estórias de Abril…

abril01© FC Porto
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caríssima(o),

pertenço à geração de ’75, pelo que não vivi o dia mais marcante de Abril de 1974, (sobretudo) para a geração dos meus pais e para as que a precederam.
ideologias políticas à parte (porque não é disso que se trata aqui, nem é por esse caminho que pretendo enveredar a prosa), desse dia tenho o grato privilégio de, por exemplo, poder estar aqui a comunicar contigo em total Liberdade, algo impensável durante toda a década de ’60 (e numa altura em que não havia internet, e as redes sociais eram meras conversas de circunstância). bem… total liberdade… nem tanto, que o “grande irmão” ainda anda por aí, junto com outros «pulhas pidescos» da actualidade… adiante.

no que a nós, portistas indefectíveis, diz respeito, Abril surgiu um pouco mais tarde, corria o ano de 1979. e é sempre bom recordar que, ao contrário dos outros, sempre tão «gloriosos», a nossa liberdade custou muito a ganhar: não nos foi ofertada, não foi bem-vista, não foi reconhecida, não foi consensual. e, por termos recusado sermos as “ovelhas” de um ‘establishment‘ poeirento, a tresandar a bafio, ainda hoje, graças a essas muitas, imensas, imensuráveis, “amizades” que, desde então, temos granjeado, penamos por termos arvorado, de uma forma decidida, em nos desembaraçarmos das grilhetas que cingiam a nossa ambição de sermos mais do que «os maiores», isto é, de sermos os melhores.

ou seja e sem meias palavras:
custou muito, mas mesmo muito!, aos homens que fizeram dos «andrades» verdadeiros «dragões» (também) na luta contra o P(h)oder instalado nos corredores federativos do centralismo atávico, em plena Capital do Império. e não se trata de uma “modinha”, como ainda hoje nos tentam impingir, antes a mais pura da Realidade: Lisboa e (sobretudo) as suas agremiações da Segunda Circular, representam o Poder que 40 anos de um regime (bastante) “obscuro” moldou (muitas) mentalidades; e, neste quadro cinzento, o nosso
Futebol Clube do Porto surge indelével e irrevogavelmente como o bastião do confronto de toda uma região contra essa ordem social estabelecida: a de todo o Norte, parte integrante do resto da «paisagem», desse país centralista e totalmente centralizado no Vale do Tejo.
assim sendo, se “isto” (que sinto todos os dias, inclusive na carteira) não me faz odiar ninguém em particular, por outro lado também contribui (muito, decisivamente) para que não goste n-a-d-a das agremiações em causa, abominando-as, as quais (e sim!) para mim, representam todo esse “mal” que atrás sintetizei e que qualquer portista facilmente identifica.
e é exactamente por tudo o que atrás (não) referi, que não consigo perceber estas linhas aqui, em jeito de pergunta («para o ano será diferente?»), pela pena do “nosso” ‘enfant terríBel‘ Miguel Sousa Tavares, na sua mais recente NORTADA*… e, vai daí, até as percebo, mas guardo as razões só para mim…

* com um agradecimento especial ao caríssimo Vila Pouca por a ter partilhado publicamente, no seu espaço de referência da bluegosfera.
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e, chegados a este ponto, também é com total incredulidade que ouço, vejo, leio, que há portistas que, no próximo Sábado, não se importarão que o nosso clube de Sempre, o nosso clube do coração, perca a partida ante o spórtém!!!say what‘?! pior: já li, por aí, que há até quem esteja a desejar a nossa derrota só para que se coloque pressão no 5lb!!! wtf?!
a sério que já chegamos a este ponto?! a sério que já colocamos os interesses dos outros (bem) à frente dos nossos?!

para ser ainda mais claro, em jeito de #hashtag (que é mais chique, e coiso e tal) e ‘pardon my french‘:

#euqueromaiséqueospórtémeo5lbsafuód@m

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e, uma das muitas razões para que o deseje s-e-m-p-r-e, a «ambos os dois», e seja qual for a ocasião, foi explanada
aqui, num outro contexto, estávamos em Abril de 2013.
e também se encontra sinteticamente sumariada na imagem que se segue:
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abril02© google
(clicar na imagem para ampliar)
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por último e porque o considero pertinente inquirir, peço-te esse favor de despenderes (e no máximo!) mais um minuto, do teu precioso e valiosíssimo tempo, a responder ao inquérito que se segue, o qual estará disponível sensivelmente até às 15h30m de Sábado:
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sugestão musical:

George Baker Selection, “little green bag“.

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disse!
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6 thoughts on “estórias de Abril…

  1. Porto sempre no coração. E só a vitória interessa.
    Gostaria de ver o “chiclas” de joelhos novamente. As disputas entre “ambos os dois” pouco ou nada me interessam.

    Já há benfiquistas a dizer que o Sportem vai pagar ao FC Porto para perder, ao que eu respondo, em jeito de pergunta, se é essa a chave para o sucesso do 5lb?…

    Abraços

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  2. Mas há dúvidas do que irá ser o próximo clássico? Somente a Vitória! É para cima deles, car@go!
    Embora eles sejam ainda muito verdinhos, podem ser que saibam a maduros. |modo perverso ‘off‘|.

    Aqui só me interessa o Futebol Clube do Porto; o resto são só parvinhos que andam todos juntinhos |mais uma vez, modo perverso ‘off‘|.

    Muitos dos Portistas é que não conhecem aquela imagem em cima, senão já diriam outra coisa…

    Abraços.

    Liked by 1 person

  3. Ó Miguel, se eu conhecesse um portista que me dissesse querer perder com o zbording, juro-lhe que lhe cuspia na cara! Isso é coisa de portista ou de fdp?

    (Depois quando eu comento que temos que fazer uma reciclagem aos adeptos caem-me todos em cima, mas enfim…
    Quando falo que prefiro Qualidade a quantidade, “ah, há lugar para todos, não há uns melhor que outros, blábláblá”… Eu quero lá saber do politicamente correto; muito do fundo onde estamos é devido aos montes de adeptos que só sabem sê-lo nas horas boas!)

    Liked by 1 person

    1. … e quando é nas horas más que temos que marcar presença, complemento eu!
      perfeitamente de acordo com essa visão, e sem me querer arvorar em arauto do Portismo. acho é que o “fc festas” veio adulterar bastante aquela característica que sempre nos diferenciou dos outros: a resiliência. actualmente há muitos portistas que “atiram a toalha ao chão” com uma facilidade que me incomoda, e que afirmam que “há que levantar a cabeça” demasiadas vezes e não foi por terem acabado de beijar o brasão abençoado…

      post scriptum:
      eu conheço pessoalmente dois portistas que me afirmaram ‘ipsis verbis‘ o que refiro no post…

      abr@ço
      Miguel | Tomo III

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