o tipos lá do Norte” são corruptos, malcriados e boçais. Alguém pegou convenientemente em casos políticos e sociais para estereotipar (sim, sou do Norte e sei diferenciar estereótipo de protótipo, “já “vistes?”…), para fazer, por exemplo, de um sotaque, uma diferenciação negatiBa e não positiBa, ao dispor de um pseudo-humorista básico da Grande Lisboa. E isto indigna-me muito. Indigna-me que o futebol seja gerido de acordo com essa forma de estar invejosa entre clubes, por exemplo, não tendo como referência o que Real e Barça fazem, em Espanha.
É de louvar saber como separar diferenças numa área onde os clube (o mercado do futebol) não têm, potencialmente, clientes concorrentes. É irracional, especialmente quando existe potencial na Liga e quando se prefere semear o “poderzinho de quintal”, relegando para segundo plano a competitividade, as receitas, os patrocínios e a arbitragem de vanguarda, onde se poderia utilizar Portugal como “cobaia” das novas tecnologias, em nome da verdade desportiva efectiva (e não da verdade desportiva relativa dos paladinos). E tudo porque provém de quem se sente arredado de um poder constantemente desafiado e que não (se) aceita ter perdido, futebolisticamente falando, e como reflexo cultural desse micro-cosmos umbilical em que vivem…

É poder e o Poder gere-se assim, seja na Política, na Vida, ou no Futebol, onde a “filha-da-putice” é transversal. E não é por acaso que gosto de recorrer ao termo, vindo de quem vem
Atenção que acho que há excelentes jornalistas em Portugal; temo é que sejam mal aproveitados, ou estejam escondidos pela falta de pertinência noticiosa. O que interessa é o Imediato e a “espuma”, essa mesma espuma que a Massa quer apreciar. E é por isso que os bons não se vêem… Ou talvez se escondam, de vergonha…
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12. olhemos para o actual “estado de graça” e sobre o quotidiano do nosso clube do “coraçom”.
quais são as tuas expectativas para a época 2015/2016 (que são as de qualquer portista dos quatro costados que se preze)?
como avalias a qualidade do nosso plantel principal de futebol? por exemplo, consideras que existem lacunas? quais são elas (a existir)? e quais são as suas principais virtudes? quem é a estrela mais cintilante? concordas ou discordas das entradas/saídas oficiais e conhecidas à data destas linhas [Agosto de 2015]?
justifica as tuas respostas.
Estaria aqui dias a falar… Tentarei ser breve!
Bom, creio que o plantel tem um potencial tremendo. Não entrarei por considerandos técnicos, mas antes por questões mais globais, até porque a Bluegosfera faz bem o trabalho a esse respeito.

A partir do momento em que assumes que tens um projecto a três anos; que esse projecto tem um homem como Jilen Lopetegui, que vem das bases da formação e de uma escola de posse concordante com a do FC Porto e com uma personalidade insurgente, mas pronta a arriscar; que o modelo parece estar a retomar as suas raízes, com André André, Sérgio, Rúben e até com jovens integrados onde se injecta mentalidade, como Gudiño, ou Ruiz, só posso estar confiante.
O processo é de três anos, portanto. O treinador já demonstrou – mais do que deveria – que está cá para “morrer” pelo Porto. E já demonstrou, também, que é competente, mas falta-lhe essa experiência de choque que teve no ano passado. Teve “caviar”, é facto! Mas esta questão faz-me lembrar um invejoso que está de fora e não tem dinheiro para comprar um M5, e goza com o facto de que quem comprou o M5 o converteu para GPL para poupar (não, não tenho nenhum M5, nem nenhum carro a GPL infelizmente…).
Para mim, o modelo do FC Porto é como o GPL: “estranha-se, depois entranha-se” (hoje estou muito pessoano…). É barato, mas anda mais do que a gasolina – tem mais octana; gasta mais (ordenados e prémios), mas não o suficiente para ser comparável no custo que teria em circunstâncias ditas “normais”.
Eu criticarei, mas se os resultados forem catastróficos como alguns acham, ainda que no momento certo: o das contas e dos retornos desportivos.

Assim sendo e dando uma opinião geral sobre os que cá estão:

» Casillas foi uma brilhante contratação que traz experiência, abre portas ao ROI (‘Return On Investment‘) como um Todo, aplicado à marca e não apenas ao jogador, ou ao plantel, e nomeadamente na questão de cedências de direitos de várias naturezas;

» Hélton é a base que sustenta o grupo, sem me parecer um líder tradicional, mas essencial no equilíbrio entre personalidades – uma espécie de Yin Yang antropomórfico;

» Gudiño é aposta segura, quiçá uma das melhores do mundo, a aprender com os mestres no melhor dos ambiente – um experiente e outro com cultura de clube;

» Maxi foi uma jogada interessantíssima, mas mais não direi até que me convença, pois estou ainda a digerir um indivíduo que encarnava tudo o que o outro clube representa de mau;

» Ricardo corre o risco de “ir com as couves”, pois o tempo de adaptação ao lugar começa a ser exagerado e sem provas evidentes de libertar-se da condição de extremo – e que pena que tenho, pois gosto muito dele e do esforço que faz;

» Maicon é um excelente central que inventa demais no simples, mas cujos anos de casa que conferem uma responsabilidade extra para corrigir isso;

» Lichnovsky, por mim, fica no plantel e faz esquecer outro hipotético central, deixando-o crescer nas capacidades que demonstra ter para dar e vender;

» Martins Indi é o gajo que nunca deveria sair, pelo balneário e porque o acho ‘underrated‘ por todos, e porque não entendo a razão pela qual dois destros podem jogar a par e dois esquerdinos não podem – veremos se não tenho razão em pouco tempo;

» Marcano é “O” defesa – adoro a criatura;

» Alex deve sair em Janeiro [nota: a entrevista foi realizada antes da consumação da transferência] e por um conjunto de circunstâncias que se vislumbram complexas; mas, até lá, que dê tudo pelo FCP, de preferência, sem facilitar e com mais regularidade;

» Cissokho é uma garantia de qualidade, para mim, praticamente ao nível de Alex, mas com outros atributos;

» Ángel acredito que fique devido ao processo Alex, mas tem de corrigir a trapalhice e o momento de definição, pois acho que não mostrou 50% do potencial que tem;

» Danilo Pereira é “um monstro” e nada mais digo, pois embora ache que começará a época no banco, demonstrará ser um daqueles espantosos casos de potencial correspondido e vendido por muitos milhões;

» Rúben é um caso especial e, tal como o seu talento ainda por mostrar, agora não digo nada, pois vai ser de ficar sem palavras em pouco tempo;

» Imbula também não merece palavras, é vê-lo e perceber porque é que digo isto, até porque já o conhecia do Marselha;

» André André é o regresso ao passado glorioso que não se fica pela teoria;

» Sérgio deve continuar (assim o espero), mas mais convertido a 10;

» Brahimi é um “deus do futebol” que já não vejo da mesma forma depois do que disse e do qual só espero “profissionalismo” e retorno;

» Herrera parece que vai continuar, pois aplaudo a hipótese de vê-lo a 10 com um papel de recuperação, tal como faz na selecção do seu país;

» Hernâni deve sair por empréstimo, embora o ache um excelente substituto de Quaresma e Tello;

» Tello faz-me lembrar os GTI dos anos ’90, que andavam muito até chegarem à primeira curva – é uma questão de ‘upgrade‘;

» Bueno é um espectáculo! É esperar e vê-lo entrosado;

» Varela é uma excelente surpresa, já o conhecemos no resto…;

» “Àbombakar” é um ‘must‘, e é especial;

» Osvaldo é “uma besta”, mas daquelas de quem gostamos, não querendo gostar.

Resumindo: excelente plantel e boa margem para “rodar”, sem abusos.
Gostaria de ter o Óliver entre nós, mas é impossível.
Creio que um médio de definição seria o passo a dar – o único. Para mim, Gourcuff e esquecendo o Lucas Lima, que mais parece uma “pita” de liceu inchada no ego pelos comentários dos pares e dos progenitores… Aliás, o francês, no meu entendimento, seria a resposta, pois conheço-o bem do Lyon e o que faltou sempre a este génio foi o acompanhamento certo, a motivação e regras a sério. E, já que estamos numa de “segundas oportunidades”, teríamos aqui uma opção genial e a custo zero, de alguém com “sede de bola a valer”, mas que tem problemas de temperamento, motivação e de algumas lesões – nomeadamente no joelho.
Ah! E veremos os processos de Rolando e de Quintero. Cá para mim, ainda vai dar muitas voltas…

Este ano é nosso! Tenho plena convicção disso! E, se não for, no final faremos as contas e cobraremos as facturas, mas sem colocar tudo em causa em acto de desespero cego. É isso que faz de nós diferentes dos demais.
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13. aprofundemos ainda mais a questão anterior e façamos aquele exercício (quase recorrente e do) “’tipo’: suponhamos que…”.
suponhamos que eras o treinador principal do clube (‘you wish!‘ :D) e que a SAD te “impunha” um orçamento de 100M€ (cem milhões de euros) para o próximo plantel, cuja base é o actual, à data desta entrevista [Agosto de 2015].
o exercício que te proponho é a tua reformulação do plantel e se considerares que tal é necessário.
deixo-te uma recomendação: que não te esqueças (i) das expectativas individuais dos jogadores e/ou dos seus empresários, (ii) dos jogadores do clube sob empréstimo e (iii) da existência da equipa B.
desenvolve a tua resposta, por favor. os “testamentos” são a imagem de marca deste espaço de discussão.
Não é fácil.
Em primeiro lugar, depende se os 100 milhões são referentes à compra, à compra e salários; às compras (onde se incluem prémios, etc), a salários e ao ‘staff‘… Depende ainda se são 100 milhões a contar já com os 26 milhões já gastos…

Vamos imaginar que é massa para gastar só em compras
Aí, é fácil! Se a base é a actual e se ainda tenho 100m para gastar, faço o seguinte:

Guarda-redes: Casillas, Hélton, José Sá (3m) e Gudiño (treino integrado na A/B)

Laterais: Bruno Peres (10m por 80% do passe a negociar cedências e direitos), Maxi, Alex e Grimaldo (1,5m empréstimo com opção de compra)

Defesa: Marcano, Bartra (1,5m com opção de compra), Ilori (10m por 80% do passe, ou explorar o empréstimo) Bruno Alves (prémio de assinatura)

Meio-campo: Danilo Pereira, Rúben, Moutinho (10m com os esquemas do Mendes), Imbula, André André, Óliver (10m com os esquemas do Mendes)/ Markovic (1m empréstimo com opção de compra) e Gourcuff (prémio de assinatura), ou manter Quintero

Ataque: Brahimi, Varela, Tello, Nani (1m empréstimo sem opção), Gonçalo, Chicharrito (1,5m empréstimo com opção de compra)
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Portanto e em relação ao plantel principal, resgataria José Sá ao Marítimo como garantia de futuro; Bruno Peres como real alternativa a Danilo, ou como boa alternativa a Maxi, até porque este está em curva descendente; Bartra, como garantia de futuro e potencial de venda, já que, depois da desgraça que tem sido a defesa do Barça, cheira-me a remodelação; Ilori porque sou um admirador confesso e creio que teria possibilidades de ser um central de topo, desenvolvendo-se cá; Bruno Alves, porque tenho a certeza de que o pai dele ia adorar os prémios do FC Porto e, para além disso, seria garantia de experiência, já que Rolando não quer ficar; Moutinho porque é um ‘fetiche‘ e porque o Mendes é capaz de tudo; Grimaldo porque é um génio com um futuro tremendo nas mãos certas; Óliver, “prontos”; Gourcuff porque precisa de uma segunda oportunidade no lugar certo e porque nós precisamos dele, precisamente nesse lugar; Markovic porque é um tremendo jogador e porque gosto de ver os outros ainda mais aziados; Nani porque dá para o gasto; Chicharrito porque, para mim, é o melhor ponta-de-lança com o pior ‘timing‘ de transferência de que me recordo…
Tudo deve andar à volta dos 50/60M€, dependendo das variáveis, do negócio Óliver e dos prémios de assinatura. Com salários e vendas, nomeadamente de Herrera (15m), Maicon (8m), Indi (12m) e Àboubakar (15m), já daria para “nadar na maionese”.

E atenção! É apenas um pressuposto teórico de intenções, nunca de gestão. Caso contrário, nada disto faria sentido, pois estou a partir de um pressuposto de soma zero, adicionando-lhe ainda os montantes resultantes dos empréstimos. Numa lógica de gestão, Bruno Peres, Ilori, Nani e Moutinho nunca viriam

Na equipa B mudava, desde logo, o treinador.
Como prioridade, teria o desenvolvimento e paulatina integração de: Ruiz, Gudiño, Ivo (esperemos que o jovem não se tenha perdido…), André Silva, Chico Ramos e Macedo…
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14. posto “isto”, terceira “entrada a pés juntos”:
na tua opinião, Lopetegui é ou não é o homem indicado para comandar os destinos do futebol profissional, do nosso clube do coração?
justifica a tua resposta, por favor.
É. Não sou eu que tenho de justificar. Ele já o fez. E só um cego não vê que a casa se constrói a partir do alicerce. De “jardins suspensos” está a História cheia. E toda a gente sabe que, por muito maravilhosos que sejam, não passam de uma ilusão à espera que o passado passe por ela.
Sem #colinho, sem rodar demais, conhecendo melhor o campeonato e os “inimigos” e com provas dadas de que a aposta é de longo prazo e consistente, tendo conseguido recuperar uma certa noção de pertença e mística do clube, é o homem certo no lugar certo. E, se tudo correr bem, que venham mais três anos depois destes!
Nunca se esqueçam de comparar, antes de falar, os pontos que tínhamos antes de Lopetegui com os pontos que tivemos com o Julen… E, se a base de comparação não for Fonseca, vão lá ver os pontos de Mourinho, de Villas-Boas e de Vítor Pereira!
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15. decorrente da pergunta anterior, o projecto da nossa equipa B tem pernas para andar ou é/será mais um “flop”, qual “Visão 6/11”? qual o teu prognóstico? e Luís Castro (ainda) tem condições para se manter em funções?
justifica as tuas respostas.
Só saberemos com certeza quando Luís Castro deixar de comandar a equipa. Gosto dele; como portista, agradeço-lhe o que fez pelo Clube, no momento delicado em que foi, mas não posso ignorar o que tem acontecido na lógica competitiva. Não sejamos ingratos e incluamo-lo noutro papel da estrutura!

O projecto de formação tem pernas para andar. Basta olhar para Rúben Neves, para os talentos que jogam nas selecções jovens [mesmo no banco da “selecção de Alcochete” (Paulo Bento 2.0)] e para as pré-temporadas do FC Porto. Só este ano: Gudiño, ‘Chico’ Ramos, David Bruno, André Silva, adicionando-lhes Ricardo, Lichnovsky, Gonçalo e Mikel, que transitam do ano passado, para entender que tudo o que se possa dizer contra Lopetegui e a falta de aposta em jovens formados no clube, é pura alucinação, ou má-vontade, ou má-fé.Mais ainda: o FC Porto tem contratado e recebido jovens com altíssimo potencial, desde os rivais, a jovens estrangeiros como Ruiz e até ex-Barcelonas (!!!). Tudo isto mostra que Lopetegui não é apenas um treinador, antes um ‘manager‘.
A integração deve ser feita nos momentos-chave, como as pré-épocas, os treinos com os AA, a Taça da Liga e jogos do campeonato e da Taça de Portugal onde o resultado confira segurança o suficiente para se arriscar.
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16. quarta “entrada a pés juntos”, numa pergunta (muito) directa:
concordas com a actual política de Comunicação do FC Porto (sobretudo para o Exterior)? e com a aquisição do “Porto Canal”? porquê? e o que mudarias (a haver mudanças, na tua opinião)?
Não, não concordo com essa política, mas já começa a haver sinais de mudança. Mas, grosso modo, em certos pontos, chega a ser miserável. E é miserável em alguns aspectos por ser quase incoerente e por não ser una no ataque ao Objecto que se visa atingir.
Dividamos a Política de Comunicação em duas entidades: os órgãos e os agentes.

Os órgãos que saltam à vista são: o Porto Canal e o Dragões Diário. Já falei sobre ambos por várias vezes.
Espero que o Porto Canal mude radicalmente a sua filosofia com a passagem de testemunho para o Clube – assim o parece e tendo por base as últimas duas semanas, nomeadamente em relação aos espaços sobre o FC Porto.
É inadmissível que haja jogos que, mesmo em pré-época, para além de não serem transmitidos pelo Porto Canal, também não são transmitidos por outro qualquer órgão… Um bom exemplo disso é o do primeiro jogo da pré-temporada. Soube do resultado, em directo, através de um site de apostas – lugar que nunca tinha frequentado até então…
E eu até sou bastante compreensivo…
Acredito que possa ser vantajoso vender direitos de transmissão exclusivos, uma vez que existe um conflito de interesses entre a gratuitidade do Porto Canal e outros órgãos – e, aqui, o exemplo da BTV dará sinais disso muito em breve, com toda a certeza, em jeito de exemplo e de retorno. Isto relega o papel do Porto Canal a uma condição que apenas é ultrapassável se for pago, recuperando-se uma certa posição de força negocial, mas sempre entendendo a sua natureza.

Para além de tudo isto, o Porto Canal tem programas de fraquíssima qualidade e, por vezes, faz-me lembrar um órgão de informação local, onde as edições são pouco apelativas e onde já me deparei, não raras vezes, com problemas de edição de som. Não sei se o problema é dos técnicos, ou se é das máquinas, mas um destes factores não tem qualidade suficiente.
Creio que o Porto Canal tem tudo para manter duas bases essenciais: (i) informação regional especializada (alarguemos o conceito a todo o Noroeste Peninsular) e com serviço de interesse público (que não Serviço Público de televisão), em rubricas e debates de Saúde, Política, Cultura e História, mas num modelo reformulado; e (ii) informação desportiva mais pensada na vertente das modalidades, com análises pormenorizadas para lá do modelo comum do “boneco que fala”, onde haja quadros interactivos e onde haja mais destaque para o documentário sobre o FC Porto e respectivos atletas (por onde anda o “Invictus”?).
Já tudo o que seja programas da Manhã de gosto questionável, filmes e videoclipes e karaokes e programação de massas em concorrência tentada dos canais generalistas abertos, é um acto falhado.

Gostaria, ainda, de ver na grelha do canal um espaço dedicado aos blogues – numa espécie de debate que não fosse centralizado somente nos comentadores – e às colectividades do clube (núcleos e casas), entendendo contextos e alargando o debate de forma plural.
O Porto Canal tem de entender que é um “canal de nicho”. Não lhe compete, a partir de agora, tentar fazer serviço público, ou homenagens à beleza do Porto, tão-somente enquanto cidade, com um som de fundo irritante. Existe uma óptima base e existem excelentes apresentadores e jornalistas que estão a ser muito mal aproveitados e, quem sabe, a travar uma carreira bastante auspiciosa – como é o caso do Ricardo Couto, um comunicador nato a fazer comunicação demasiadamente básica, em algumas circunstâncias.

Quanto ao “Dragões Diário”, tenho uma opinião dividida entre o bom e o mau.
Parece-me uma excelente estratégia, a do aproveitamento de um canal, o digital, para comunicar e lançar as primeiras novidades do dia. Acho inultrapassável, nos dias de hoje e aplaudo-o. O modelo, já o analisei no meu espaço e considero que carece de aperfeiçoamento gráfico. Quanto ao estilo, reprovo. Tudo porque começou numa espécie de tentativa tímida de falar politicamente incorrecto através de uma “lebre”, que não pudesse ser sancionada pelos regulamentos. O fundamento não é descabido, mas o “Latim” e a altura variável com que responde, por vezes em linguagem desprestigiante, para um clube como o FC Porto, é reprovável. Hoje, parece ter mudado e, ao mesmo tempo, parece ter perdido um certo interesse: não por ter deixado de haver a hostilidade característica, ou mudança de autor, mas antes devido à tal monotonia que se criou a partir de uma expectativa errada.
Creio que se definiu mal e pode ter-se corrido o risco de tornar a ‘newsletter‘ dispensável, pois o público-alvo deixou de ter o que foi definido como forma de comunicar inicial. Se, desde o início, a ‘newsletter‘ tivesse sido anunciada como um “simples” órgão de comunicação de agenda e mais pensada formalmente, talvez tivéssemos um produto superior e com mais espaço de manobra. Quanto a este aspecto, julgo que o clube aproveita mal os blogues e alguns convidados ilustres, no sentido de referenciá-los, em tom de crítica, aos acontecimentos, mantendo-se intocável e criando um ambiente mais uno na diversidade.

Já quanto aos agentes, há três rostos a destacar: Pinto da Costa, Lopetegui e Rui Cerqueira.
Começando por Cerqueira, penso que geriu sempre bem a Comunicação oficial. Porém, o ano desportivo que agora deixamos para trás, deixou a nu uma certa leveza de competências que lhe incumbia fazer. O problema é que a Estrutura funciona como um todo e, naturalmente, nunca deixa cair as peças que considera serem parte transversal da estratégia, mesmo quando ela é mal conseguida – como o foi, no ano passado.

Em relação a Lopetegui, creio que assumiu demasiado risco, com culpas para a Estrutura. “Queimou-se” demais e demasiadas vezes, tendo, hoje, um espaço de manobra reduzido. O que se passou no ano passado faria sentido numa lógica de desgaste e que visasse “queimar” um treinador que se queria fora daqui. Sabemos que a tal dualidade de tratamento – veja-se como os “Media” tratam Jesus, depois das conferências de Imprensa como a do pós-Super-Taça – é letal nestes casos.
A Estrutura esteve mal, muito mal, mas parece ter mudado de estratégia.

Aqui entra Pinto da Costa, cuja comunicação já foi melhor. Não se trata de factores biológicos, mas antes de exagerar no ataque, nomeadamente àqueles que representaram a casa e àqueles com quem não concorda ideologicamente, tomando, de certa forma, o seu papel privilegiado para apoiar candidatos políticos, ou acusar outros. Isto é errado. Mas é tipicamente seu.
Pinto da Costa esteve ainda muito mal ao afirmar que não se deve misturar Política com Futebol, quando tem nas fileiras do clube quem se sabe. Esteve ainda pior, ao não ter reagido, no tempo devido, ao escândalo arbitral do ano passado e que está registado em imagens para todos os que as queiram ver…
Mas creio que tudo acaba de mudar. Vemos um presidente mais ao seu estilo tradicional, com os seus defeitos, mas cujas virtudes suplantam claramente aquela condição. Neste aspecto, não podemos esquecer o histórico em que insistiram colocar Pinto da Costa como o mal de todos os males do sector, branqueando convenientemente situações por todos conhecidas.

Terminando, uma nota ainda para os departamentos de Marketing e de Comunicação do Clube, que mudaram radicalmente de política no ano passado e que parecem estar a ter continuidade neste ano.
Creio que deve haver um aperfeiçoamento em relação às plataformas sociais e de partilha, nomeadamente o Youtube e o Vimeo, em que não se percebe onde começa o trabalho deles e onda acaba o do Porto Canal. É bastante confuso a este respeito. De resto, parece estar tudo bem encaminhado.

17. qual a tua opinião sobre o actual estado de alma do nosso clube em relação às modalidades (ditas) “amadoras” e em que está profissionalmente envolvido?
em concreto, o que te pergunto é se o trabalho desenvolvido terá Futuro, se está no bom caminho, se dará frutos, se os projectos têm solidez (a todos os níveis), ou se poderá haver outros exemplos com o que aconteceu à suspensão» do basquetebol sénior?
já sabes que estás à bontadinha 😀
Não sei, confesso.
Estou bastante céptico, nomeadamente em relação ao basquetebol. Qual é, afinal, a estratégia que manteve Moncho e que apostaria com tanto sucesso na formação local, quando, ao subir ao escalão máximo da modalidade, enchemos o plantel de caras novas, numa espécie de rejeição, ou falta de confiança no produto interno? Isto perpassa aos jogadores.
Todos sentem essa aparente falta de garantias, mesmo tendo em conta o incomparável patamar competitivo (europeu). É necessário aclarar de forma a não repetir erros do passado recente. Estou bastante confuso com esta aparente contradição. E espero estar enganado…

Quanto ao resto, estamos numa fase de rupturas, nomeadamente no hóquei e no andebol. Houve um sinal incompreensível com a saída de Reinaldo Ventura e houve um outro sinal de perda aparentemente inevitável com a saída de Obradovic. É momento de transições, mas creio que estamos no caminho certo. É uma incógnita, mas os reforços são de peso.

Tudo o resto “respira Qualidade”, do boxe, ao bilhar, passando pela natação, onde o FC Porto aposta forte e tem sucesso. Devemos apostar, sempre, onde existe certeza de retorno, não sendo eu iludido pelo orgulho de ter uma modalidade “só porque sim”, mas apenas quando a Qualidade é certa e a preparação ponderada.
Se não me engano, o FC Porto é o clube mundial, a par do Barcelona, com maior sucesso nas modalidades de alta competição. Mas isto só é possível planeando e tendo a certeza de que o investimento não cairá em saco roto.
Pessoalmente veria com muito bons olhos o regresso do ciclismo e o surgimento do futsal. Em ambas as modalidades há potencial que justifique a tentativa de iniciar actividade, nunca sem antes perceber o mercado e os patrocínios. É tudo uma questão de estratégia e de gestão cuidada; nunca de mediatismo superficial.
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18. esta pergunta (também) é recorrente neste tipo de entrevistas.
das seguintes opções, descreve o teu sentimento mais profundo (se possível) após uma derrota do nosso clube do coração:
[só pode ser uma opção. Selecciona-a a negrito, por favor]

a. – não durmo direito nessa noite
b. – que ninguém me fale durante as próximas vinte e quatro horas, pelo menos
c. – apetece-me mandar tudo para um sítio (ou dois) que eu cá sei
d. – extravaso o meu sentimento na bluegosfera®, sobretudo em respostas aos “comentários” (dos lampiões mormente) anónimos de serviço
e. – para lá de mandar tudo para mais dois ou três sítios que eu cá sei e de que me lembrei agora, faço assim: sinto-me como nas alíneas anteriores mas tento perceber o que se passou de errado para entender o que se deve corrigir. Se não conseguir entender e se for daqueles dias infelizes, simplesmente fico assim até à próxima vitória. Mas, por favor!, principalmente nas horas seguintes ao desaire, nem ousem falar comigo sobre isso pessoalmente…
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19. à data [Agosto de 2015] e na tua opinião, qual o melhor onze de jogadores que envergaram a camisola do FC Porto, qual o melhor banco (22 jogadores no total, portanto) que já viste jogar, «ao vivo e a cores», e qual o melhor treinador que passou pelo clube?
[podes “seleccionar” jogadores nacionais e/ou internacionais]

onze titular [1-4-3-3]

Vítor Baía; Danilo, Alex Sandro, Aloísio e Otamendi; Costinha, Moutinho e Deco; Drulović, Jardel e Hulk.

suplentes:

Iker Casillas; João Pinto, Álvaro Pereira, Fernando Couto, Ricardo Carvalho; Fernando, James, Zahovič; Quaresma, Falcão, Capucho.

Equipa técnica

Treinador: Bobby Robson
Adjuntos: Villas-Boas e António André
Preparador físico: aquele indivíduo, de cabelo curto, mas farto e de bigode, e que nos anos ’90 trocou o FC Porto pelos outros…
Médico: Domingos Gomes
Psicólogo: José Neto
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20. és visitante regular do (agora) ‘TOMO III‘.
duas sub-perguntas:

i) como tiveste contacto com este espaço, i.e., como me encontraste?
Através da Bluegosfera, de um RSS/feed qualquer… Depois, foi ler e não parar. Assim nasceu uma referência.

ii) peço-te o favor de indicares um aspecto positivo deste espaço e um aspecto (ou mais do que um) que gostasses de ver corrigido e/ou melhorado.
O estilo é único. Melhoraria o antigo grafismo, mas já está feito…
Portanto, nada a assinalar. Afinal de contas, estamos a falar de blogues…
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21) não há. chegamos ao FIM! 😉
MUITO OBRIGADO!‘ pela tua colaboração. espero que a entrevista tenha sido do teu agrado 😉
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13 thoughts on “dragão de ouro: ‘Velho da Constituição’

  1. Meu caro,

    Não obstante ser espectador assíduo deste espaço virtual (ao qual dou, desde já, os meus parabéns pela qualidade e originalidade!), a falta de tempo/timidez (sim, até no mundo dos pixeis…)/falta de retórica argumentativa não me permitiram tornar um ente mais activo e comentar em qualquer dos inúmeros posts relevantes, inteligentes, divertidos, e tudo o mais de bom que enchem este Tomo III.
    Todavia, hoje abri a excepção, pois não podia ser de outra maneira.

    O post infra é uma excelente conversa/entrevista, a todos os níveis. Excelente entrevistador, excelente entrevistado! Abordaram tópicos interessantíssimos, de forma séria, porém com a originalidade e prosa que tão bem vos caracterizam. Particularmente, o tópico dos Media e da sua influência merece destaque da minha parte, por corresponder, ponto por ponto mas com outras palavras (muito melhor utilizadas), à minha visão sobre o tema, concretamente no que diz respeito ao nosso F.C.P.

    Amor ao Clube e sapiência podem coexistir, e esta entrevista/conversa é prova disso (sem desprimor para qualquer dos outros espaços da Bluegosfera, felizmente demasiados para aqui nomear, os quais também sigo avidamente).

    Não creio que levarás a mal, caro proprietário deste Tomo III, ter repartido os elogios entre ti e o também prezado e Imbicto Velho da Constituição…

    Remate final (pun intended) para dizer que fico expectante por novas edições do “Binte perguntas a…”

    Com os melhores cumprimentos,

    Nuno Campos

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  2. caríssimos,

    muito obrigado! pela vossa visita e pelas vossas gentis palavras!

    no fundamental:
    a honra, os encómios e os rasgados elogios vão, em exclusivo, para o entrevistado. ele é que é a estrela maior deste post e a razão de ser do mesmo 🙂
    (sem desprimor para os demais “dragões de ouro”, esta teve mesmo muito sumo)

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    abr@ços a «ambos os quatro» 😀
    Miguel | Tomo III

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  3. «

    PS:

    Com honra, correspondi ao pedido de uma das minhas maiores referências da Bluegosfera, o Miguel Lima, do Tomo III, ao conceder uma entrevista para o seu espaço: “Dragões D´Ouro: Binte Perguntas a…“.
    Embora haja já alguma desactualização óbvia, pelo facto de ter respondido há algumas semanas a determinadas questões, tudo o resto é declaração minha daquilo que tenho já vindo a fazer neste espaço que vos recebe desde Fevereiro.
    Por tudo isso, o meu obrigado ao Miguel Lima e a vós, que me aturais sem remédio!

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  4. Imbictos amigos,

    Não poderia deixar de vir até aqui agradecer a vossa amabilidade!
    Sem espaços como o do Miguel e de alguns dos de vós, nada disto seria possível. São referências, bases de pensamento e de diálogo.

    Obrigado a todos, mas gostaria de ter escrito ainda mais. Por razões óbvias, não o pude fazer.

    O meu obrigado ainda para o vosso tempo!

    Imbicto abraço a todos!

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