culpas no cartório

amote© Bruno Sousa
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caríssima(o),

antes de tudo, peço-te desculpa pelo meu silêncio. ainda estou “de luto“. mais uma vez. ainda me custa digerir “isto” tudo, mormente a última derrota, a qual está tão, mas tão atravessada, que ainda não durmo direito (no dia do jogo, só às 05h da matina de Domingo; esta madrugada, eram 02h e ainda estava acordado, com a minha esposa a chamar-me de «maluquinho da bola» e outros quejandos…). como confidenciava um de vós, esta manhã, estas derrotas sucessivas já não nos deveriam causar assim tanta mossa, porque como que nos «anestesiam», colocando-nos num «estado de dormência». a verdade é que, a mim, incomodam-me. muito. de sobremaneira, ao ponto de ainda não a ter esquecido, 72h depois, influenciando (e como!) o meu estado de espírito (amorfo) e o meu humor (de fugir. até o “gosma da selva” parece mais simpático do que eu)…
“certamente que melhores dia virão”, foi a minha frase de despedida. e é sobre este ponto que quero reflectir contigo, o qual se relaciona com o que o caríssimo Amigo Jorge Vassalo (bem a propósito) escreveu aqui e aqui.

acima de tudo e sem querer “escarafunchar” (muito) numa ferida ainda bem aberta, convém puxar o filme atrás e perceber como é que se chegou ao ponto actual. sinteticamente, para mim, foram estes os momentos principais:

» 06 de maio de 2014: Julen Lopetegui é anunciado como treinador da equipa principal, do nosso clube do coração, para um «projecto de três anos».

» Maio de 2015: mais de trinta anos depois, o 5lb celebra um bicampeonato, sustentado num absurdo #colinho. os me(r)dia tugas são unânimes em dar o FC Porto como o «grande perdedor» baseando a sua tese no «forte investimento da SAD», mas que não seria caso único, a nível nacional, como se veio a comprovar aqui. a SAD azul-e-branca segura Julen Lopetegui, apesar de este ter ganho Ø (zero) títulos.

» 24 de Novembro de 2015: o FC Porto falha um objectivo fulcral, para o Clube, sobretudo a nível de recita$: a (sempre necessária) passagem aos oitavos-de-final da Champions, e “cai” para a Liga Europa.

» 02 de Janeiro de 2016: derrota no clássico ante a agremiação do Lumiar, no “reino dos viscondes falidos de Alvaláxia”® (15ª jornada), perdendo-se a liderança do campeonato, conquistada na jornada anterior. àquela data de Janeiro, tratou-se da 4ª derrota do FC Porto nos últimos 10 jogos e em todas as competições, desde a de 24 Novembro, ante o Dínamo de Kiev, para a Liga dos Campeões, e depois de se ter mantido invicto durante mais de 3 meses. sobe de tom a contestação a Julen Lopetegui, depois do “caldo entornado”, com a massa assoBiativa, aquando daquele momento no jogo ante o Rio Ave.

» 21 de Janeiro de 2016: José Peseiro é apresentado como novo treinador do FC Porto, com um «contrato válido até Junho de 2017».

» 30 de Abril de 2016: (nova) derrota ante o spórtém (32ª jornada). em 19 jogos oficiais, com José Peseiro à frente da equipa, apresentamos os seguintes números: 11 vitórias e 08 derrotas; 29 golos marcados, 23 golos sofridos…
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estes são os factos de uma época que nos envergonha a todos – sobretudo a Miguel Sousa Tavares, como escreve aqui, na sua mais recente NORTADA, sob o título “a fase da vergonha“… época essa que ainda não findou, e por muito que (secretamente) se deseje que termine o mais rápido possível. também ia escrever “e de forma indolor”, mas tal não é possível e por mais «anestesiado» que esteja(mos)…
é óbvio que a responsabilidade maior, por este estado de coisas, é da Direcção da $AD azul-e-branca e dos elementos que a compõem, com Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa à cabeça. mas, não nos iludamos: nós todos, enquanto adeptos do Clube, também temos uma quota-parte nesta catástrofe, tornando o quotidiano azul-e-branco quase insustentável, num (quase) “estado de sítio”, onde tudo e todos se contestam, e nada serve para nos acalmar o Ego, tal e qual como o escrevi em finais de Janeiro último (aqui).
e, comungando do que defende o Jorge, nos seus dois últimos escritos, também eu sou da opinião que temos mesmo que mudar atitudes e mentalidades que só nos prejudicam, sobretudo no apoio que (não) damos à nossa Equipa do coração e com a honrosa excepção das nossas claques (porquanto que, não fossem elas e sobretudo elas, haveria velórios bem “mais animados” do que um qualquer jogo naquele que deveria ser o nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos).
acima de tudo, acho inconcebível que se crie um clima de hostilização tal, para com a nossa equipa (!!!) e em nossa própria casa (!!!), ao ponto absurdamente ridículo de haver treinadores adversários que disso já fazem estratégia (!!!).
acima de tudo, acho inacreditável que se assobie mais rápido um passe transviado, de um jogador da nossa equipa (e por mais chateados com um F bem maiúsculo que possamos estar), do que o constante anti-jogo dos adversários, sempre à cata do famigerado pontinho.
acima de tudo, acho extraordinário que todo um estádio, maioritariamente pejado de portistas indefectíveis, não crie um autêntico clima de “agressividade” para com os verdadeiros artistas do apito, aqueles apitadores que persistem e insistem em nos provocar, em todos os jogos, inclusive (e sobretudo?) nesses, no nosso recinto, por exemplo, trajando (quase) sempre naquela cor berrante.

em suma, é como bem questionam o Jorge e outros ‘bloggers‘, igualmente preocupados com o rumo “monstruoso” que a soberba da nossa “exigência” está a atingir: qual o tipo de incentivo e/ou apoio que pretendemos contribuir para com o nosso Clube e que espécie de adeptos queremos ser?
não nos enganemos: muito do nosso futuro também passa por estas questões, transversais a nomes (hipotéticos, ou não) de treinadores e de jogadores, e independentemente da modalidade em causa – sim!, que os projectos desportivos para as de pavilhão já começam a ser desacreditados…
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post scriptum I
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isto” que foi afirmado aqui não é grave? eu acho que é.
e o que têm (ou terão) a dizer as instâncias superiores do nosso comezinho futebolzinho tuga? será que vão agir em conformidade com o que é inusitadamente insinuado ou voltarão a fingir que nada foi dito, varrendo a porcaria para debaixo de um tapete que já não a consegue esconder mais?
é que recordo-me muito bem do que instilou esse «indivíduo», na semana que antecedeu a nossa ida a Guimarães – aqui, a partir da 1:44′:55” – e do escarcéu que promoveu (junto com outros “papagaios” de serviço), qual advogado (do Diabo), a propósito de uma «defesa da honra» do mesmíssimo treinador que agora vilipendeia publicamente, motivando esta reacção do Sérgio Conceição aqui.
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post scriptum II
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diaclube© dia do Clube
(clicar na imagem para ampliar)
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vem aí nova edição dos “Encontros da Bluegosfera“, agora sob novo nome, mas com o mesmo espírito. eu pretendo lá estar! 😉
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disse!
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11 thoughts on “culpas no cartório

  1. Miguel,

    É claro que engolir sapos vivos é “indigesto”, dá agonia no estômago, mas aconselho-te calma e resignação, para situações como as que estamos a viver… O que não tem remédio, remediado está… E uma coisa é certa: não podemos deixar que os factos que aconteceram, e por muito que nos custe, prejudiquem a nossa vida familiar e eventualmente o rendimento no emprego…
    Sugiro que aproveites para descarregar a “bílis” (desabafes aqui no blog) criticando quem tiveres de criticar, mas, depois, já aliviado, desligues um pouco pelo menos… (que é o que tento fazer)

    Aproveito para te contar uma situação que se passou comigo.
    Tempos atrás, numa tarde, encontrei, no Café Ceuta, o Dr. Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol [do Porto], e abordei-o para lhe perguntar: “Sr Dr, como é que o Benfica consegue manipular, instrumentalizar e beneficiar das arbitragens impunemente?”, ao que ele respondeu: “caro amigo, a máquina da imprensa desportiva benfiquista é muito poderosa”.
    Eis, aqui, a resposta e o motivo pelo qual Jorge Nuno, no início da sua carreira como presidente, se teve de socorrer do apoio do saudoso Pedroto para denunciar e fazer inverter situações como as dos tais «roubos de igreja»…
    Actualmente quer se queira quer não, Pinto da Costa perdeu fulgor, o que não é para admirar dada a sua idade. E enquanto não surgir, no horizonte portista, uma ‘réplica’ do Pinto da Costa da juventude, estamos tramados. E quer-me parecer que não há volta a dar…

    Abraço,
    Armando Monteiro | dragão atento

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  2. @ Armando

    muito obrigado! pela visita, pelas gentis palavras, pelo cometário e por tão pertinentes conselhos!
    ah!, e pela partilha de uma estória vivida na primeira pessoa.

    eu acredito que será possível a Mudança. paulatinamente ela tem vindo a acontecer. por exemplo, o Presidente anda (bem) mais interventivo.

    abr@ço
    Miguel | Tomo III

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    1. Muito bem, pelo teu optimismo… Já eu confesso, não tenho grande esperança porque as intervenções a que te referes, são mais distanciadas no tempo do que seria exigível e ténues demais… Mas vamos ver, pode ser que tenhas razão…

      Abraço

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  3. 1. História

    2013-2016
    Período futebolístico com domínio das equipas de Lisboa, em que, por um lado, se serviram de maior assertividade na escolha dos seus treinadores e, por outro, criaram um poderoso sistema de controlo da mente do individuo, através da Imprensa e do que ela vende. É incrível a forma como escuto os adeptos dos demais clubes dizerem “as arbitragens não têm influenciado os jogos”.
    Este período fica também caracterizado como o período do “afonismo” – nome inspirado na contracção da preposição “A” + derivação do substantivo “Fónico”. Um período em que a comunicação do FCPorto deixou de se fazer ouvir. Deixou de criticar. Deixou de lutar contra o Centralismo, contra os cargos, contra os políticos. Numa altura, em que se investiram milhões num canal televisivo, passamos a canalizar toda a comunicaçao para um meio interno e deixamos de ter ligação externa com o Mundo.

    2. Presente

    Fim da época de 2016
    Chegamos ao ponto em que nós próprios não criticamos os nossos rivais, porque estão em lutas que não nos dizem respeito. Passamos a considerar “dar uma mão” ao Sporting (num exemplo de pequenês, só ao alcance do Belenenses), e passamos a afirmar o orgulho na nossa equipa após um clássico perdido por 1-3 no Dragão.
    No fim, ainda temos que levar com um Presidente a tecer rasgados elogios ao clube daqueles que nos tentam trucidar a cada dia que passa. É caso para dizer: “Que Futuro?”

    3. Futurologia

    O FCPorto vai contratar 2 guarda-redes durante o defeso;
    O FCPorto vai realizar (não sei se real ou virtualmente) mais de 50 ME em vendas
    O FCPorto vai mudar de treinador;
    O FCPorto vai convidar o Peseiro para fazer parte da “Estrutura” (em último caso, pode muito bem ser um tijolo).
    O FCPorto vai buscar o Josué e vai emprestá-lo ao Guimarães para mostrar ao Braga (e ao Salvador) quem manda, por não nos terem vendido o Rafa Silva.
    O FCPorto vai renovar com o Gudiño.
    O FCPorto vai comprar alto craque sul-americano.
    O FCPorto vai emprestar o Marega
    O FCPorto vai emprestar o André Silva
    O FCPorto vai emprestar o Paciência
    O FCPorto vai emprestar o Adrián
    (…)
    O FCPorto vai fazer uma festa de lançamento dos novos equipamentos, com um monte de ‘comments‘ fixes no Instagram;
    O Antero Henrique vai dar uma entrevista ao jornal ‘OJogo’ ou ao Porto Canal, antes da próxima temporada começar;
    O FCPorto vai contrair um empréstimo obrigacionista com juros a 6% e afirmar que o FCPorto é uma marca de prestigio para os seus investidores. No final, haverá um Copo de Honra com um concerto ao Vivo do Vitor Espadinha.

    Se fizer tudo isto, o FCPorto não será campeão.

    PS:
    tenho uma réstia de fé que o FCPorto vai fazer algo de diferente para ser o próximo campeão nacional.

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    1. José Fernando Moreira da Silva,

      Uma muito curiosa previsão (espécie de premonição) do futuro do FC Porto… Se bem que… Onde é que já vi isto…?!

      PS – O Miguel está optimista, pode ser que tenha razão…

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  4. Segundo a minha humilde opinião, este estado iniciou após a saída de AVB. O FC Porto foi perdendo qualidade sucessivamente e o 5lb foi montando a máquina comunicacional e institucional à vontade.

    Como os adeptos portistas deixaram de ter uma voz do clube começaram a dar atenção à CS do regime. O resultado está à vista. Vítor Pereira assobiado e mal tratado, Lopetegui igual e nunca ninguém os defendeu. Só falo de treinadores mas também aconteceu com jogadores.

    A solução??? Basta o FC Porto não deixar as coisas andarem à balda. Não é preciso fazer o triste espectáculo que o Sporting faz, mas temos de dizer qq coisa. E nos momentos certos.

    Se é com esta administração que vamos lá???
    Sinceramente não acredito, mas também não temos outra solução.

    Temos de apoiar e pronto. O nosso amor pelo FC Porto é maior do que o ódio que se possa ter a um indivíduo.

    Abraços

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    1. Caro Pyrokokus,

      Fatalidade? Não creio. Os sócios têm de ser exigentes, sim, mas sem os assobiadores, pois nos jogos só assobiam os mentecaptos, ou seja, é nas assembleias do Clube que os sócios se devem manifestar, fazer ouvir. Mas para isso devem serem capazes de ser assertivos na argumentação, capazes de expor as suas razões, dúvidas, críticas, com critério…etc…
      Claro que para criar impacto não pode ser um sócio isolado a levantar as questões. Se os sócios quiserem, organizam-se em grupos consistentes e elegem um porta-voz representante…

      Abraço

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    2. @ pyrokokus

      subscrevo o último parágrafo do teu comentário na íntegra.
      quanto ao silêncio existencial do Clube, este vem dos tempos do ‘pito dourado e pífio final, com o castigo de mais de um ano aplicado ao nosso querido líder, e quando era o Professor Jesualdo Ferreira o treinador do Clube. a verdade é que, desde esses dias, não mais fomos os mesmos no plano comunicacional… e a última época, então, foi o “supra-sumo” do silêncio, do “afonismo” como tão bem explanou o José, ali em cima…
      apesar de tudo, acredito que a próxima época já será diferente. por exemplo, o Presidente tem falado mais vezes e nos momentos próprios. não podemos voltar a ser os “bons rapazes” de antigamente…

      abr@ço forte
      Miguel | Tomo III

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  5. Se “aqueles” adeptos soubessem ter aquela dose de perspicácia que deveriam ter, estes ambientes negativos eram logo solucionados.
    Num Clube como o FC Porto se o Nosso Presidente deixar de ter pé firme é um passo muito venenoso.

    Os resultados estão a vista e o pé firme do Presidente irá ser muito significativo, caso venha a acontecer. E espero bem que sim.

    A super-nova está criada e a ver vamos se não vamos para a fase do buraco negro, directamente.

    Abraços.

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