duas estórias, uma moral…

ohyeah© google
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caríssima(o),

antes de tudo, as minhas sinceras desculpas pelo facto de ontem, Terça-feira, não ter conseguido disponibilizar e como habitualmente, a NORTADA do dia, do (cada vez menos…)”nosso” enfant terríBel, Miguel Sousa Tavares.
tal deveu-se ao facto de o “supermercado”, onde frequentemente costumo “abastecer” este espaço de discussão pública, ter estado momentaneamente “encerrado”, devido a “problemas técnicos”; depois, quando “reabriu”, não tornou acessível, ao grande público, o “produto” que eu também pretendia difundir à saciedade, somente a edição impressa, do pravda da Travessa da Queimada, desta Quarta-feira (aqui)…

felizmente que existe o caríssimo Vila Pouca, pelo que aqui, graças ao seu abnegado serviço público, de extrema dedicação à causa portista e na eventualidade de ainda não o teres feito, podes sempre dar uma vista de olhos (sugiro que seja de forma rápida, para não te aborreceres. muito…) a mais uma “azia daquelas”, que tanto lhe é (in)comummente característica – ao Miguel, bem entendido… no fundo e no decurso do dia de ontem, foi só mais um portista a demonstrar um completo «desnorte» em relação ao quotidiano azul-e-branco…
já sobre este último, mormente em relação ao fecho do mercado de transferências, duas estórias e uma advertência. principio por esta última: o que a seguir se relatará aconteceu, de facto, e na primeira pessoa. foram momentos que me marcaram, estórias de Vida e que para todo o Sempre guardarei e levarei comigo para um Mundo melhor. mais do que um efémero auto-elogio, numa atitude exageradamente narcisista e que em nada se coaduna com a minha maneira de ser e de estar em Sociedade, pretendo confrontá-las com uma «certa e determinada» realidade do nosso clube do coração, numa espécie de reflexão moral mas pela positiva.
vamos a elas, então – às estórias, claro está!

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a primeira estória (verídica) aconteceu tinha uns singelos, pueris e inocentes dezanove inconscientes aninhos.
nessa altura, por meados da década de 90, em plena carburação do nosso Penta, trabalhava num gabinete contabilidade, sito exacta e precisamente num concelho do distrito do Porto. tinha terminado o Ensino Secundário, na mesma área de estudos e de actividade de família e, ao mesmo tempo, dado um desgosto enorme aos meus pais, por conscientemente ter enveredado, de forma directa, no mercado de trabalho, ao invés de ingressar no Ensino Superior, como a esmagadora maioria dos meus primos e amigos mais chegados (e alguns conhecidos, também. e como a amiga da minha vizinha da frente, dois anos mais velha do que eu e com uma beleza de estalo, e um par de “inteligências” que se evidenciava quando não usava sutiã…). adiante…

aqueles tempos, vividos no gabinete de contabilidade, foram uma verdadeira experiência de vida, como já referi, tendo principiado como humilde moço de recados e, ao fim de três anos, a ser o principal responsável, depois do patrão, pela contabilidade não-organizada (acho que esta designação já não existe…) de aproximadamente uma centena de clientes.
infelizmente para mim, o (parco) vencimento mensal permanecia inalterável desde que lá ingressei e que, pela primeira vez, me dirigi à sua sala para receber o (literal e visualmente) envelope azul – logo e como está bom de se perceber, desproporcionalmente desconforme à responsabilidade que me era atribuída.
assim sendo, num assomo de coragem imberbe, em Janeiro, de um ano daquela mesma década de 90, resolvi confrontar o (então) meu patrão com aquele facto e que me começava a perturbar o espírito – ter o mesmo grau de responsabilidade que alguns dos meus colegas e receber cerca de cinco vezes menos (e sem qualquer exagero da minha parte). a sua pronta resposta ainda hoje ecoa nas profundezas (in)conscientes do meu íntimo: «enquanto aqui trabalhar, Miguel, será este o seu vencimento, independentemente da função que venha a desempenhar! não quer, há mais quem queira! e a porta da rua é serventia da casa!».
naquele mesmíssimo momento, resoluto, comecei a tratar de vida e da minha candidatura ao Ensino Superior, na esperança de um Futuro melhor, que viria a conseguir, em Julho desse mesmo ano. mas, já lá vamos.

ou seja:

houve uma vontade irresoluta da entidade patronal relativamente a um desejo de um seu trabalhador.
não será assim que, de certa forma e mesmo sem conhecer os meandros do negócio, se poderá explicar, de uma maneira simples, cândida e ingénua, o “problema” do Rolando?
será que não terá sido exclusivamente a vontade da entidade patronal a prevalecer perante as legítimas veleidades do jogador e/ou do seu empresário, depois deste(s) terem feito a vida negra às preten$õe$ do Clube e de terem passado as passas do Algarve com o que este último pretendia, numa espécie de jogo do empurra que a ninguém beneficiou?
mais do que atirar argumentos sobre quem está certo e/ou errado, nesse negócio, dever-se-ia perceber e antes de tudo, que quem perdeu foram todas as partes nele envolvidas. logo, que não há vencedores, somente os destroços de muitas expectativas criadas de parte-a-parte…
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e, desde episódio, partimos para a segunda estória, a qual se relaciona, de forma umbilical, com a primeira, porque estão muito interligadas, inclusive no espaço temporal.

desde muito cedo que os meus progenitores me ensinaram a ter que trabalhar para poder vir a satisfazer os meus desejos. por exemplo, para uma mesada de cinco contos (vinte e cinco euros actualmente, mas que davam para gastos na ordem dos cinquenta euros, a preços de meados da década de ’90), tinha muitos documentos para separar e arquivar, nos meus finais-de-semana – desde facturas a notas de débito e/ou de crédito.
assim sendo, um dos meus orgulhos é o facto de ter pago os meus estudos superiores sem recurso às poupanças dos meus pais. obviamente que, para tal ter sido uma realidade, tive que trabalhar em part-time, aos finais-de-semana. e não me caem os “parentes” na lama ao afirmar que também trabalhei para aquela cadeia de restaurantes, presente em muitos centros comerciais do Grande Porto, e também em muitos países e em muitos locais para lá daquela galeria comercial onde partiram os dentes ao actual Presidente da Liga, e cujo logótipo é um arco duplo de cor amarela – entre outros trabalhos (ditos) “menores”, mas que me permitiram pagar também as propinas do Curso.

num desses trabalhos, a renovação do contrato (ou o término deste…) estava para breve. como gostavam do meu desempenho, fui chamado ao gabinete do gerente de loja, para rubricar a sua prorrogação.
nessa altura, estava com outro projecto em mente, mais voltado para a Fotografia – uma paixão que se mantém, paralelamente à da Música (sendo que o Futebol encontra-se noutra galáxia, e a Família noutro Universo).

quando acabei de ouvir a proposta que tinham para mim, a resposta foi simplesmente um «muito obrigado, mas não vou aceitar. nada tenho contra este serviço, mas as minhas ambições passam por outro tipo de função, noutro ramo que não o da Restauração.»
após a minha resposta, fui confrontado com o facto de pretenderem que terminasse o Curso Superior, pois tinham outros voos para mim, bem mais altos do que a tarefa que entretanto desempenhava – sobretudo em termos de responsabilidade e de chefia, mas cuja tradução no vencimento mensal seria repercutida a conta-gotas (para lá de alguma perda de liberdade de poder decidir o meu horário de saída)… mesmo perante este cenário, que me pareceu sincero e nada hipotético, voltei a declinar. foi-me dito para pensar bem e decidir posteriormente, “a frio”. quando chegou esse dia, a resposta foi a mesma, com a agravante de informar a gerência que aquele seria, de facto, o meu último dia de trabalho para a empresa, e que não iria cumprir com o que faltava de tempo de contrato (pois que, no outro ramo, o da Fotografia, queriam-me “para ontem”, para suprir a falta de um elemento que entretanto tivera um grave acidente automóvel).

ou seja:

houve uma vontade irredutível de um trabalhador em não prolongar o seu vínculo de trabalho com a entidade patronal, e por mais boa-vontade que esta tivesse demonstrado.
não será assim que, de certa forma e mesmo sem conhecer os meandros do negócio, se poderá explicar, de uma maneira simples, cândida e ingénua, o “problema” do Alex Sandro?
será que não terá sido exclusivamente a vontade do jogador e/ou do empresário a prevalecer perante as legítimas preten$õe$ do Clube?
mais do que atirar argumentos sobre quem está certo e/ou errado, nesse negócio e de como tudo deveria ter sido tratado e de forma atempada pela SAD (e será que não o foi? quem, de boa-fé, legitimamente pode afirmar o seu contrário?), dever-se-ia perceber que não se perdeu tudo, e que a ida para a Juve foi uma espécie de mal menor, perante a forte possibilidade de, em Janeiro de 2016, o jogador poder assinar “livre como um passarinho” por quem bem (o) qui$e$$e e/ou entende$$e, com o Clube a não ver um cêntimo sequer pela sua transferência – antes a perda irrefutável e irrevogável de cerca de 11M€…
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em suma:

se, na Vida como no Desporto (e sobretudo nos negócios do Futebol), não há verdades absolutas, também é verdade que há muito que já não existem almoços grátis.
e seria um sinal de inteligência, totalmente inverso ao «desnorte» que grassa por alguma dessa bluegosfera, mais dada a reflexões da treta, que, antes de se acusar injustamente quem de facto dirige os destinos do Clube – bem ou mal, os Relatórios&Contas o “dirão” e os seus números julgarão -, se reflexionasse com sentido de espírito crítico construtivo e positivo, ponderando todos os imponderáveis presentes num negócio com (pelo menos) duas vontades em confronto de intenções e de expectativas, por forma a se evitarem «quebra-cabeças sem sentido nenhum» que só existem e ganham sentido, em mentes que apelidam a direcção do Clube e da SAD de «canibais»
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disse!
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produzido pelo ‘WordPress‘, a partir de um telemóvel muito esperto, mas com um utilizador um pouco limitado…

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5 thoughts on “duas estórias, uma moral…

  1. Há um claro problema de extremos nas pessoas.

    Quando estamos por cima, todo o chão é dourado. Quando a SAD toma uma outra decisão questionável, por força até de pressões externas e circunstâncias que não pode controlar (ou terão sido as SADs a falir o BES ou a colapsar o Lehman Brothers?), tende-se a fuzilar todos os corpos à primeira poça pisada.

    A análise não pode ser feita só com um olho. As empresas não ficam refém dos investidores porque querem. E é muitas vezes essa a variável crucial que as pessoas ignoram nesta equação.

    O paralelo que traçaste com o teu caso pessoal é um decalque da realidade dos dois casos. No caso de Rolando, analisando o que é público, parece-me ter havido erros de parte a parte que redundaram numa situação nefasta para as duas parcelas, que mais não quiseram do que defender-se. No caso de Alex, foi a mais natural e legítima vontade do rapaz rumar a outras paragens, que normalmente é irredutível quando a vontade nos oferecem a possibilidade de ganhar num ano o que ganhávamos em cinco. O que eventualmente a SAD poderia ter feito era começar a pressionar mais cedo a renovação do contrato do brasileiro, se isso não tiver, de facto, acontecido. Desconheço. Não posso fazer mais do que especular.

    Mas é essencial analisar o todo e não a soma de todas as partes. Compreender porque é que a SAD esteve envolvida em novelas como a de Lucas Lima. Certamente que ninguém no clube quis ficar subordinado ao financiamento externo e a contratações por catálogo, mas digam-me um clube no mundo que tenha escapado a isto actualmente?

    Boa análise, Miguel.

    Posições centrais e ponderadas são commodities cada vez mais raras.

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  2. Eu devo concordar com tudo, mas deixei de conseguir perceber depois da “interligação”. Culpa do meu apuradissimo sentido estético que me faz entrar em transe perante a perfeição.
    Ah, e não fazia ideia que tínhamos a mesma vizinha da frente. Ou duas diferentes, com uma amiga comum 🙂
    Siiiim, eu sei que era sobre outra coisa. Mas não me pareceu útil relevar disparates reflexivos ou devaneios antes de ir para a caça, perante “inteligências” tão mais importantes. E refrescantes! Que queres? Sou um tipo das artes :)))
    Grande abraço

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  3. Se for a reparar neste post por cima, reparamos que |e querendo desviar um pouco do assunto deste post| a nossa massa adepta parece mesmo como no mundo de trabalho.
    Onde o trabalho mal feito é logo apupado e é motivo para se dizer tudo de mal.

    Ou seja para aqueles adeptos que assobiam dêem-lhes mesmo um par de “inteligências” para perceber o que se quer do Clube.

    Abraços.

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