dragão de ouro: ‘drax’

dragoes_ourob© google

caríssima(o),

tal como aconteceu com outros espaços, desse “marabilhoso mundo que é a bluegosfera”®, em que só viria a descobri-los muito para lá da sua data de criação, também o recanto que hoje trago à colação não foge a essa “regra”.
o que (não) “sei” é que surgiu, na bluegosfera, de fininho e muito de mansinho, sem querer levantar “muitas ondas”, num “mar” que, pela sua própria natureza, é extremamente “revolto”. aliás e sobre este (não-)assunto, tenho para mim que será mais por uma questão, não de defeito, antes de feitio, e pelo facto do Portista ser um crónico insatisfeito, estando nos seus genes essa vincada característica. adiante.

como estava a partilhar contigo, descobri esse singular local, menos propenso a tertúlias e mais dado a intimistas comunicações do que lhe trespassa a Alma portista, por mera casualidade (a propósito já não sei bem de quê, confesso-o; mas certamente que foi em relação ao nosso Amor comum), num final de manhã, de um dia em pleno Agosto, deste ano da graça de 2015.
e, desde aquele momento, fidelizei a minha paixão pela particularidade única do seu excepcional recanto. e, como também por lá cheguei a afirmar, tal e qual como me aconteceu com “a tasca do Silva“, cada visita surpreendia-me mais e mais. e sempre pela positiva, car@go!, incendiando em mim, uma ânsia sôfrega pelo seu próximo escrito, num espaço pleno de trabalho e de imensa dedicação ‘pro bono‘, mas com uma tremenda Qualidade na arte de (bem) escrever e de se conseguir captar a atenção do leitor até ao fim da(s) prosa(s).

e, se dúvidas houver sobre o que atrás refiro e (re)afirmo publicamente, as linhas que se seguirão – e que são muito diferentes das da #porta18, como se sabe -, confirmam que estamos na presença de alguém com esse ‘plus‘, capaz de transformar (mais) uma entrevista em algo que suplanta o enfadonho do seu próprio termo, pelo imenso “sumo” que dela se pode “beber”, numa essência de portismo única e que muito aprecio – e à semelhança da que foi conseguida com o “imBicto Belho da Constituição“.
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assim sendo e sem mais delongas, na rubrica binte perguntas a… os dragões de ouro deste espaço de discussão pública , o ilustre convidado deste mês de Novembro é o caríssimo drax, legítimo proprietário de um local muito próprio e ‘sui generis‘, nesse “maravilhoso mundo que é a bluegosfera”® e que dá pelo nome “do calcanhar à trivela.
faço votos sinceros para que também desfrutes desta minha alegria em poder partilhar contigo alguns dos seus pensamentos sobre o nosso quotidiano azul-e-branco e que, tal como eu, te deixes surpreender com alguns dos factos contidos na entrevista que se segue – a qual foi realizada no passado mês de Outubro e que, por motivos exclusivamente atribuíveis à minha pessoa, só hoje pôde ver a luz do dia (salvo seja!).
é já a seguir a este (brevíssimo) intróito, na segunda parte desta posta de pescada“®.
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por último e se mo permites, pois que este extenso intróito já vai (demasiado) longo, quero realçar duas notas importantes:

i)

com estas entrevistas, pretendo dar a conhecer o pensamento, o “sentir”, a “alma”, e a opinião sobre temáticas daquele quotidiano, não só de alguns dos administradores de sítios que, (não só) para mim, são muito emblemáticos na bluegosfera em suma, “Aqueles” espaços de tertúlia azul-e-branca que me são queridos, que visito regularmente e onde (por vezes) mando uns bitaites , mas também e sobretudo, homenagear a fiel lealdade dos visitantes regulares do (agora) Tomo III, e a sua enorme paciência em lerem os meus testament… estes textos consideravelmente loooongooos e que ultrapassam (e muito!) os 1400 caracteres (por parágrafo, claro!)…
assim e mais do que um capricho meu ou algo do género, sucintamente trata-se de uma categoria feita por portistas, sobre portismo e dedicada a todos os portistas, pois que, como alguém um dia afirmou e eu subscrevo, «todos somos poucos nesta luta desigual». quem pensa o contrário, engana-se redondamente, e na exacta proporção de quem desconsidera a genialidade patente e (mais do que) evidente na beleza intrínseca do nosso segundo golo, ante o Vitória Futebol Clube (ou Setúbal, para os amigos).

2)

infelizmente, para todos nós, o espaço de discussão que hoje destaco está numa… “pausa para introspecção” (chamemos-lhe assim…), e por tempo indeterminado, até decisão contrária do seu administrador.
e, porque não é mentira nenhuma:

G.,
para lá do meu enormíssimo muito obrigado! por, num momento tão “particular” para ti e para os teus, teres aceite participar nesta brincadeira (um pouco séria) e em aceder responder, com um gosto demasiado eBidente, a uma entrevista que revela publicamente muito do teu portismo, quero manifestar publicamente todo o meu apreço por alguém que, apesar de ainda não conhecer pessoalmente (ainda…), nutro um sentimento de muita admiração e de muita estima – e tu sabes que assim é!  😉
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perdoa-me esta inusitada (in)confidência, mas, com o registo público desta entrevista, e com a esperança de que tudo se resolva pelo melhor, também faço votos sinceros para que o teu regresso a este mundo esteja para breve. aliás: torço para que seja já Amanhã. e que to tenha conseguido espicaçãr (reavivar?), nem que tenha sido só por um milésimo de segundo. já foi bom e valeu bem a pena o tempo despendido
. :D
(e, mais uma vez, desculpa-me a demora na sua publicação)
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abr@ço forte!
Miguel | Tomo III

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calctriv© drax

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binte perguntas a… “drax

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I. dados biográficos (gerais)

nome: G. | ‘drax

data de nascimento (mês, ano): Maio de 1987 [!!!]

signo do Zoodíaco: gémeos

naturalidade (concelho, distrito): Lisboa, (Lisboa)

residência (concelho, distrito): Loures, Lisboa

área de actividade profissional: analista de mercados financeiros

estado civil: quase casado

nr. de rebentos: zero (que eu saiba)
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II. entrevista

1. primeira “entrada a pés juntos”:
o que é para ti ser portista, o que é «
#SerPorto»© – para utilizar uma expressão tão em voga?
Como se define a essência do Infinito ou a matriz da Estética? Impossível! Não há uma resposta única e que seja, ela própria, suficientemente satisfatória e Universal.
#SerPorto tem uma amplitude semelhante, mas interior. É um lugar pessoal, onde a lei da racionalidade não entra. #SerPorto emerge dentro de cada um de nós e é indissociável do investimento emocional que um portista aplica no Clube, assumindo a forma daquilo que o FC Porto representa para nós.
Por isso, para mim, não existe uma equação que determine o grau ideal do verdadeiro portismo: cada um “é Porto” à sua maneira, e cada maneira é tão digna, fiel e natural como a outra. 
Existe quem seja “Porto” pelo futebol, quem seja “Porto” pelas modalidades, quem seja “Porto” pelos valores, quem seja “Porto” pelo Norte, quem seja “Porto” pelo brasão, quem seja “Porto” pela filosofia do Clube, quem seja “Porto” porque sim!, e quem seja “Porto” por tudo o que foi mencionado anteriormente… Todas elas são razões válidas e intrínsecas às nossas convicções pessoais. Excepto o #SerPorto tão-somente pelas vitórias: isso não é #SerPorto; isso é ser do FC Porto.

Há um pensamento popular, mais ou menos recorrente, que guardo sempre no bolso: “Não se pode ter o melhor de dois mundos”.
Uma lição que a Existência se encarrega de nos ensinar paulatinamente, nas várias etapas da nossa vida. No fundo, é uma outra forma de dizer que não é possível alcançar a Perfeição. É quase, quase axiomático.
#SerPorto é afrontar essa realidade. É reclamar ambição com a dose certa de arrogância. É ter mais prazer em suar do que alcançar o topo da montanha. É mostrar orgulho na vitória e brio na derrota. É ostentar raça, garra, perseverança e espírito de conquista numa personalidade colectiva ímpar, sem igual no resto do país. É desfrutar da satisfação com o que temos e da insatisfação pelo que ainda almejamos, por esse “mais” que queremos vir a ter. É saber que este Amor é incondicional, mesmo não sendo sempre recíproco. É poder unir os amigos e a família num grito comum. #SerPorto é conseguir juntar o melhor de vários mundos.

Para mim, #SerPorto é quebrar todas as convenções prévias e ir mais além, como o Homem que explora o Espaço ou o pintor que procura a cor divina.
No fundo, #SerPorto é uma outra forma de dizer que é possível alcançar a Perfeição. Mesmo que ela seja íntima e tão somente nossa.
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02. e, porque não resides na ImBicta, pergunto-te tendo por base um cliché: como é ser-se portista em Lisboa? em que é que se traduz essa diferença para ti? dá exemplos.
e, já agora, qual a estória mais curiosa e/ou divertida e/ou sui generis que guardas para o ilustrar convenientemente, e que ilustra essa «diferença»?
Ser portista em Lisboa nunca foi fácil. Mas devo dizer que, nos dias que correm, a realidade é completamente diferente da de há alguns anos atrás.
R
ecordo a minha infância/pré-adolescência, entre a década de 90 e a viragem do século. A presença manifestada do FC Porto em Lisboa era curta. A fatia de distribuição dos adeptos por clube assemelhava-se a uma ‘pie chart‘ da sondagens das legislativas, onde os partidos do arco da governação equivaliam a benfica e sporting, ao passo que o FC Porto era uma espécie de BE – pequeníssimo e numa ascensão muito gradual.

Havia duas formas de seres portista: ou vivias essa paixão discretamente e evitavas todos os imbróglios inerentes à diferença; ou fazias como eu e ostentavas orgulhosamente o teu portismo, correndo o risco de andar sempre metido em sarilhos relacionais.
Pessoalmente tive episódios complicados… Sobretudo na interacção com pessoas mais velhas, que ‘a priori‘ deveriam ser as mais racionais nesta delicada questão do clubismo. Mas não eram…

As pessoas, no geral, têm sempre um comentário depreciativo quando descobrem que não és do clube delas. Isso já é quase uma norma social e, na verdade, até aceito a brincadeira… Afinal, eu é que era o “Englishman in New York“… Contudo, o que me exasperava era a mudança de atitude de alguns indivíduos por eu assumir o meu portismo:
Um taxista chegou a querer recusar levar-me para casa porque levava um cachecol do FC Porto na mão.
Em pequeno, estava eu a brincar, na esplanada do café do bairro onde morava, com uma bola de basket do FCP, quando um vizinho meu, que mais do que benfiquista era anti-portista primário, disse aos meus pais que «ter um filho do FC Porto era como ter um filho na droga». O meu pai deu-lhe uma cabeçada. Assim, sem mais!
(Devo acrescentar que os meus pais são grandes sportinguistas. E são também os melhores pais do mundo. Nunca me impuseram o que quer que fosse porque, mais do que adeptos do sporting são, acima de tudo, adeptos dos valores de Abril, da Liberdade e do Livre Arbítrio.)

Felizmente que, hoje, os tempos são outros. E que mudaram. Bastante.
O FC Porto cresceu muito para lá das fronteiras do Norte do país – em grande parte devido aos êxitos que logrou atingir, que funcionaram como fonte de ignição que acendeu o “combustível portista” que já militava em vários jovens nascidos na capital. Hoje em dia, o
bserva-se muito mais FC Porto na rua, sobretudo nos mais novos e nos imigrantes – aliás, um fenómeno curioso e que confere uma imagem da nossa reputação internacional.
Diria que a grande diferença entre o Antes e o Agora reside no facto de já não me sentir “uma ilha isolada no oceano”. Até aos meus 13/14 anos conheci muito poucos portistas, a não ser uns quantos que pertenciam a famílias portuenses radicadas em Lisboa; a partir dos 15 percebi que a ilha se estava a transformar num arquipélago. E de dimensão bastante significativa.
Hoje é muito mais frequente não seres o único a cerrares o punho com um golo FC Porto, num qualquer tasco perdido no meio de Lisboa. E isso é reconfortante. Muito reconfortante.
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03. decorrente das perguntas anteriores: achas que a expansão territorial do Clube, para lá das muralhas do Grande Porto, numa aventura que já extravasa as próprias fronteiras deste “rectângulo à beira-mar (im)plantado”®, é perniciosa para a sua força e resiliência, ou antes pelo contrário?
justifica a tua resposta.
Não há expansão geográfica sem desvantagens. Os romanos, os otomanos, os russos e até os portugueses que o digam…
Tendo-se tornado numa indústria de milhões, o Futebol globalizou-se com naturalidade e os clubes modernos estão forçados a alinhar nessa tendência para manter a competitividade.

Sou sincero: o romantismo, no dirigismo do futebol, já faleceu faz tempo, e se é que alguma vez existiu. Por isso, a transformação gradual e estrutural (e aqui sublinho a palavra estrutural) de um clube numa instituição com um pensamento mais corporativo não me choca.
Os grandes emblemas europeus têm hoje milhares de milhões de euros para gerir dentro de um negócio cada vez mais complexo. Isso “pede” uma administração cautelosa, racional e profissional do património e, nesse sentido, sou apologista dessa transição. Por exemplo: não podemos exigir vendas milionárias e uma prospecção eficaz, se não existir um modelo de gestão organizado e altamente especializado.
Mais por mais, a expansão internacional da marca “FC Porto” é um aspecto vantajoso para o Clube, que não só aumenta a visibilidade comercial do dragão além-fronteiras – repare-se que poderemos estar à beira de garantir o nosso primeiro patrocínio principal no mercado internacional em 122 anos de história -, como também atrai “matéria-prima” de craveira e de qualidade, com jogadores que desejam adicionar o FC Porto ao seu curriculum, precisamente porque passar pelo FC Porto faz bom currículo.

O que temo é a rapidez com que essa mudança se está a processar.
No espaço de apenas 15 anos passámos de clubes geridos como tal a Sociedades Anónimas, cotadas em bolsa e expostas ao risco do financiamento privado e, claro, do oportunismo pessoal. 
Assusta-me que essa velocidade, na alteração de paradigma, já leve uma inércia tal que, quando quisermos travá-la, seja impossível evitar o desequilíbrio no binómio clube/empresa e o FC Porto passe a ser dirigido mais como a segunda do como o primeiro.
Não me interpretem mal: para mim, é fundamental manter os pratos da balança nivelados no que respeita ao conceito administrativo de um clube porque e ao contrário de uma empresa, um emblema desportivo (ainda) assenta na defesa dos seus valores e da sua filosofia – alicerces que são indeléveis e imutáveis. para mim, é imperativo não abandonar essa matriz. Mas é igualmente essencial crescer. Sobretudo lá fora. Mais até lá fora, do que cá dentro, onde a bigorna do centralismo anda é maciça.
No equilíbrio daqueles dois pratos e destas duas vontades, é que residem o Saber e a Inteligência de quem gere o rumo empresarial do Clube.
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04. segunda “entrada a pés juntos”:
achas mesmo que o nosso clube é «regional» e nesse sentido tão depreciativo e pejorativo, com que foi proferido pelo actual sacristão no Estabelecimento Prisional da Carregueira? desenvolve os teus considerandos, sff.
A melhor resposta que li, até hoje, a esta pergunta, foi dada pelo “Velho da Constituição”, na edição anterior desta rubrica, e encerra tudo aquilo que penso sobre a temática. Convido o leitor a revisitá-la aqui.

Uma das características que demarca o FC Porto “do resto” é exactamente esse seu ADN «regional» e que lhe corre no âmago.
Porque a neo-alma desta insígnia – ou mais concretamente: esse espírito aguerrido que envolve o #SerPorto -, nasce da resiliência portista contra o recorrente ultraje e despeito centralista, e também para contrariar a respectiva máquina de propaganda encarnada, arquitectada desde tempos ancestrais – máquina de propaganda essa que mais não é do que o principal alimento da força de transcendência do universo azul-e-branco. Trata-se de uma luta que emula, de certa forma, o estoicismo do povo portuense durante famoso Cerco do Porto, no séc. XIX e que vale à cidade o título de «Invicta». Nada é por acaso.

Sim, o FC Porto tem traços regionais que orgulham desmesuradamente este alfacinha adoptado que vos escreve. E espero que essa característica nunca se dilua nos trilhos da evolução genética do clube.
É evidente que novel “papa-hóstias vermelho”, vulgo Vale Tudo, usou outro referencial para salientar o regionalismo do FC Porto: o da dimensão. Na altura, para o seu clube, o “tamanho” era um dos últimos estandartes que ainda sobravam de um presente decadente. Mas, se há algo que adoro no FC Porto, é precisamente o não ser o clube das massas… Não ter o mesmo reconhecimento superficial, mas ter um culto de respeito muito mais transversal. Não ter tido as mesmas oportunidades, mas ter obtido ainda mais êxitos. Não ter sido rebocado para o pedestal, mas ter trepado sozinho para lá chegar. O que a outros foi cedido, por nós foi conquistado. Enquanto uns trabalham para ser maiores, nós trabalhamos para sermos os melhores.

O FC Porto conquistou toda a sua dimensão e estatuto por direito próprio, e não por decreto de outrém -e nada poderá deixar um portista mais enlevado do que isto. E, mesmo tendo o clube uma génese regional, muitos como eu, por este país fora, sentiram-se invadidos por esse sentimento de pertença. E ainda se sentem!
Eu quero fazer parte desta história e não de outra, porque os outros não podem evitar ser quem são, tal como eu também não!
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05. e, no teu entendimento, consideras que a «mística» do nosso clube do coração ainda existe ou, pelo contrário, está a ser substituída subtilmente pelas “pipocas” e pelos adeptos do «FC Festas»?
desenvolve a tua resposta, por favor. os “testamentos” são a imagem de marca deste espaço de discussão.  🙂
A mística existirá sempre. Em maior ou menor grau, estará presente enquanto o símbolo do clube se mantiver de pé. Afinal, é ela que nos movimenta, que faz com que o FC Porto mantenha a faceta recreativa viva e de boa saúde. Ao mesmo tempo, somos nós que a cultivamos, com a devoção que investimos no emblema. No dia em que a mística se extinguir, deixará de fazer sentido falar do FC Porto enquanto clube.

O “problema” é que uma parte dos novos simpatizantes do FC Porto são apenas isso mesmo: simpatizantes. Confundem os conceitos de mística e sucesso, alimentando-se de outro culto: o da vitória.
Isto é: para eles, interessa sobretudo festejar, engavetando o sofrimento. Ver futebol-espectáculo (com muita nota artística) e não um espectáculo de futebol. Assim e enquanto a equipa atravessa o tenebroso breu das trevas, afastam-se, como se nunca tivessem existido, prometendo voltar com a Bonança. São os tais «’Glory Hunters‘» que o Velho da Constituição mencionou e que representam uma parte das “dores de crescimento” do clube…

“Quem quiser Ópera que vá ao São Carlos”.
A frase é do Mestre, Aquele que todos recordam e ninguém esquece. Dei por mim a limpar-lhe o pó, em Fevereiro do ano passado, quando tive o privilégio de ir a Camp Nou, ver o Barcelona jogar no seu teatro dos sonhos.
Foi um Barça vs. Rayo Vallecano, a contar para o campeonato, com os catalães a atravessarem a fase de convalescença pós-Pep, tão própria de quem passa de Porsche para Tata (‘pun intended‘). Ainda assim, o Barcelona venceu essa partida por 6-0, naquela que foi considerada a melhor exibição da época da equipa, até então.
Não tenho particular afinidade pelo Barcelona. Em Espanha, o que me move é o Athletic (não confundir com o patético de Madrid, ou Atlético)… Mas confesso que, nesse dia, estava a deixar-me embalar pelo ambiente do ‘pré-match‘: era a primeira vez que pisava aquele recinto magnânimo e isso não me era indiferente. Um entusiasmo efémero, que se desvaneceu assim que se iniciou a partida.
Fiquei na curva de uma das claques dos culés. Acreditei que ia sentir o pulsar do barcelonismo naquele jogo. Enganei-me. À minha volta, proliferavam os adeptos da pizza e da pipoca – daqueles que entram aos 25 minutos de jogo, de ‘dunch‘ na mão e que demoram mais tempo a acomodar-se do que uma noiva a arranjar-se para o casamento. Os mesmos que celebram golos da equipa batendo palmas com dois dedos nas costas da mão, como se estivessem a aplaudir o final do primeiro acto de “La Traviata”, de Verdi…
Aquilo decepcionou-me profundamente. Tudo muito calmo e conspícuo. Aberrante. Aí percebi o quanto estes novos apoiantes podem tomar de assalto um clube. Preocupante. Muito preocupante.

Regressando ao Dragão.
Não creio que o FC Porto se tenha transfigurado totalmente num «FC Festas». A ideia que tenho é que, uma boa fatia dos portistas que vão ao estádio, acompanharam, se não toda, pelo menos uma “boa parte” (‘no pun intended‘) da longa travessia de 19 anos no deserto… São esses portistas que têm a pele suficientemente calejada para resistir às avalanches destes caçadores de glórias e contrariar essa maré, mantendo a mística acesa nas bancadas. Este novo modelo de adepto é um sintoma que deveremos ter em linha de conta, mas que infelizmente não podemos evitar.
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06. ainda te lembras da primeira vez que entraste num estádio de futebol?
e já agora: qual foi o estádio, quando foi (basta o ano), que equipas jogaram e qual o resultado final?
A primeira vez que inspirei o perfume do futebol e ao vivo, foi em 1994, na final da Taça de Portugal entre FC Porto vs. sporting. O Jamor era, então, um monumento do futebol nacional, longe do vulto empalidecido que é hoje.
O jogo teve pouca história e terminou com um insonso empate a zero. O FC Porto acabaria por vencer a finalíssima, quatro dias depois [onde eu marquei presença, para nunca mais!].

Lembro-me de pouca coisa… “Memórias antigas são como folhas de Outono”: delicadas, quebradiças, facilmente perecíveis.
Mas guardo o Essencial: fui à bola com o meu pai. Pai lagarto, filho tripeiro. A rivalidade a abraçar a simbiose familiar. Um quadro bonito de dois inseparáveis, momentaneamente divididos pela cor.
Levei uma bandeira do FC Porto que o meu pai me comprou no dia, mas à entrada pediram-me o pau. Da bandeira, saliente-se. Resignado, entreguei o mastro ao ‘steward‘ e sobrou-me como que uma espécie de galhardete de poliéster, que passei o jogo todo a sacudir. O meu pai levava um cachecol do Balakov, esse leopardo búlgaro com um recorte técnico mais fino do que uma imperial, no Porto. Gostava de o ter visto por cá.

Foi o primeiro contacto que tive com o Futebol: com as queijadas, com os ‘nougats‘, com a onda humana, com a brincadeira de colocar o estádio a tremer com os pés, com a fumarada das tochas, com o aroma a nervo e a relva molhada, com o celebérrimo “bruá”, que é transversal a qualquer canto do planeta… Futebol puro.

Infelizmente não tornei a ver um clássico, no estádio, com o meu pai.
O homicídio de Rui Mendes, dois anos depois, em 1996, feriu de forma irreversível o futebol português. Compreensivelmente o meu progenitor nunca mais quis regressar a um recinto desportivo com o seu filho… Nessa fatídica tarde do “very light” morreu, em parte, o futebol em família.
Só voltaria a pisar uma bancada largos anos depois, já em 1999, para ver o FC Porto ao pé de casa, em Alverca, contra o recreativo ribatejano de LFV, o qual detinha, nas suas fileiras, um acabado Kulkov, o “nosso” Zé António, o cabrão do Veríssimo (um sarrafeiro, que dava mais pau do que a floresta amazónica), Ovchinnikov, Nuno Assis e um puto, com jeito, para a bola chamado Mantorras.

Jogámos essa partida com aquele equipamento alternativo, (bastante) prateado e que nos fazia parecer 11 ‘Tin-Men‘ desengonçados, a correr em campo [ndr: tenho um equipamento desses. oficial e tudo…].
Empatámos a um. Saí de lá pior que estragado.
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07. e, se tiveste esse privilégio, qual a tua primeira recordação – a mais imediata – de “sentires o pulsar da turbe” no saudoso Estádio das Antas, de “estares” nas Antas? justifica a resposta.
Com muita pena minha, nunca tive o privilégio de entrar nesse baluarte do portismo, que foram as Antas. Por falta de graveto e não de vontade ou companhia… As minhas únicas notas, nesse tempo, eram as da pauta escolar… Quando adquiri a minha independência financeira, já a nossa nova morada era o Dragão.

Posso, contudo, narrar a minha primeira experiência no novo estádio, se me permitires a infracção à pergunta.
Pisei o Dragão, pela primeira vez, a 28 de Outubro de 2006, num clássico entre FC Porto e benfica – aquele, o “do” Bruno Moraes. Acho que é suficiente para identificar… Mas, para os mais esquecidos, aquele onde Quaresma desatou a brincar com a gravidade de Newton e espetou dois arcos com uma curvatura maior do que a minha barriga, aos domingos à tarde.
Acompanhei os SuperDragões da Margem Sul, nesse jogo. Foram a minha boleia e a minha porta de entrada no estádio. Considero-me um admirador das claques, assim como do suor e da dedicação que elas empregam no apoio aos nossos jogadores.
Estava tão deslumbrado e pequenino, que mal vi o jogo em si – fosse pelas bandeiras que esvoaçavam à minha frente, fosse porque fazia parte da missão colectiva de empurrar o nosso FC Porto para a baliza de Quim, fosse porque estava a admirar cada pedaço daquela construção majestosa e singular.
Lembro-me de um senhor, ao meu lado e que também veio connosco da Margem Sul, começar a chorar no golo do Bruno. A história é simples: o senhor era transmontano e estava radicado em Lisboa há 38 anos. Não via o FC Porto no estádio há precisamente quatro décadas. O neto deu-lhe esse presente e levou-o consigo naquele dia. Eu podia dizer que exuberava com aquilo, mas senti-me pequenino ao lado daquele portismo ciclópico. Enorme.

Depois disso, continuei a acompanhar a claque ao Dragão em mais alguns jogos, muito esporadicamente, mas nenhum deles em clássicos – não por opção, mas por mero acaso. Em 2010, comecei a ir algumas vezes sozinho ou com um primo meu, também ele portista em Lisboa (“evangelizei-o” bem).
Mais do que esse pulsar da turbe, acho que, para um lisboeta, toda a viagem é uma jornada inesquecível. Porque o aroma da cidade, o calor do povo, a envolvência, são factores que experimentamos de forma tão isolada, que os aproveitamos em cada momento que temos.
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08. uma pergunta que se impõe (e que será recorrente nesta rubrica):
concordaste com a demolição do Estádio das Antas? porquê?
Tendo em conta que não sou portuense e conheço tão bem o território da ImBicta como o Vítor Pereira conhece os regulamentos da Liga, não me sinto a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto…
Contudo e indo um pouco ao encontro do que disse o “Velho da Constituição” na anterior entrevista, o Tempo e o Mundo não páram. Quando avançam, é para a frente. E o FC Porto é um clube tradicionalmente progressista, sem medo de caminhar em direcção ao Futuro.
Entendo que a sua demolição tenha causado algum incómodo a quem respira o Passado, sobretudo porque o Estádio das Antas era, na altura, o maior património do Clube. As pessoas tendem a valorizar muito mais o que se consegue com muito esforço e com extremo sacrifício.
O Estádio das Antas não foi uma empreitada única e tranquila. Foi-se fazendo, foi-se compondo. Foi sempre um ‘work in progress‘ que atravessou imensas barreiras burocráticas e financeiras. E qualquer portista que conheça a história de construção do mítico Estádio, duplica-lhe o valor sentimental por isso. É um pouco como a casa que decoramos a espaços e dentro das nossas possibilidades – esse elán que o novo recinto não tem.
O Estádio do Dragão é menos tradicional e mais corporativista. Mas, como já se disse aqui, o futebol também mudou. E nós teríamos eventualmente de acompanhar esse progresso.

Da parte que me toca, e não querendo alongar-me muito mais no assunto para não ferir susceptibilidades, julgo que foi a opção certa. Até para a cidade.
Mais: folgo muito em saber que estamos prestes a concluir o pagamento da nossa nova casa e que poderemos dormir descansados em relação a isso – pese embora uma grande parte do activo tenha passado para a SAD, devido ao ‘fair-play‘ financeiro imposto pela UEFA. Estou seguro de que nunca ficaremos sem tecto.
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09. à data [Outubro de 2015], qual foi o melhor desafio de futebol que assististe “ao vivo e a cores” e que nunca esquecerás? porquê?
(não contam para esta estatística as partidas televisionadas, ok?)

7-11-2010.
Sim!, eu estive lá, no maior atropelamento ao grande rival de que há memória. Mais do que o “cinca zero” em si, tudo naquele jogo foi inesquecível: o ambiente, os nervos, a bonança depois da tempestade, o convívio depois da vitória estrondosa, o dia seguinte. Tudo!
Vamos por partes: eu andava a castigar as minhas úlceras, cheio de nervos na semana que antecedeu essa partida. O benfica tinha tido uma entrada meio que combalida na Liga, tendo perdido a Supertaça para nós, e dois ou três jogos, nas primeiras jornadas. Mas era o benfica “de Jesus” pós-2009/2010: um benfica muito mais forte do que os seus predecessores e que havia ganho o título (há que dizê-lo) com qualidade, mesmo que entre túneis e macacadas na Comissão de Disciplina da Liga (do “justiceiro” Ricardo) à mistura…
Já o nosso FC Porto estava em transição: vinha de uma entrada exemplar no campeonato, mas a escorregadela em Guimarães fez soar alguns alarmes. Villas-Boas ainda era uma incógnita e, na memória ainda não muito distante, nesse tempo, estavam as exibições no Torneio de Paris, onde não demos uma para a caixa… No fundo, transbordavam os motivos para um gajo apanhar uma pilha de nervos a semana toda. A nomeação do «querido» Pedro Proença para o clássico também não ajudou.
Aquele jogo era de importância ímpar. Ainda hoje penso nisso. Se saíssemos da jornada 10 com apenas 4 pontos (e não 10) de vantagem para o benfica, talvez o FC Porto tremesse mais à frente. Se não fôssemos tão categóricos e imperativos, na forma como o dissemos na cara do adversário directo, ao estilo “este ano até vos comemos!”, o desfecho daquela época poderia ter sido outro. Até porque, recordo-o bem, o benfica manteve-se no nosso encalce durante jornadas a fio, até perder em Braga.

Não vamos branquear os factos: Villas-Boas é um grande treinador, mas é sobretudo um psicólogo de excelência. Mexe com o âmago emocional dos jogadores. E o “seu” FC Porto de 2010/2011 viveu, em parte, desse combustível anímico que ele infundia nos jogadores.
No dia da “mão de ouro”, como lhe chamo, vi onze jogadores – Belluschi incluído -, a correrem como se não houvesse Amanhã. Como se um clamoroso 3-0, ainda na primeira parte, fosse insuficiente para passar a mensagem. Como se o importante não fosse ganhar, mas aniquilar. E nesse dia percebi que a época nos ia sorrir, como viria a acontecer.
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10. se tivesses poder na estrutura do nosso clube do coração, o que farias para internacionalizar (ainda mais) a marca “Futebol Clube do Porto”?
refere (um máximo de) três exemplos (práticos, exequíveis, exemplares) e em que os três b’s se apliquem (bom, barato e bantajoso), por favor.
A internacionalização da marca FC Porto é um desafio que o Clube foi obrigado a herdar devido à realidade a que é submetido dentro do seu próprio país. Vou dizer algo que pode soar mal, mas que penso que seja verdade: Portugal (ainda) é benfica. Os bandarilheiros usam esta frase para descrever a sua dimensão; já eu utilizo-a como atestado de essa infeliz realidade.
O benfiquismo deturpado e doentio ainda está muito vincado entre nós, quer na população, quer nos me(r)dia
Não há nada que possamos fazer em relação a isso, senão esperar e continuar a ganhar. O rácio vai eventualmente inverter e as linhas do «manto protector» vão começando a definhar, à medida que as novas gerações se apercebem do ‘kraken‘ (também aqui) instalado na mentalidade portuguesa há mais de meio século.

A efectiva internacionalização da nossa marca será como que o despertar deste Matrix encarnado; mas, enquanto isso não acontece, o FC Porto tem sempre dois caminhos: ou (i) procura expandir-se internamente, algo que não deixa de tentar fazer, mas no qual só não aposta cegamente, porque isso implicaria um desgaste brutal da blindagem (desse revestimento tão fundamental para a conquista de títulos); ou (ii) tenta ir além fronteiras e procurar cativar o portismo lá fora, fazendo do FC Porto um clube maior do que Portugal ou até do mundo lusófono. Ora, esta aposta já está a ser feita, nomeadamente nas Américas (sobretudo a Latina e a Central), mas é extremamente dispendiosa e não é uma ciência exacta, uma vez nem sempre dá o retorno pretendido…

Posto isto, em primeiro lugar julgo que seria importante que o FC Porto optimizasse melhor os seus recursos, dispersos no planeta. Por exemplo: no Brasil, existe uma série de emblemas com parceria com o FC Porto, alguns dos quais utilizam mesmo o símbolo do clube de uma forma que me parece tudo menos autorizada… Na verdade e que eu saiba, esse tipo de clubes nunca trouxeram mais-valias conhecidas aos Dragão. Por isso, para mim seria importante reforçar o peso da marca FC Porto no Brasil e centralizar esses recursos avançando com um projecto sólido, homogéneo e dinâmico no Brasil (para lá da mera compra de jogadores) – um país onde é cada vez mais difícil comprar bom e barato, mas onde o talento continua a proliferar. Para além disso, sendo uma economia emergente – ainda que em contracção, este ano – dispõe de um potencial mercado de ‘Merchandising‘ ene vezes superior ao nosso. Portanto e se “cultivamos” portistas colombianos, podemos fazer o mesmo no Brasil. assim sendo, para quando a abertura de uma escola Dragon Force (ou mais do que uma) no Brasil?

Em segundo lugar, sempre tive a esperança numa proposta a que o FC Porto começou a responder recentemente: a promoção dos nossos equipamentos lá fora. É claro que ter Casillas no plantel ajuda (e muito!), devido á sua projecção mundial, mas foi a escolha do FC Porto na “NewBalance” (antiga “Warrior“) e da aposta arrojada “NewBalance” no castanho chocolate, que catapultou a indumentária portista para o mediatismo estrangeiro. E esse reconhecimento já começa a ter repercussões: o jornal britânico não-tablóide “The Telegraph” já reparou; os tipos do “Copa90” também.
Umas das principais fontes de receitas dos “tubarões” europeus ao nível de ‘Merchandising‘ é precisamente nos artigos vendidos no estrangeiro. Não sei se existe uma Loja Azul em Madrid, mas tenho a certeza de que não existe uma Barcelona, por exemplo – uma região onde os adeptos se identificam com o FC Porto, devido às características e ao contexto situacional, dos dois clubes, nos respectivos países. Costumamos dizer que o Barcelona é “o FC Porto de Espanha”. Pois, na Catalunha, já ouvi precisamente o inverso: que o FC Porto é “o Barcelona de Portugal”. Dito por um culé é um grande elogio, deixem-me que vos diga.

Por fim, em terceiro lugar, o Clube deveria conciliar futebol com solidariedade nas economias menos desenvolvidas e tentar fornecer material escolar e desportivo, em determinados pontos mais carenciados do globo – por exemplo, nos PALOP.
A ideia do “um euro por cada migrante” foi fantástica, mas tem de ter prolongamento. Pondo as coisas um pouco mais a frio: um clube que invista na relação emocional com as pessoas só tem a beneficiar com isso. Primeiro no nome, mais tarde, na marca. E criar programas de apoio a jovens em situações complicadas ou organizar eventos a favor dos mesmos, é uma das formas de crescer neste novo mundo.
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11. esta pergunta também será recorrente nesta rubrica, pela sua pertinência.
tendo em consideração os climas eleitorais nos clubes (ditos) «grandes», lá para os lados da Segunda Circular, e tendo presente todas as “peripécias” em torno das últimas eleições presidenciais para o spórtém e para o 5lb, pergunto-te:
temes que o mesmo possa acontecer quando Pinto da Costa abdicar de concorrer à presidência do nosso clube? porquê? sustenta a tua resposta com três razões/factores principais.
Admito que sim [que possa acontecer o mesmo].

A meu ver, há duas problemáticas aqui:

1)
O FC Porto é um gigante apetecível, onde qualquer gestor quer “meter a mão”. Isso é tão válido para o mais dedicado dos adeptos, como para o mais execrável dos oportunistas;

2)
Pinto da Costa é uma das figuras incontornáveis do Clube, ponto.
Logo, assumindo que o FC Porto mantém este modelo presidencial, o sucessor de Pinto da Costa vai inevitavelmente querer – e, terá de certa forma, essa pressão aos ombros – ser uma espécie de “Pinto da Costa II”. Não no ‘modus operandi‘, mas no peso que o actual Presidente tem na História e na filosofia do Clube.
Esta condicionante poderá levar alguém a querer fazer uma gestão que não quer, só porque a fórmula resultou antes. Mas, como qualquer outro elemento deste Universo, tudo tem um princípio, um meio e um fim…

Assim, o que me preocupa fundamentalmente será o capítulo seguinte.
A aura de Pinto da Costa é de tal maneira magnânima que se confunde com o próprio FC Porto. Portanto, t
emo, em primeiro lugar, que a sua saída possa já estar a ser conspirada internamente. Não o faço com base nos rumores que se lêem por aí – sobre a existência de duas facções antagónicas dentro do clube -, porquanto não fundamento as minhas respostas em rumores. Faço-o, porque isso é uma prática recorrente, que sucede em qualquer instituição ou empresa, e até nação.
Temo, em segundo lugar, o ‘takeover‘, e de uma forma hostil. Se há coisa que não quero, é ver o meu clube transformado no brinquedo pessoal de um Al-Habdi ou Shekarnikov desta vida! E mesmo que isso signifique aspirar a voos já não tão altos assim… Não quero mesmo!, e esse cenário apavora-me.
Temo, em terceiro lugar, a pressão que os me(r)dia vão fazer no dia em que Pinto da Costa sair. O FC Porto vai ser “esfolado vivo”; vai, ao seu próprio funeral, para aí umas 40 vezes (pelo menos); vai ser dilacerado com campanhas de derrotismo e de “fins de ciclo/hegemonia”. E isso, só numa primeira fase… A segunda será a transformação de todo esse bolo numa gigantesca bola de pressão maciça sobre o próximo Presidente. Temo-o porque, quem vier a seguir, terá de ter um estômago de ferro para enfrentar as toneladas de m£rd@ que terá de engolir da comunicação social lusa. E isso não abunda, nem entre os grandes homens.
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12. esta também será recorrente, por motivos óbvios:
Paulo Pereira Cristóvão. #Cardinalcircus. dois mil euros. ex-vice-presidente do spórtém. «corrupção». «constituído arguido por sete crimes». «detido por suspeitas de envolvimento numa rede que se dedicava ao assalto de residências [sendo o seu] responsável pela sinalização de potenciais vítimas dos roubos.».
consegues estabelecer a relação de causalidade dos factos em apreço? e teorizar sobre o que já teria acontecido se tal se tivesse desenrolado geograficamente bem mais para Norte da Segunda Circular e com outros personagens neste “filme” nada ficcional? justifica as tuas respostas.
Antes de mais, permite-me actualizar essa pergunta com os mais recentes acontecimentos de relevo nos bastidores do futebolismo nacional.
(A culpa é minha, porque demorei imensas semanas a responder a esta nobre entrevista e entretanto o nosso mundinho virou ao contrário…)

#Cardinalcircus, Túneis sem fim, Apito Encarnado, #Porta18, Kit Eusébio, FootballLeaks, Liga Aliança, Nuno Crisóstomo Lobo, Marco Ferreira, convite-ao-Angrense-em-67-para-desistir-da-Taça, etc&tal

O chorrilho de crimes e de “puros” actos de corrupção, mencionados no parágrafo acima, seria (mais do que) suficiente para mandar parar um campeonato, prender umas quantas pessoas, envergonhar uns quantos adeptos e descer uns quantos clubes de divisão.
O [jornal espanhol] “Ás” foi categórico quanto à denúncia de Marco Ferreira: chamou-lhe «escândalo de corrupção em Portugal». Mas, à data que escrevo este texto, a manchete do “record” é a do Fejsa que comeu feijoada de caracóis ao almoço e a de “abola” é a do Jesus que vai estrear um penteado novo no ‘derby‘ [modo de ironia pura, note-se]… Sobre a podridão que grassa no futebol português, nada de nada! No pasquim desportivo do grupo cofina nem uma menção àquela entrevista, na chamada de capa… “Cri, cri, cri, cri”, como os grilos

Esta é só mais uma das “camadas”, deste «manto protector», que não se estende só ao benfica mas, em certa medida, aos clubes do Sul. E a diferença ficou bem patente na forma como a comunicação social se apressou a associar o caso SPDE ao FC Porto, e a desmarcar o benfica das “farejadelas” na #Porta18

A entrevista de Marco Ferreira ao “Ás” é uma das maiores denúncias de actos de profunda corrupção no futebol português, com esse pormaior de terem valido o título nacional ao benfica. O jagunço, que é tão-somente o líder do Conselho de Arbitragem, ligava a árbitros, antes de jogos do benfica, para condicionar o resultado a favor do clube da Luz. Fê-lo porque não quer perder o apoio do benfica no poleiro que ocupa; e o benfica também não quer perder o apoio do Vitó, que tanto jeito dá a a manter o poleiro. “Uma mão lava a outra, e as duas lavam o rosto”, certo? Certo…

Embora não estejamos a falar de corrupção, directa e estritamente na forma tentada, por parte de um clube, referimo-nos a formas de coação, praticadas por um elemento de enorme responsabilidade no futebol português. Se juntarmos uma arbitragem condicionada a umas quantas mariscadas de 400 euros, ofertadas via ‘vouchers‘ com origem em Carnide, então temos o “kit” de ajuda ideal para desequilibrar o campo a nosso favor.
E, com este conteúdo explosivo, entretanto o que fez o nosso jornalismo? Refundiu-se por detrás do rochedo da vergonha e tenta estrangular o assunto por esquecimento. Não dá jeito que uma máscara, com mais de cem anos, caia com estrondo no chão. “There will be too many broken hearts“… Assim como há quem não queira deixar a Verdade intrometer-se no caminho de uma boa história.
O jornalismo desportivo em Portugal não é clubístico. Antes fosse. Considero-o mais oportunista e usurpador. Caminha às cavalitas das emoções das pessoas. Aproveita o universo encarnado, que é o maior e o mais estabelecido no País, para vender. É, talvez, um dos poucos tipos de jornalismo que vive das “boas notícias”. E uma “boa notícia”, para estes me(r)dia, é quando o benfica ganha. Assim, conclui-se que, para eles, o benfica é tão-somente como uma mulher descascada: vende.

Quanto a nível jurídico, se tudo o que tem passado a Sul acontecesse no FC Porto, já haveria uma procuradora a trabalhar afincadamente no caso, a fim de tentar tombar este emblema da única forma possível, através “da secretaria”.
É curioso, sabes: mesmo não tendo o FC Porto nada que ver com a quezília, aplaudo a existência do clima de guerra entre sporting e benfica – pois que ao zangarem-se as comadres, sabem-se os podres. E, hoje, são as redes sociais que ampliam, de certa forma, o escrutínio popular e que inflamam a opinião pública – talvez mais do que os ‘Media‘ convencionais. Só isso permite a exposição de escândalos de “grandes dinossauros”. E o que temos visto ultimamente são “fósseis vivos” da Política e da Indústria mundiais, a caírem ao peso dos seus próprios actos ocultados. E tudo porque a “Era do Segredo” acabou.
Por mim, o branqueamento da corrupção encarnada, em Portugal, pode continuar. Espanha já percebeu. Os italianos também.
Há manchas que encardam de tal modo que se torna difícil ignorá-las. A Justiça pode e vai falhar. Os ‘Media‘ vão tentar apagar. Mas a memória do Povo nunca falha(rá).
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13. olhemos para o actual “estado de graça” e sobre o quotidiano do nosso clube do “coraçom”.
quais são as tuas expectativas para a época 2015/2016 (que são as de qualquer portista dos quatro costados que se preze)?
como avalias a qualidade do nosso plantel principal de futebol? por exemplo, consideras que existem lacunas? quais são elas (a existir)? e quais são as suas principais virtudes? quem é a estrela mais cintilante? concordas ou discordas das entradas/saídas oficiais e conhecidas à data destas linhas [Outubro de 2015]?
justifica as tuas respostas.
Entrar sempre para ganhar é-nos inerente.
A nível interno, o FC Porto tem condições próprias para aspirar a todas as competições. Tem sempre! Em Portugal, embora os últimos [dois] anos não tenham sido os mais felizes no que toca ao palmarés, estamos longe de estar moribundos. E a reabilitação do nosso ADN parece-me estar a correr bem, em 2015/2016.
Creio que o título, esta temporada, está mais acessível do que no ano passado, até por tudo o que se está a viver fora das quatro linhas, em Lisboa. Depois, o FC Porto está mais sólido, Lopetegui mais ambientado, a Equipa tem uma maior profundidade e noto, aqui e ali, uma certa revolta contra o ‘status quo‘ reinante. 
Ver que este “chiqueiro”, a Sul, não lhes é indiferente, faz-me acreditar que o FC Porto recuperou parte da chama de vencer, e que porventura teria perdidos nos últimos anos.
É pouco provável que consigamos ganhar tudo. A estratégia do próprio Clube passa sempre por abdicar da Taça da Liga quando o Campeonato e a Taça de Portugal ainda são possibilidades. Mas, visto que o plantel está dotado de uma profundidade muito maior e tem (mais) soluções (e) de elevada qualidade na “segunda linha”, acredito que vamos estar em todas as decisões.

Já a Europa, bom… é sempre a Europa.
Penso sempre na dualidade Liga dos Campeões/Liga Europa. Isto é: realisticamente, progredir na Liga dos Campeões é uma dieta mediterrânica para os cofres do Clube, porque envolve ganhar dinheiro e garantir um futuro sustentável. Por outro lado, a nível desportivo, mais não é do que prolongar a nossa certidão de óbito, mais ou menos assinada assim que passarmos a fase de grupos.
Let’s face it‘ [encaremo-lo, sem receio]: não temos capacidade para ombrear com “super-equipas”. E a tendência dos últimos anos, desta competição, demonstra isso mesmo: deixou de haver vencedores-surpresa desde o FC Porto, em 2004. A partir daí, na hora da verdade, foram sempre as mesmas “bestas” a levantar o caneco.
Cair para a Liga Europa é uma “promoção automática” a candidato. Este FC Porto, na Liga Europa, seria um dos grandes favoritos a conquistar o título. Claro que o nosso orçamento não foi projectado para isso. Mas qualquer portista sonha em repetir Sevilha e Dublin. E, neste momento, só essa competição nos dá hipóteses realísticas de aumentar o nosso orgulhoso palmarés europeu.

Pragmaticamente prefiro que corra tudo dentro do planeado e que cheguemos, no mínimo, aos oitavos da Champions. Mas, a partir daí, é com o diabo, com a Sorte, com o Platini ou lá com quem for…
Emocionalmente confesso que não ficaria muito escandalizado com um tombo para a Liga Europa. Não seria um bom sinal, é certo. Mas era uma janela de oportunidades que se abriria, como já referi.

Acredito que temos um óptimo plantel: mais equilibrado fundamentalmente, e com uma capacidade de combate que há algum tempo não se via. O ano passado, por exemplo, faltava “músculo” e uma certa agressividade ao trio Casemiro-Herrera-Óliver. Este ano, o ‘upgrade‘ ao miolo foi excepcional. E beneficiamos, também, da evolução e da aposta em Ruben Neves, que poderia perfeitamente estar, hoje, a ganhar quilómetros numa qualquer “académica” (sem ofensa) deste burgo…
Mesmo assim, continuo a considerar que falta um elemento, a meio-campo, que pense o jogo com veia artística, mantendo as responsabilidades defensivas próprias de um médio. Resumindo: um “10” puro – algo que nem Brahimi nem Corona me parecem ser.
No ataque também crescemos. Aboubakar tirou notas máximas das lições que teve com Jackson e emula na perfeição o colombiano, com a nuance de ser mais rápido e, arrisco dizê-lo, mais inteligente nas tabela do que o seu predecessor.
Recuando: a defesa também ganhou solidez, parece-me. Maxi acrescenta qualidade ao sector defensivo e ao ataque. Maicon está (muito) melhor e mais inteligente (temo que a lesão lhe possa tirar um pouco o ímpeto). Marcano é, neste momento, o nosso melhor defesa-central e um líder. E depois há Indi, que é um terceiro central “de luxo”. Talvez a lateral esquerda seja o nosso calcanhar de Aquiles; não porque Layun seja fraco, longe disso!, mas porque não tem “sombra” – Cissokho e Ángel estão a anos-luz do patamar de exigência que o FC Porto necessita.

Creio que nos reforçámos bem.
Se me perguntares qual foi a nossa melhor contratação no papel, dir-te-ei André André. Porque não trouxe apenas Qualidade à equipa: trouxe Vontade, Portismo, Raça e Alma, a uma equipa que começava a viver sérias crises de identidade. E depois há Maxi, que foi um golpe extraordinário. E Casillas, que foi uma aposta de génio, tanto dentro como fora de campo.
Mas, quanto a mim, a nossa melhor “contratação” é claramente a confiança depositada em Lopetegui. Com isso, Pinto da Costa deu-lhe estabilidade e tempo para formar e consolidar o seu projecto. Lopetegui “deu-nos” Ruben Neves, “optimizou” Aboubakar, “recomendou-nos” Marcano, convenceu Casillas e, mais importante de tudo, eliminou o principal foco de instabilidade do balneário: Ricardo Quaresma. Tudo sem receios, nem pressões. Hoje, Lopetegui é um tipo mais respeitado lá dentro do que era há 365 dias atrás. E isso deve-se ao pulso que este treinador tem e que muitos preferem continuar a não ver.
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14. aprofundemos ainda mais a questão anterior e façamos aquele exercício (quase recorrente e do) “’tipo’: suponhamos que…”.
suponhamos que eras o treinador principal do clube (‘you wish!’ :D) e que a SAD te “impunha” um orçamento de 100M€ (cem milhões de euros) para constituíres o próximo plantel e sem considerar a questão salarial, cuja base é o actual, à data desta entrevista [Outubro de 2015].
o exercício que te proponho é a tua reformulação do plantel e se considerares que tal é necessário.
deixo-te uma recomendação: que não te esqueças (i) das expectativas individuais dos jogadores e/ou dos seus empresários, (ii) dos jogadores do clube sob empréstimo e (iii) da existência da equipa B.
desenvolve a tua resposta, por favor. os “testamentos” são a imagem de marca deste espaço de discussão.
Se nós pensarmos bem, o nosso orçamento actual já ronda esse valor, salários incluídos. Mas, se bem percebo a pergunta, excluindo a folha salarial, esses “100 quilos” seriam para investir em compras.
É sempre muito difícil pensar nisso…

Eu sou pragmático por natureza. Se tivesse 100 Milhões para investir no plantel….. provavelmente não os gastaria. Continuaria a pensar como uma empresa pequena. Talvez por já estar habituado a isso.
Ou seja: procuraria sempre bom e barato. Menos “Imbula’s” (bom e caro) e mais “Aboubakar’s” (bom e relativamente barato).
A minha linha de pensamento é sempre: a partir do custo zero para cima, e não ao contrário. Às vezes faço aquele tipo de exercício de olhar para os ‘free agent‘ nos últimos dias de Agosto e pensar onde encaixariam no FC Porto. E não estou a falar apenas das grandes estrelas do futebol mundial.
Uma das coisas que faria era tentar seguir um dos modelos que o Sevilha tem aplicado e com sucesso, nos últimos anos: procurar jogadores ao estilo Carrillo – em final de contrato e em litígio com o clube, por não quererem renovar e apresentar uma oferta ‘low-cost‘ antes de Janeiro, quando o jogador se torna livre para assinar por outro clube. Por norma, os clubes com jogadores assim têm a tendência de aceitar as ofertas, para minimizar os danos. Foi assim que o Sevilha garantiu Ivan Rakitić; é muito provável que faça o mesmo com Carrillo. Foi assim que o Marselha garantiu Rolando.
Haveria várias possibilidades a explorar. 
Isto porque acredito no modelo que temos vindo a seguir nos últimos anos, de “pescar o peixe miúdo e torná-lo graúdo, nos nossos viveiros”.
O que também faria seria diversificar os nossos mercados-alvo. “Agitar as águas”, procurar menos onde temos procurado e “virar agulhas” para outro futebol – talvez o centro-europeu, o africano e o argentino (este último, amplamente abandonado por nós há algumas temporadas).

Mesmo a nível de expectativas dos jogadores, julgo que o modelo em que temos operado continua a ser o ideal.
Não podemos evitar o facto de o FC Porto ser visto como porta de entrada na Europa, porque essa é a nossa realidade e não outra. Pelo menos, enquanto não tivermos a dimensão e o orçamento de um Real Madrid. Portanto, o que podemos fazer é adaptar-nos a ela e gerir os tais “ciclos” com racionalidade. Por exemplo, s
e um jogador argentino, bastante promissor, chega ao FC Porto com 22 anos, tendo custado 5 milhões de euros por 80% do passe, o que teremos de fazer é gerir-lhe da melhor forma as expectativas e tentar usá-las a favor dos objectivos do Clube, sem nunca cortar as pernas às ambições do atleta. Depois, é aplicar o modelo e valorizá-lo. Todos saem a ganhar e a saúde financeira do Clube também.
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15. posto “isto”, terceira “entrada a pés juntos”:
na tua opinião, Lopetegui é ou não é, o homem indicado para comandar os destinos do futebol profissional, do nosso clube do coração?
justifica a tua resposta, por favor.
Sim.
Sim, sim, sim!
Enquanto lá estiver, é “o homem do leme”.

Acho que por vezes as pessoas são demasiado cáusticas com Lopetegui.
Há uma diferença entre incompetência e gestão danosa. Ninguém gosta de perder ou de perder de propósito. Lopetegui não é diferente. Se, por vezes toma ou não, a melhor decisão, isso são “outros quinhentos”. Mas também eu sou muito bom a jogar no euromilhões ao Sábado…
Às vezes, esquecemo-nos de nos colocar naquela cadeira e só conseguimos imaginar as suas vantagens, ignorando ou suprimindo toda a carga de contras que um treinador do FC Porto tem de suportar e ultrapassar.

Em suma: Lopetegui está a fazer o melhor que pode e, quanto a mim, um bom trabalho. No entanto, como tudo na vida, só quando materializar a teoria será reconhecido na prática.
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16. quarta “entrada a pés juntos”, numa pergunta (muito) directa:
concordas com a actual política de Comunicação do FC Porto (sobretudo para o “Exterior”)? e com a aquisição do “Porto Canal”? porquê? e o que mudarias (a haver mudanças, na tua opinião)?
Nem sempre escolhemos o melhor caminho, nesse capítulo.
O ano passado fomos alvos de um ataque sem precedentes: desde a tentativa de condicionamento de resultados, à xenofobia para com Julen Lopetegui. Em todas as frentes e com todos os meios ao dispor, inclusive em programas onde imperava (ou costumava imperar) o rigor da Isenção. Isto sempre na tentativa de entreter o Povo, desviando o foco do que realmente se passava nas traseiras do futebol português. Aliás, as “manobras de diversão” tiveram sempre, ou quase sempre, o mesmo alvo, sobretudo a partir do momento em que o Sporting deixou de contar para as contas do título.
Não somos brejeiros, nem saímos da sarjeta de onde veio João Gabriel, mas cabia-nos devolver uma boa parte dos “pedregulhos” que nos foram atirados. Nesse capítulo, o FC Porto nem sempre se defendeu como deveria. Optou-se pela estratégia do silêncio, a mesma que agora criticamos no clube de Carnide, por sentirmos que não tem resposta para as acusações de que é alvo.
Percebo perfeitamente que o Presidente já não tenha energia para estas celeumas e que o CEO tenha mais o que fazer do que andar a “dar trela” a estes tipos, mas Lopetegui merecia ter sido mais escudado.
Entretanto, optámos por começar a responder aos ataques via ‘newsletter‘… Não sei se será a melhor opção, mas quer-me parecer que, através do “Dragões Diário”, por vezes falámos do que não deveríamos e não falamos do que devemos.

De certa forma, estou ao lado de Bruno de Carvalho em todo este quadro de denúncia que ele próprio decidiu fazer pelo seu próprio pé, sozinho, ao seu estilo (inconsciente e belicista). Mas, a bem da Verdade, reconheça-se que mexeu com poderes altamente enraizados no Futebol Português, que o FC Porto, sabendo que eles de facto existiam (e que ainda existem!), não foi capaz de os expor convenientemente. Até os jornaleiros já tremem com o facto de Bruno de Carvalho «não se calar».
Paulatinamente as “fachadas” vão caindo. Se, por um lado, concordo com este posicionamento à distância do FC Porto, face à guerra instalada na Segunda Circular – devido à troca de treinador, ao roubo de jogadores e por aí fora -, por outro, a questão do “kit Eusébio” e dos telefonemas de Vítor Pereira dizem-nos respeito, e muito! Porque foi (também) com ela que perdemos o 28º título nacional. E aí, vamos ter de intervir.

Sobre o Porto Canal, devo dizer que concordo em absoluto com este modelo: com o namoro em vez de casamento.
Acho que o Porto Canal deve servir primeiro a Região e só depois o Clube. Sem extremismos, fazendo precisamente o contrario do que assistimos na bTV “de” Pedro Guerra e na sportingTV da “Hora do Presidente”.
Abraçar o FC Porto sem ser “apenas FC Porto” é a melhor forma que o canal terá de crescer e de captar audiências, a todos os níveis, mantendo a franja portista próxima e sem afastar os que não são portistas. Acima de tudo, não envergonha ninguém, com manifestações de portismo cego e desmedido. Assim, todo universo FC Porto sai reforçado sem forçar um seguidismo cego e ultrapassado para um clube como o nosso. Por isso, aplaudo que alguns dos conteúdos do canal passem pela menção a outros emblemas da região.
O único reparo que lhe(s) faço será mais no sentido da própria estrutura do canal em si que, por vezes, parece demasiado amadora e carece de alguma experiência. Nada que o Tempo não resolva.
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17. qual a tua opinião sobre o actual estado de alma do nosso clube em relação às modalidades (ditas) “amadoras” e em que está profissionalmente envolvido?
em concreto, o que te pergunto é se o trabalho desenvolvido terá Futuro, se está no bom caminho, se dará frutos, se os projectos têm solidez (a todos os níveis), ou se poderá haver outros exemplos com o que aconteceu à suspensão» do basquetebol sénior?
já sabes que estás à bontadinha. 😀
As modalidades são parte da nossa imagem, enquanto Clube.

Às vezes dou por mim a pensar na estrela, um dos símbolos que o FC Porto mais gosta de chamar a si próprio (por exemplo, o logo do nosso museu) e faço a seguinte analogia:

se desconstruíssemos o FC Porto por modalidades, as cinco pontas da estrela seriam (e sem qualquer ordem relevante): o Futebol, o Hóquei, o Andebol, o Basquetebol e as outras B’s (bilhar, boxe).

Felizmente, mantemos uma brilhante tradição no Hóquei e no Andebol, apesar das dificuldades orçamentais, e de não termos tido, no plano teórico, plantéis individualmente tão fortes quanto o nosso adversário mais directo.
Conseguimos produzir História com recursos limitados, sobretudo no Andebol, com Ljubomir Obradović. Mas, ainda mais do que isso: começamos recentemente a dar os primeiros passos sólidos entre a elite europeia da modalidade, com “pequenas” vitórias históricas, e que certamente abrirão o caminho para novos sucessos internacionais.
No Hóquei continuamos a ser o clube mais titulado em Portugal e o segundo a nível Mundial, e estamos sempre presentes nas grandes decisões. 
É difícil fazer muito mais quando o benfica, o nosso principal rival, tem feito um investimento muito mais pesado neste sector. O que se percebe, uma vez que essa era uma das bandeiras (e bóias de salvação) do seu actual Presidente. Neste momento, o desequilíbrio de forças só não é mais elevado porque o FC Porto tem profissionais do outro mundo – e, acima de tudo, portistas.
O basket está a “renascer das cinzas”. Acredito que estamos a dar passos na direcção certa. A equipa regressou este ano à Proliga [divisão máxima do basquetebol tuga], com um projecto fortemente sustentado pela e na Formação. E é nesse modelo que deve, por ora, permanecer, acrescentando Qualidade para responder à exigência dos novos desafios – como fez, este ano, com as contratações que efectuou. Todo o mérito, portanto, para Moncho López.

Tenho pena da a secção de voleibol ter terminado. Gostava de ver a modalidade de volta. Para mim, seria a primeira vez.
Também gostaria de ver regressar o ciclismo.
Já quanto ao futsal, prefiro ver o FC Porto longe desse meandro.
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18. esta pergunta (também) é recorrente neste tipo de entrevistas.
das seguintes opções, descreve o teu sentimento mais profundo (se possível) após uma derrota do nosso clube do coração:
[só pode ser uma opção. Selecciona-a a negrito, por favor]

a. – não durmo direito nessa noite
b. – que ninguém me fale durante as próximas vinte e quatro horas, pelo menos
c. – apetece-me mandar tudo para um sítio (ou dois) que eu cá sei
d. – extravaso o meu sentimento na bluegosfera®, sobretudo em respostas aos “comentários” (dos lampiões mormente) anónimos de serviço
e. – para lá de mandar tudo para mais dois ou três sítios que eu cá sei e de que me lembrei agora, faço assim: [desenvolve, por palavras tuas, em poucas linhas sucintas]…

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19. à data [Outubro de 2015] e na tua opinião, qual o melhor onze de jogadores que envergaram a camisola do FC Porto, qual o melhor banco (22 jogadores no total, portanto) que já viste jogar, «ao vivo e a cores», e qual o melhor treinador que passou pelo clube?
[podes “seleccionar” jogadores nacionais e/ou internacionais]

onze titular [1-4-3-3]

Helton; Danilo, Nuno Valente, Aloísio e Ricardo Carvalho; Fernando, Moutinho e Deco; Drulović, Jardel e Hulk.

suplentes:

Vítor Baía; José Bosingwa, Alex Sandro, Fernando Couto, Otamendi; Costinha, Maniche, Zahovič; Quaresma, Falcão, Capucho.

Equipa técnica

Treinador: José Mourinho
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20. és visitante regular do (agora) ‘TOMO III‘.
duas sub-perguntas:

i) como tiveste contacto com este espaço, i.e., como me encontraste?
Via “Porta 19“, que foi o primeiro blogue que comecei a acompanhar. Isto ainda na altura do Tomo II.
Foi uma frescura ler esta prosa de estilo único e inconfundível. Tornou-se leitura obrigatória e uma das minhas principais influências – não só da bluegosfera, como da própria escrita.

ii) peço-te o favor de indicares um aspecto positivo deste espaço e um aspecto (ou mais do que um) que gostasses de ver corrigido e/ou melhorado.
Tenta continuar a escrever até aos 120 anos. Acho que não é pedir muito…
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21) não há. chegamos ao FIM! 😉
MUITO OBRIGADO!‘ pela tua colaboração. espero que a entrevista tenha sido do teu agrado ;)
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6 thoughts on “dragão de ouro: ‘drax’

  1. Acabo de chegar de mais um dia de trabalho. Daqueles em nos é dado o papel de Sísifo. Daqueles que, por mais que empurremos o vasto pedregulho até ao topo, sabemos que ele vai acabar por voltar ao ponto de partida.
    Suspiro sempre. Mas sorrio. Porque sei que, no final de cada dia no purgatório, tenho duas famílias à minha espera que me são sempre forças para continuar a escalar a montanha. Os Drax’s e a Bluegosfera. Convosco partilho um sentimento muito particular: o portismo. E sinto-me um privilegiado por poder ler cada manifesto vosso.

    Ao Miguel, um profundo obrigado. Do tamanho do chapéu do Peixe ao Leiria. Adaptando as palavras de Neil deGrasse Tyson, eu já sabia que queria escrever sobre o FC Porto quando encontrei o tomo II, mas foi depois de muitas leituras que percebi que tipo de pessoa gostaria de ser. O sentimento é mútuo meu caro. És uma grande referência. Como blogger e pessoa.

    Sobre a entrevista, desculpem o exagero. Eu a escrever parece que estou a comer camarão.
    E se estiver um pouco desatualizada, é responsabilidade exclusivamente minha, que demorei tanto a terminar o prato… que parecia que estava a comer camarão.

    Sobre o regresso: tentarei para breve. Assim que a saúde da minha mãe, a minha cabeça e o tempo o permitirem.

    Muito obrigado pelo vosso tempo. Com isto.o dia de hoje foi bom. (:

    Maior abraço.

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