o FC Porto perdeu(-se)…

futuro© FC Porto
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« os adeptos este ano têm sido extremamente apoiantes e compreendem que estamos numa fase de transição.
estão com a equipa e, ainda no último jogo, mostraram que estão com a Equipa, mesmo sofrendo nos minutos iniciais. quando digo “adeptos”, não digo todos os que vão ao estádio; são mesmo os adeptos do FC Porto. não podemos esquecer que, por contratos comerciais, temos que dar umas centenas de convites que, depois, as empresas não estão preocupadas em entregá-los a portistas. sabemos de gente que vai lá  
[ao Estádio], não para desfrutar, mas para mandar umas assobiadelas. aqui [em Leicester] não acontece, pois vêm os portistas e não os que não são adeptos. »

Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa | 26 de Setembro de 2016
(presidente, em palavras ao Porto Canal. vídeo aqui, a partir dos 2’49”)
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caríssim@,

no meu entendimento, toda e qualquer análise que se possa tecer à vergonhosa exibição (mais uma…) de ontem, em Leicester, terá que ter por base de sustentação aquelas palavras ali em cima, da autoria do nosso querido líder, mormente a passagem que refere que (e cito) «estamos numa fase de transição». este é um dado novo, sobretudo porque recordo-me (muito) bem e tenho que o trazer à colação, em Abril último, o discurso oficial (mesmo que presidencial), ia noutro sentido – no de se terem identificado os erros de um Passado muito recente (sobretudo os últimos quatro anos) e de se estar a construir «uma equipa à imagem do carácter dos jogadores [veteranos] do FC Porto».
mesmo com a “promessa” de não garantir títulos, foi “vendida” a mensagem de que algo (para) diferente e para melhor do que, até então, estava a ser (mal) feito, iria ser concretizado. eu “comprei” essa mensagem, acreditando que o Futuro, mesmo com “dores de crescimento”, poderia ser efectivamente melhor, mais risonho, mais azul, do que esse Passado (de má memória). (pelo menos) desde Abril e nessa espécie de “pré-época”, em nenhum momento foi aflorada a questão de se estar numa «fase de transição». e, repito-me, este é um dado novo e que ajuda a perceber o muito do nosso actual (des)Norte. explico.

se, por «fase de transição», se entender que esta será uma nova época sem a promessa de conquista efectiva de títulos, e por muito «carácter» que se tente “impregnar” no actual plantel, então “estamos conversados”: somos efectiva e comprovadamente o ‘outsider‘ dos (ditos) três grandes, inclusive com menos favoritismo do que os gverreiros (lampiões) do Minho na disputa pela terceira vaga para a próxima edição da Champions. aliás, só assim e no que julgo (não) saber, se poderá compreender a própria construção do actual plantel, o qual, para lá de todas as carências – em quase todos os sectores (mormente na questão central da defesa e, já agora, do ataque) – e também em relação às “outra$” carncia$, tem a média de idades mais jovem dos seus mais directos competidores.
mas – e há sempre um (maldito) “mas” – também convém referir que há questões, na constituição de um plantel tão jovem como este, que ficam difíceis de se perceber, mesmo à luz (salvo seja!) de uma «fase de transição»: por exemplo, por que é que não se apostou ainda mais em jogadores da formação do Clube – e refiro-me concretamente aos exemplos do Gudiño, do Rafa, do Vítor García, do Ivo e do Gonçalo Paciência? bem sei que eles têm que “ganhar calo” na Primeira Divisão, ao invés de andarem a aquecer os bancos em alguns dos “eirados” desta última mas, para mim, faria mais sentido integrá-los, desde já, neste plantel do que haver a indefinição de se poderem juntar ao grupo “mais lá para a frente”. assim, sim!, haveria a confirmação de uma (e cito) «aposta séria na Formação».

se, por outro lado, por esta mesma «fase de transição», se entender que se pretende desresponsabilizar, seja quem for, a começar e a terminar no máximo responsável pelos destinos do Clube e/ou da $AD, por um eventual (novo) descalabro desportivo, então a “emenda ainda é pior do que o próprio soneto” – no sentido em que a margem de manobra, a ser este o caso, já não é muita, e para não afirmar que até se encontra num (muito) ténue fio de confiança, inclusive pela parte de muitos daqueles «adeptos portistas», o qual ameaça quebrar a qualquer momento – vide estes textos exemplares (e muito exemplificativos) aqui e recentemente aqui.

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tudo o que acima afirmei entronca no inenarrável jogo de ontem, em Leicester. para mim e para os meus olhos, foi mau demais para ter sido verdade. perante o “belenenses” da Premier League [© Silva, aqui], a jogar como qualquer “tondela” ante nós, fomos para lá de vulgares e não soubemos, nunca!, impor a nossa condição de, entre todos os representantes desta edição, só o Barça e o Real Madrid terem igual número de presenças na Champions – um facto que, por si só, deveria bastar para podermos ter feito história, pela primeira vez, em terras de Sua Majestade. a verdade, é que, ontem, houve mais uma estória para contar, na nossa (vasta) história de infortúnios na Bretanha, a qual foi sentenciada pelo cotovelador-mor que mais abomino na actualidade – e para gáudio de uma besta a quem desejo, todos os “santos” dias, que lhe cresça um pinheiro (atravessado) onde o Sol definitivamente não brilha.
acima de tudo, considero que não houve Vontade (os dez minutos iniciais e os últimos dez da segunda parte, não servem para contestar esta minha convicção, pois legitimamente pergunto: e os restantes setenta minutos serviram para quê?…); houve erros técnicos em demasia (por que regressaram André² e Adrián das cabines?! por que se jogaram mais de setenta minutos com linhas baixas, ante uma equipa que pratica jogo directo para a área adversária? qual é a verdadeira missão do Óliver, nesta equipa? a quem cabe a construção inicial do jogo da equipa? qual a razão para nunca se ter procurado a linha de fundo para cruzar, sabendo-se das dificuldades do filho do Peter nos cruzamentos?); houve demasiados erros individuais e colectivos, numa equipa que pareceu estar sempre, mas mesmo sempre, aquém (e além) das suas responsabilidades – e não foram os últimos dez minutos da partida e uma arbitragem (muito) para o “caseirinha” (como é habitualmente recorrente no apitador turco), que me farão mudar de opinião.

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em suma (e para não maçar ainda mais):

custa-me muito escrever estas linhas e de estar com este sentimento (de desolação, bem mais do que tristeza. e de algum (in)conformismo à mistura), precisamente no dia em que o nosso clube do coração comemora cento e vinte e três anos de idade *. e assim se justifica o título desta prosa…
é mesmo mau. demais. para. ser. verdade…

* estou tão, mas tão fodido, e com um F bem maiúsculo, que já antecipo algumas mensagens a gozar com a data de constituição do nosso Clube.
a esses, (in)vulgar e (in)variavelmente adeptos daquela agremiação criada nas traseiras de uma «farmácia», numa época em que esta se escrevia «pharmácia» e que adoptou, como data de criação, o ano da agremiação mais antiga naquela agregação (!!!), o meu veemente desejo de que continuem a ir para a putinha que vos pariu, mas sempre com muito “respeito” entre nós e como assim tem que ser, entre verdadeiros desportistas

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disse!
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16 thoughts on “o FC Porto perdeu(-se)…

  1. Apoiado (principalmente na putinha que os pariu mais a besta)!
    Agora nós:
    Recuso referir-me ao inenarrável jogo de futebol, mas quero “malhar” no “nosso querido lider”, Jorge Nuno, que por estes dias parece mais de Lima que Pinto da Costa. Ultimamente até parece falar para retardados tal a discrepância no discurso, não pela força da biologia mas pelo imenso deserto de idéias, sem falar das contradições. Embora sujeitando-nos ao surgimento de Vales e Azevedos, necessitamos, urgentemente e de forma legal, de mudanças naquela área da Sad/Clube.
    Nunca pensei escrever isto.

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  2. Eu já nem sei se a haver mudanças no futuro, poderá levar-nos a ter um rumo diferente – vitorioso – ou para esta peçonha que se alastra de ano para ano.

    Ontem estive a ver o futebol e o basquetebol, e perguntei por que raio é que os nossos jogadores de futebol não jogam “futebol”, quando no pavilhão se encontra uma equipa que joga basquetebol de qualidade sem quem for o oponente.

    Abraços.

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    1. com o rumo actual, que é o mesmo desde há já quatro anos, dificilmente haverá Vitórias. custa tanto escrever isto, pesa tanto na Alma sentir-me assim, que ninguém imagina o quão difícil é partilhar este sentimento publicamente.

      abr@ço forte
      Miguel | Tomo III

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  3. ” já começo a duvidar da data da fundação do FC Porto”

    portanto teve sempre dúvidas; bastou uma derrota em Leicester para se ver a qualidade de algums pseudo-Portistas. 😦

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    1. @ Adelino

      principia o seu “comentário” fazendo uma citação que não se encontra no texto, nem em nenhum dos comentários que o precedem.

      de facto, a iliteracia e/ou analfabetismo funcional são tramados com um F bem maiúsculo, só para podermos sustentar a nossa convicção de (como é que é,mesmo?) «se ver a qualidade de algums [sic] pseudo-Portistas»… e sabe porquê? porque eu não afirmei o que coloca entre comas; porque não é esse o meu sentimento; porque nunca seria um só jogo que faria mudar o meu sentimento, o meu Amor incondicional pelo meu clube do coração – inclusive na questão da data da sua fundação, tão contestada pelos nossos detractores e a quem se destina o meu último parágrafo no texto. quero acreditar que o Adelino não é um lampião, sequer um calimero; quero «acarditar»…

      ps:
      eu estou bem fodido e completamente passado da cornadura; mas acredito que o adelino ainda esteja mais. e porque o afirmo? simples: não vale vir para este espaço (in)tentar achincalhar o seu administrador, quando nem um simples texto, escrito em Português escorreito, consegue interpretar.

      “disse!”

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  4. Calma Miguel…

    Olha que houve uma criatura pequenina, do tamanho de um anão Tolkien, que desejou que enfardássemos em Itália.
    Como cá se fazem, cá se pagam, a merda do clube dele, mais ele, trouxeram, de Nápoles, uma derrota moralizadora que só peca por escassa.
    Mas, como com o mal dos outros podemos nós bem, nós, os portistas, andamos feitos baratas tontas – e ainda só vamos na 4ª ou 5ª jornada nacional, e na 2ª da “xempes”. E até já vemos fantasmas por todo o lado!

    Por isso e para retratar bem o nosso panorama actual, nada como esta aqui

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  5. Miguel, que é isso?! O F. C. do Porto “perdeu-se”?! Acabou?!
    Ó Portista dum raio, o Nosso F. C. do Porto é eterno, imortal. Até a perder temos mais categoria que qualquer porcaria neste país.
    Esse discurso assenta bem a [alguns portistas, que comentam assiduamente na bluegosfera] e que andam há dois anos a escrever o que escrevem sempre com a ressalva de que “nunca pensei escrever isto”. Não a quem ama este clube como o outro amava a Angelina enquanto ela teve mamas.

    Os Carvalhos e Vieiras até poderão algum dia – cruzes, canhoto! -, ganhar o que nós já ganhámos. Mas nunca ganharão com a mesma classe – por exemplo, com um golo de calcanhar, ou com A cagança como manda a p*** da sapatilha. Já fizemos ajoelhar alemães, sarracenos, franceses e sul-americanos. A nós, nunca terão o prazer de nos ver de joelhos.
    Podemos passar momentos menos bons, mas eles que se cuidem porque já viram o fogo do Dragão, mas nunca viram o mar a arder e os peixinhos à tona da água.

    Nós voltamos, não tenha nenhum tipo de dúvida!

    Abraço

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    1. @ drulo

      antes de tudo, ‘muito obrigado!’ pela partilha pública do teu comentário, o qual e desde já agradeço.

      sobre o contraditório àquele:
      quando afirmo, em título, que o FC Porto «perdeu(-se)» é no exacto sentido em que, “aquele” FC Porto a que fui (mal) habituado, mormente durante as décadas de ’90 e ’00, como que desapareceu. não sei se concordarás comigo, mas actualmente e com as mesmíssimas pessoas a guiá-lo e a (in)tentar guindá-lo para o Sucesso, tudo é diferente e para pior, tal como reza o faduncho «ai que tristeza, esta minha alegria / ai que alegria, esta tão grande tristeza / esperar que um dia eu não espere mais um dia / por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente». o jogo de Leicester foi só a gota de água, para mim. e com a agravante que refiro logo no início da prosa – aquela que refere e de acordo com a última intervenção presidencial, de que esta é uma «fase de transição». eu desconhecia este factor; e tu, sabias que esta é uma «época de transição»? é que eu acho que faz todo o sentido perceber o que raio pretendemos, não só para a época em curso, mas sobretudo para as próximas três que se avizinham. e o que (não) se sabe não augura nada de bom, parece-me. ah!, e já para não referir que abomino a Mentira. e parece-me que o Jorge Nuno voltou a enganar o Pinto da Costa (não sei se me faço entender)…

      olha. mais do que palavras, confere aqui e sobretudo aqui, uma pujança e uma vitalidade que não se vêem na actualidade. então aquele segundo vídeo é exemplar – no sentido em que coloca o escarro do Catarro, personificado em tudo o que é sabujo e pé-de-microfone no jornalixo tuga, no cantinho de onde ele nunca deveria ter saído…

      ps:
      propositadamente editei o teu comentário, omitindo a individualização que referias. considero que não há essa necessidade, sobretudo porque conheço bem a pessoa – um portista da velha guarda, daqueles que ultrapassaram o “deserto” de dezanove anos somente com a conquista de uma singela Taça de Portugal, e que actualmente anda (bem) mais doente do que eu e tu juntos 😉

      abr@ço
      Miguel | Tomo III

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