esta “equipa” não é para todos…

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« “Afronta!”, foi o mínimo que se replicou pela ImBicta quando, para o primeiro Espanha vs. Portugal, em selecções, estávamos em 1921 e em plena estreia desta última contra as suas congéneres, se convocou apenas um jogador do FC Porto, Artur Augusto, por sinal… lisboeta de nascença. Assim, numa selecção apelidada de “a renegada”, tornar-se-ia no primeiro internacional do Clube, alinhando entre o seu irmão Alberto Augusto, e Ribeiro dos Reis – ambos benfiquistas, como ele também fora, antes de se transferir para o FC Porto.

Esta questão (da selecção renegada) desenvolveu-se, a Norte, por causa de dois outros jogadores do FC Porto que não foram chamados à equipa das quinas; a saber: Lino Moreira (guarda-redes de altíssimo nível) e Tavares Bastos (um avançado de grande categoria), ambos apontados pela Imprensa, mesmo na sediada na Capital, como «indiscutíveis».
Mas aquela questão não centraria a sua contestação somente a Norte do Mondego; a turbulência também se instalaria na zona nobre e ‘mui chique’ de Belém, com Artur José Pereira, então no CF ‘Os Belenenses’ e tido, àquela época de 1921/1922, como o melhor jogador português, considerou-se «indisponível» para a Selecção, pelo facto dos seus companheiros Alberto Rio e Francisco Pereira (seu irmão) não terem sido convocados para os trabalhos preliminares da mesma…

Na cidade do Porto, a revista “Sporting” de 17 de Dezembro de 1921, nas vésperas do jogo de Madrid, num artigo sob o título “Uma selecção que nada representa”, afirmava peremptoriamente:
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« É para lamentar, e até encher-se de pesar a alma de todos aqueles que amam o Desporto e a sua terra, torrão abençoado, e digno de melhor sorte, levado pela ambição e pela vaidade de meia dúzia de criaturas onde morreu o sentimento da mais elementar dignidade, a fazer-se representar em terras estranhas, fora do solo que amamos, por uns elementos cujos nomes foram escolhidos por simpatia, demonstrando, à evidência, um desconhecimento profundo de patriotismo, ligado ao maior desprezo pela causa pela qual tanto trabalhamos.
É em nome daqueles, que trabalham em prol de uma causa, que pretendemos saber o que levou a Associação de Futebol de Lisboa a deixar entre nós – se não mesmo todos… – dos melhores jogadores que possuímos e levar, em sua substituição, elementos escolhidos ao acaso e sem que a sua competência, a sua forma cientifica, fossem postas à prova no decorrer da época.
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E, no dia seguinte, a notícia do desfecho, ponteada de ironia e voltando a falar de vitória sobre… Lisboa:
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« A ansiedade dos desportistas portuenses em conhecer o resultado do desafio de Madrid foi satisfeita pelas 06 horas da tarde, quando os nossos placards noticiaram que a Espanha tinha vencido o onze “de Lisboa” por 3-1. »
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E, para compensar todo este fraco ramalhete, pouco ou nenhum destaque foi conferido ao facto de o golo de Portugal (ou «de Lisboa»), e que naturalmente foi o primeiro da Selecção Nacional, ter sido apontado por Artur Augusto, que exultando, considerou que o momento mais sublime da sua vida fora aquele, ao ver a bola no fundo das redes, batendo o mítico Zamora. »

fonte: Paulo Bizarro | os filhos do dragão.
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… e, depois, ainda há quem (natural, convicta e correctamente) se insurja pelo facto de ontem, em Carnide, o mesmíssimo ‘speaker’ de serviço, aquele que vitoriou o «Sporting Clube de Portugal» pela conquista da mais recente edição da Taça de Portugal, só não ter vibrado com um dos sete golos que por lá se marcaram – curiosamente (ou talvez não), o da autoria de Danilo Pereira, actual jogador do… FC Porto. e que não compreenda como é que o gajo das tranças, (dizem que) maior de idade a partir deste ano civil, é convocado e o Ruben Neves se encontra de férias… e de se questionar do porquê de haver quem coloque dúvidas da razão do WC com 45M€ de cláusula de rescisão, não jogar em detrimento do Danilo… ou que se admire por, agora que está no Beşiktaş, Quaresma ser exultado de bestial pelos mesmos sabujos e/ou pés-de-microfone que, há menos de dois anos, o consideravam uma autêntica besta, talvez porque, na altura, “só” trajava de azul-e-branco…

mais uma vez reafirmo: não desejo nada de mal àquela “equipa que (definitivamente não) é de todos nós”®; mas não serão as suas derrotas que me farão estar acordado, de madrugada e 48h depois do resultado final, ou vibrar, como um louco, com os seus (eventuais) sucessos desportivos.
para eles, que agora estão por terras gaulesas, votos de saudinha e de continuação (não se sabe é de quê), e é só. ah! e que o Danilo seja efectivo ao banco, e que o WC com 45M€ de cláusula de rescisão seja titular em todas as partidas – tal e qual como o gajo das tranças, por forma a que o Carnide tenha o ‘guito‘ suficiente para pagar as comi$$õe$ ao Mendes, que este não trabuca de borla, nem gosta que lhe paguem só em miminhos, independentemente da “gloriosidade” da agremiação em causa.
agora e assim termino, há algo que, em mim, não mudará nem que a vaca tussa ou Portugal se sagre campeão da Europa no escalão sénior, em Futebol: pior do que aturar o chauvinismo francês, é ter que suportar diariamente o atávico, serôdio, bafiento, néscio, absurdo, incongruente, centralismo que me/nos tentam impingir. a esse e aos seus defensores, que os há!, estico o meu dedo médio, o “pai de nós todos”, bem alto, enquanto vou traulitando esta cantilena aqui

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post scriptum pertinente:

eu sei que a foto acima não é da equipa de 1921, antes o onze titular que alinhou frente a Inglaterra, em 1966.
para mim, vai dar igual, porquanto que as estórias, nas fases finais, que envolvem as equipas das quinas, são sempre iguais e tendo sempre o mesmo centralismo a elas “acorrentado” – aconteçam elas em Espanha, em Inglaterra, em França, no México, nos Países Baixos, ou na Coreia…

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disse!
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12 thoughts on “esta “equipa” não é para todos…

  1. Eu bem quero ser patriota, mas este centralismo consegue engolir esse patriotismo.
    Com um raio carago! Este Portugal dos Sécs. XX e XXI…

    E depois são aquelas publicidades a “chamar” mais Portugueses para os apoiar.
    Para quê? Para depois levarem bem forte? Para que seja a história que Portugal é do Minho ao Algarve? E depois é só a capital e o capitalismo que interessa? As vaidades de CR7 e mais umas mariquices quaisquer?

    E não admira que nós Portistas chamemos ao FC Porto de uma Nação que quase é um país.

    Áh! Já agora, aqueles 7-0 ontem, rapazes não se iludem, porque quando é a doer vocês até tremem.

    Abraços.

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  2. E fica bem a foto.
    Ao que parece, o guarda redes Américo, nesse campeonato era o melhor de todos…mas colocado a suplente!
    Não é de agora, nem de ontem.
    Eu só conheci a partir da década de 80
    Mas, carago ! Quanto eu anseio por sentir de novo o grito de quem não se subjuga(va) !
    E para meu gáudio, dentro das quatro linhas é que lhes faziamos doer !

    Um abraço
    Luis (Coimbra)

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