quanto custa despedir um treinador…

duos© google | Tomo III
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« caríssima(p),

quem não deveria falhar no exame, claudicou. e forte, como já não tinha memória. mas não me irei alongar muito mais sobre o brioso naufrágio, em Coimbra. fundamentalmente já não aguento mais tanto futebol (?) desgarrado, sem chama e sem uma voz de comando.
cansei de tudo isso e aguardo por um novo capítulo, nesta época, que principiou torta e que ainda desejo ardentemente que se endireite… »

in “erro de casting” (aqui), publicado em Novembro de 2011.
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« três breves perguntas:

1)

de que nos vale estar(mos) a achincalhar o actual treinador principal da nossa equipa de futebol? se não tivermos presente as duas premissas referidas anteriormente, o nosso “apoio” será idêntico ao dos assobiadores profissionais que se deslocam ao nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos e o fazem desde o primeiro minuto de jogo, comportando-se, por vezes, bem “melhor” do que os adeptos dos clubes adversários.

2)

de que vale estar(mos) a criticar tudo e todos, na estrutura portista, nessa perspectiva pessimista e negativista do copo “meio-vazio”, e sempre pelo “prazer” (mórbido? masoquista?) de o fazer? já não bastam os nossos queridos detractores sempre a (in)tentar denegrir o que deve ser o nosso Orgulho?

3)

de que vale gastar(mos) energias na crítica destrutiva? se ao menos ainda se apresentassem soluções… mas é tão mais fácil destruir do que ajudar a construir, não é?… »

in “as razões do meu coração apertado” (aqui), publicado em Abril de 2013.
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« Há muito que é este o estado de espírito de uma grande parte dos adeptos: nada serve e a equipa nunca joga nada. Foi assim com o Fernandez, o Adriaanse, o Jesualdo, o Vítor Pereira, o Paulo Fonseca e agora com o Lopetegui. Até o Villas-Boas, naquele mês de Janeiro, em que tinha jogadores lesionados e perdeu em nossa casa, com o 5lb, para a Taça de Portugal, começou a sentir alguma contestação.

Pessoalmente, revejo-me a 100% no último parágrafo do artigo do José Correia. Não serve? Então, responsabilize-se quem os contrata e quem define a política desportiva.
O que eu esperaria que o Presidente fizesse era vir a público dizer aos adeptos que sente que os assobios ao treinador e à equipa, também são para ele. O que o Presidente deveria ter feito, no regresso de Londres, era ter saído ao lado do treinador, no aeroporto.
O Presidente não é um adepto. O Presidente é o responsável máximo pela SAD, pelos seus êxitos e pelos seus fracassos. Não pode “assobiar para o lado” quando os adeptos insultam o treinador e os jogadores que ele contratou; antes, tem que dar a cara perante esta contestação que está a atingir níveis quase insuportáveis. E, se a solução for despedir o treinador, para mim, não chega.
 »

comentário de Miguel Magalhães, no Reflexão Portista, às 23h14m, de 04 de Janeiro de 2016, o qual subscrevo. na íntegra.
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caríssima(o),

nota bem:

esta será uma prosa bastante extensa, por que longa – vulgo “testamento”.
também será uma “posta de pescada”® de gratidão crítica e de partilha de sentimentos que revelam o meu actual estado de Alma.
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atente-se na data das três citações acima. acho que concordaremos que já vimos “este filme”, que (per)dura desde o traumatismo ucraniano de Novembro último, há bem pouco tempo, certo? por exemplo, tivesse o nosso querido líder dado ouvidos à “voz” (naquela altura, insana e onde me incluía) da turba e Vítor Pereira não se sagraria bicampeão com o nosso brasão abençoado ao peito…

portanto, serve este intróito para te dar conta que, pese embora o que (não) se vai sabendo pela Comunicação Social tuga – sempre pronta e muito solícita a “defender” os nossos interesses, como se sabe… -, não fiquei nada contente com a demissão de Julen Lopetegui. não pulei de alegria, não bati palminhas ‘a la‘ fonseca, não esbocei qualquer sorriso (maroto, vertical ou outro), não soltei foguetes (sequer um ou outro flato). não!, fiquei fodido. acima de tudo, foi um dos nossos que saiu e pela porta mais pequena do Dragão.
é certo que toda uma conjuntura de acontecimentos (muito, bastante…) infelizes precipitou a sua demissão. mas e ninguém me demove do contrário, aquela também se deve a nós, adeptos (indefectíveis, assoBiativos, outros). aliás: considero que se deve exclusivamente a nós, adeptos indefectíveis, massa associativa e massa assoBiativa. é que, desde que chegou à ImBicta, «o basco» não teve sossego, sobretudo e mormente pela parte daqueles que deveriam ser os primeiros a defendê-lo como a qualquer outro portista, tal e qual como ele o fez, sozinho, em relação à honra e ao bom-nome do nosso clube do coração, enquanto cá esteve.
portanto, sim!, fiquei bastante fodido e passado da cornadura pela sua saída. porque e repito-me, esta deveu-se a nós e ao autêntico clima de antipatia, de “guerrilha” e de perfeita repulsa que lhe criámos. e que, alguns de nós já criam para o seu sucessor – mas já lá vamos.
e, com “isto” tudo (e que já não será pouco), quero manifestar publicamente que, mais do que estar aqui a arvorar-me em sabidola e/ou em sabichão da treta e/ou em reflexivo do caralho, também não posso deixar de afirmar o meu mais profundo desalento e extremo descontentamento, por perceber que a famigerada «Estrutura» resolveu dar-nos uma verdadeira “bofetada de luva azul-e-branca”. e como é que nos conferiram essa bofetada? simplesmente demoraram doze dias para se encontrar um alternativa credível a Lopetegui… e onde é que reside o meu desprazer nisto tudo? explico: é que não deixou de ser curioso verificar, por essa bluegosfera afora, mormente nas suas caixas de comentários, que os mesmos que, desde o seu início, pediram “a cabeça” de Lopetegui e posteriormente regozijaram com a sua demissão, são os mesmíssimos [redundância propositada] que não compreenderam, sequer aceitaram!, que a SAD portista tivesse que aguardar por aquele período de tempo (!!!).

meus amiguinhos (e, sim!, estou a ser irónico e armado ao cagalhão): isto não é o Football Manager!, caralho! isto é a puta da Realidade!, a qual é nua, e crua, e dolorosa.
portanto: quisemos que o «lotopegui» fosse corrido; a SAD “satisfez-nos” esse pedido; não havia “plano B”; a rescisão do contrato não correu conforme o previsto, porque foi tudo menos amigável, e enquanto aquela não fosse comunicada ao regulador do mercado (CMVM) não se podia contactar fosse quem fosse; entretanto, as alternativas de quem o (sempre fleumático, nestas situações) jornalixo tuga aventava estavam comprometidas, inclusive no sentido em que não havia viabilidade para a sua contratação (mormente porque ainda estão sob contrato); foi celebrado contrato com a hipótese menos plausível. é este o resumo dos acontecimentos, não é? de uma forma geral e genérica, foi isto que aconteceu, não foi? então, estão a “malhar” nos doze dias porquê?! acham que conseguiriam “apanhar os cacos” em menos tempo?! convençam-se de que a Realidade é indistinta da virtualidade dos jogos de computador e/ou consolas, pá! “ainda bem” que foram “só” doze dias! é que poderia ter demorado bem mais tempo, pois que soluções interinas não foram tidas em linha de conta, com os danos conhecidos de há dois anos…
posto “isto” e elencados todos estes factos, é “fácil” perceber que a resposta à pergunta, presente no título desta “posta de pescada”®, reside na possível – mas nada desejável, pelo menos por este que te escreve, note-se bem! – perda do campeonato nacional. acho que já não será pouco, pois não? e não contam para este “totobola” o c-a-o-s que se verifica no plantel e no colapso de um fio-de-jogo que implodiu ao fim de pouco mais de ano e meio…

chegados a este ponto, é igualmente óbvio que grande parte deste “problema” também se encontra a montante da substituição do «espanhol». e não há como o disfarçar, tapar com uma peneira e/ou colocar paninhos quentes, porquanto que o mal-estar no reino do dragão já é indisfarçável (inclusive) na bluegosfera. acima de tudo, critica-se o facto de persistir um inqualificável e inquietante silêncio sepulcral pela parte da Direcção do Clube e da SAD, em relação ao quotidiano do Clube e do nosso comezinho futebolzinho, assim como de haver a necessidade de mudança nas pessoas que comandam os destinos da «Estrutura» – com algum desconforto por se tomar o Clube como que uma “monarquia”. como se pode ler por aí, parte de nós teme que o que fique do consulado de Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa se cinja a estes três anos de inêxitos, porquanto que já nem sequer lhe conferem o devido “crédito” pelos mais de trinta anos de sucessos desportivos e ao mais alto nível… é que, quer se queira, quer não, “isto não é como começa, mas antes como acaba” – uma frase-feita que o jeBus adora atirar e que serve na perfeição para a finalidade desta prosa.
é também por não estar indiferente a todo este imbróglio que aguardo pelos esclarecimentos presidenciais de amanhã à noite, no Porto Canal. faço votos sinceros para que não se trate de mais uma “encomenda”, com perguntas previamente acordadas e que, ao invés, Júlio Magalhães “os” tenha no sítio e inquira o presidente sobre tudo o que mais anseia a nação portista; por exemplo, a saber e sem qualquer ordem de importância:

» qual a estratégia, a curto prazo, para a equipa principal de futebol? iremos continuar a ser um interposto comercial/plataforma giratória de jogadores, ou iremos inverter esta (perniciosa) tendência?

» que sentido para a Comunicação do Clube? iremos persistir nesta senda de “bons rapazes” – como que a sermos os morcões e os lorpas dos (chamados) «três grandes» -, ou daremos efectiva e comprovadamente um (bom) uso aos seus canais oficiais, a começar no Canal de Televisão e a terminar nas redes sociais?

» quando se retomará a premissa presidencial, datada de 1982, de se «devolver o Clube aos sócios»?

» como está a ser preparada a sua sucessão?
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confesso que gostava de ser esclarecido (também) sobre estes assuntos, e também sobre alguns destes aqui.

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assim sendo, cabe a quem de direito, bem lá no alto, na cúpula do P(h)oder, definir a melhor estratégia para recolocar o Clube na senda das vitórias, sendo que Ontem já era tarde. é que não há como afirmá-lo de outra forma: a dinâmica de Vitória ajuda, e muito, à União.
a nós, adeptos, cabe-nos a espinhosa missão de Apoiar. e preferencialmente de forma incondicional. tal não pressupõe sermos acríticos, antes não conferir trunfos aos nossos rivais – nos quais há inimigos fidalgais, de longa data e também mais imberbes, os quais se “deliciam” com estes nossos momentos mais infelizes e/ou estão sempre à espera de nos dividirem para poderem continuar a reinar (não só connosco, e com todas estas situações, mas também para perpetuarem um «glorioso» Passado, feito em tons de preto-e-branco a cinza-rato).
é por perceber a singularidade destes momentos mais delicados que, com algum sacrifício, no próximo Domingo, lá estarei, antes das 20h30m, no meu teatro de sonhos azuis-e-brancos, pronto a sofrer pela cor que Amo tanto como a um ente querido. não espero “ópera”, mas é claro que ficarei a torcer para que a minha equipa do coração consiga os tão necessários três pontos. e, como é óbvio, para manifestar o meu apoio incondicional ao actual treinador, da equipa principal de futebol profissional, do nosso clube do coração, José Peseiro – apoio tão incondicional como o que conferi a Julen Lopetegui, e a todos os seus predecessores, e desde que me conheço para o futebol, otário malvado incluído.
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por último, para quem tiver esse interesse e para memória futura:

» artigo “o outro Julen Lopetegui” (aqui);

» artigo “Julen Lopetegui é só um dos problemas do Dragão” (aqui);

» artigo “o treinador é uma mensagem” (aqui);

» artigo “o treinador chegou, faltam os adeptos” (aqui).

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disse!
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12 thoughts on “quanto custa despedir um treinador…

    1. @ dragon

      muito obrigado! pela visita e pelas gentis palavras. ainda bem que não estou sozinho neste tipo de pensamento.
      acima de tudo, o que me move é o Amor desinteressado pelo Clube. não me interessam nada tricas com outros portistas só porque se pensa diferente. só não admito que se brinque com a nossa História, revelando uma enorme ingratidão para com quem tanto nos deu…

      abr@ço forte
      Miguel | Tomo III

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  1. À hora a que escrevo estas linhas, vendo também o jogo do Nosso FC Porto, aquando de sofrer um golo, vi o Presidente a esbracejar um sorriso.
    Ora como uma imagem vale mais de mil palavras, esta a que acabei de ver significa muita coisa.
    Ou seja Pinto da Costa, está mesmo a desejar a saída da presidencia.
    Sucessores precisam-se.
    Demasiada leveza da SAD para um ambiente bem pesado.
    E creio que Júlio Magalhães não deva te-“los” no sitio.
    Sinceramente “espero” e não espero algo dessa entrevista.

    PS: Não costumo vir com comentários pessimistas, mas o ambiente não me dá outra alternativa, do que estar com um humor “trombudo”.

    Abraços.

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  2. Pensamento ajustado à Realidade. O que me surpreende é não haver massa crítica fora dos adeptos e dos sócios. Infelizmente não vejo pessoas com perfil para apresentar um projecto sólido para o nosso clube. Eu sei que tem a ver com o peso da figura do nosso Presidente, mas não é só…

    Somos muitos, e somos capazes de dar a volta. Não acredito em sucessão, pois não é a actual Administração quem tem que preparar a sucessão…

    Relativamente ao jogo jogado… não vale a pena falar.

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  3. Foda-se, Miguel…

    N(ã)o cu-me(n)to.
    Muitos estavam a pedir. Pediram e fez-se-lhes a vontadinha. Agora digam que: “ai, ai está a doer, sr. arq…!”.

    Largos anos têm 12 dias…
    E logo, mais uma sessão de deprimência que vou ouvir feito busto da Justiça: de olhos tapados, branco e esfíngico.

    Imbicto abraço

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