Victorio Maximiliano Pereira Páez

victori0p© zerozero
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foi em Espinho, nessa bela cidade de que gosto bastante e amiúde visito. estávamos em Junho, a propósito do III Encontro da Bluegosfera. recordo-me que era perto da hora do almoço e dirigiamo-nos para o local do ansioso repasto, mesmo junto à linha de praia. no grupinho de Amigos cibernáuticos onde me incluía, debatia-se a forte probabilidade de um uruguaio, com sinais no rosto que mais parecem furúnculos, depois de oito anos a vestir à carnide, poder rumar mais a Norte, e a «custo zero»… bem, nessa altura, para mim o rosto eram mais «as ventas», os furúnculos permaneciam exactamente iguais e já se sabia que não seria sem quaisquer custos adicionais, pois que não há almoços grátis. em relação a esta ‘sui generis‘ expressão, recentemente soube-se que, afinal, vai-se a ver, e até os há, mas é mais para os lados de… exacto!: carnide, mas em forma de ‘vouchers‘, que é «gloriosamente» mais chique e inclui todos os condimentos, para além de «fruta» e de «cafés-com-leite», com os (entretanto já) célebres #jantaresnomuseu – os tais que alguns árbitros confirmam, mas cujos responsáveis máximos pelo sector em causa preferem ignorar e por mais comunicados que emitam a omitir o que a Realidade desmente… adiante.

nessa conversa, que durou o almoço, todo o trajecto de regresso ao local de debate, e os momentos que se seguiram ao encerramento oficial dos trabalhos, as opiniões divergiam. e muito.
dos prós, retive o facto de ser um jogador que poderia entrar na equipa no imediato, pois que havia que suprir a ida de Danilo para Madrid; de ser um jogador conhecedor do nosso comezinho futebol e de todas as suas manhas, rodriguinhos e malabarismos; de se entregar ao jogo como poucos o fazem.
dos contras, os argumentos baseavam-se em ter estado oito anos no eterno rival, logo que não iria “sentir” o nosso manto sagrado de igual forma; de ter proferido declarações menos abonatórias acerca de nós e do nosso sucesso desportivo, apesar de se saber que terá sido (porventura) “obrigado” a prestar-se a esse papel; de ser um afamado de um autêntico caceteiro, para quem a ‘chichinha‘ vai do pescoço até à canela, e que, exactamente por isso mesmo, estaria mais tempo na bancada (por acumulações sucessivas de castigos) do que no terreno de jogo -e, mesmo neste, também estaria pouco tempo, pois previa-se um dilúvio de cartões vermelhos. houve outros considerandos opondo-se à sua contratação, mas versavam (bem) mais a sua componente pessoal e algumas incidências do foro familiar…

nessa altura, o meu julgamento era sumário e apontava objectivamente para toda uma objecção primária à vinda do uruguaio para o “meu” FC Porto. tal como nesses tempos, ainda tenho dificuldade em pensar, sequer escrever!, o seu nome de guerra, tantos foram os anos em que o insultei (literalmente) a altos berros. e, confesso, porque aquele seu nome de guerra e pelo qual é conhecido, remete-me para uma agremiação pela qual actualmente só sinto asco. e nojo. e repulsa. e repugnância. e muita antipatia. adiante.
naqueles tempos, portanto, tudo o que envolvesse a provável estadia do max… Victorio Páez em solo portuense era “certinho e direitinho” que eu me oporia veemente. e, quando a mesma se efectivou e foi tornada publicamente oficial, não me escondi e escrev
aqui tudo o que me ia na alma. e que ainda vai, mas já de uma forma suave. mas, já lá vamos.
eram os tempos em que o meu estado de espírito só
 considerava a contratação do uruguaio pelo convencimento da intrínseca questão desportiva – o tal ter que entrar no imediato e sem recurso a experiências, por não haver, no plantel, uma alternativa igualmente válida (e por mais respeito que tenha, que o tenho!, de facto, por Ricardo Pereira) -, e que, nos instantes de um brevíssimo piscar de olhos, ilusoriamente aquele ser ainda trajava de encOrnado vivo…

mas, como não me canso de o afirmar, o tempo do futebol não é imutável e, tal como Pimenta Machado “profeticamente” o referiu, neste desporto tido por «rei», «o que hoje é verdade, amanhã é mentira»…
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maxi© fotos da curva
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assim sendo, pelo exposto e no seguimento do que a “miss bluebay” escreveu aqui (no “bibó porto, car@go!”) e a Ana aqui (no “portista a cem por cento”) e alguns de vós já o vão manifestando nas caixas de comentários, de alguns dos meus blogues de eleição desse “maravilhoso mundo que é a bluegosfera”®, também eu partilho do que o “velho da constituição” imBictamente escreveu já em Setembro deste ano, e porque não consigo expressar melhor do que ele a forma como, hoje, os meus olhos vêem o  max… Victorio Páez:
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« A condição a que chegou é simples: Maxi sempre jogou de forma viril, feia, caceteira e até provocatória (neste capítulo, dentro e fora de campo). Mas, neste aspecto, nada há a fazer…
O que sempre pensei dele mantenho, com uma agravante: começo a gostar dele pois, para além de representar o nosso clube, começa a perceber – obviamente! – a diferença entre o “mar de rosas encarnadas”, manipuladas geneticamente para não terem “espinhos” e a “terra dos espinhos”, onde preferimos não fazer de conta que temos rosas azuis, precisamente porque é necessário manipulá-las (geneticamente, claro…).
E assim sendo, temos de dar o peito pelo homem, enquanto ele dá com as pernas no campo.
»

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e, se sobre o mesmo jogador, o nosso querido líde
afirmou, aquando da sua contratação, que se trata de «um jogador à Porto» e, mais recentemente (ontem), que «é preciso escolher bem os jogadores que, pelo seu carácter, se adaptem bem à nossa mística, como o Maxi. Ele tem uma entrega total durante os 90 minutos e vive intensamente o clube, como se aqui tivesse nascido», quem sou eu para questionar, pois que não convico com ele tanto tempo como os demais dirigentes, treinadores e colegas de balneário…

e, assim concluo, há um factor, para lá de tudo o que já foi dito, da azia do “papa-hóstias” do bagão (in)félix (aqui, a páginas 02) e do que ainda haverá para afirmar (mas que deixo para ti, na caixa de comentários, ali em baixo:

em todos os jogos que já alinhou, para lá de ter sido (muito) relevante e preponderante nos mesmos, ainda não o vi esconder um sorriso de orelha-a-orelha nos golos marcados pelos seus companheiros, evitar um genuíno festejo, esconder-se de um agradecimento público aos adeptos. de facto, é como se sempre tivesse estado no Estádio do Dragão.

e é por esta razão que, para mim, ele será sempre o Victorio Páez. o seu antigo nome de guerra pertence ao Passado e a oito anos que, estou em crer, serão suplantados pelo tempo que permanecer na Invicta.

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“méééééé!”

(balido paradisse!“)
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13 thoughts on “Victorio Maximiliano Pereira Páez

    1. meu caro,

      estás enganado: não estou a engolir um “sapo” – tanto assim é, que nem costumo ir a Penafiel (nem me recordo da última vez que por lá passei). estou, isso sim!, a deglutir «um mamute», sem parcimónia, mas muito, muito lentamente…
      olha, estou a acabar as trombas do mesmo, a ver se as minhas melhoram 😉

      abr@ço
      Miguel | Tomo III

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  1. Caro Miguel.
    Lendo o teu último paragrafo, e pensando bem com o coração a acompanhar:
    penso que Victorio Páez saiu de uma jaula, onde por muito tempo não pôde ser “ele” genuinamente. E vê-se pelos seu sorrisos |até quando está para lançar um bola na lateral| que, quando ele soube da oportunidade de vir para cá disse |mas é apenas uma opinião minha|: “UFF saí do manicómio”.
    E está a melhorar a cada jogo. E, na partida contra o Maccabi, fez um corte limpo feito pelos grandes defesas.
    Ou seja o FC Porto é um clube também onde, se um jogador vier de um clube sujo esse jogador é “limpo” com toda a eficácia.

    Sempre mais vale um espinho do que mil rosas sem cheiro.

    Abraços.

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  2. Como sabes, e nunca o escondi, percebia-te perfeitamente, mas estava mais inclinado para os prós. Felizmente temos tido o melhor do Victorio. E embora compreenda perfeitamente que possa haver quem o aplauda enquanto aperta o silício (como o meu Tio, que nem consegue abordar este assunto), acho que ficamos a ganhar duplamente. Digamos que foi um “jogador à Porto” que andou enganado durante 8 anos…

    Abraço

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  3. caríssimos,

    muito obrigado! pela vossa visita e pelas vossas gentis palavras!

    no fundamental:
    penso que estamos a ganhar – todos nós – com a aquisição do max… victorio páez. paulatinamente estou a alterar o meu sentimento inicial. sim!, para mim, trata-se de um processo lento… 😀

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    abr@ços a «ambos os cinco» 😀
    Miguel | Tomo III

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