«ganhámos (apesar do treinador)»

© zerozero
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caríssim@,

antes de tudo, uma pertinente advertência:

com o texto que se segue, o qual será ligeiramente para o looongo, aos olhos de alguns (muitos?) talvez vá parecer que sou o tolinho que se encontra na auto-estrada, em contra-mão, e que julga os outros condutores – todos eles! – por considerar que são os que estão errados, e não ele… aliás: não é «talvez», é mesmo! mas não me importo, pois estou consciente do “erro” que estou a cometer, qual ovelha choné a remar contra a maré [rima propositada]…
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(re)vi a partida deste último Sábado, ontem, em diferido e na tranquilidade do lar, e depois do muito desassossego que pude ler na bluegosfera. aqui chegados, confesso publicamente, não só a minha douta ignorância sobre essa sapiência que é o Futebol, assim como a minha incredulidade perante tanta crítica – acérrima, feroz, tenaz, acre e, com certeza, que igualmente válida (e não me compete julgá-la, antes pelo contrário, e nem sequer é essa a razão de ser desta prosa) – e logo numa vitória…

acusem-me de resultadista; sincera e honestamente quero lá saber! de há uns seis anos a esta parte (pelo menos), aquando da passagem do bitó Pereira, pelo nosso clube do coração, que coloco o pragmatismo do resultado final à frente de outras questões – em tempos, tidas como «de ópera» que, como é do conhecimento geral, é mais lá para os lados do S. Carlos, na capital do império (da ‘piovra‘). por exemplo: desde aquela altura, quando me desloco ao nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos, (supostamente aquela que deveria ser «a nossa fortaleza»), existem três resultados possíveis com que poderemos ser brindados, no final das partidas, quando e num Passado (já nada) recente, quando ia às Antas, só considerava a vitória como o único plausível.
talvez esteja a ser exacerbadamente altivo e sobranceiro, ao afirmá-lo, mas será sempre para o lado que dormirei melhor, porque é o que sinto actualmente. esta minha atitude é também uma forma de me defender das expectativas (sempre altas) que tenho quando joga o meu clube de Sempre. pode parecer incongruente, mas desde aquela altura, a do bitó – em que cheguei a assistir a jogos ao vivo e a cores que (literalmente) me fizeram adormecer, tal era o soporífero do “futebol” praticado, assente numa estéril posse de bola e no «o Hulk resolve» – que me sinto assim: espero que se consiga a vitória, nem que seja com um golo em fora-de-jogo, nos instantes finais da partida (‘oh! wait!‘…). e é por demais evidente e óbvio que continuo a perder noites de sono com os nossos desaires, tal&qual como tu, mas isso, agora, não vem (nada) para o caso…

estas recordações assaltaram-me ontem, enquanto revia o jogo de Sábado, o qual, pelos vistos e depois daquelas críticas todas, é ligeiramente diferente daquele visionado pel@s demais portistas da bluegosfera (e não só). explico.
do que me foi dado ver, mais uma vez o nosso treinador adoptou uma espécie de sistema táctico em função do adversário que a equipa defrontava a seguir à última partida. desta feita, fê-lo utilizando um esquema de 4 médios o zona nevrálgica do meio-campo, prescindindo de extremos “puros” – algo que, por exemplo, em tempos idos, José Mourinho fez em todos os desafios que o FC Porto disputou para as competições europeias, nas épocas 2002/2003 e seguinte. e diz que o Prof. Jesualdo Ferreira também o fez e por mais do que uma vez, e com relativo sucesso… e já sei que os plantéis são todos diferentes, e que as qualidades futebolísticas dos médios de agora e de então não podem ser comparáveis (há quem advogue perda de Qualidade…), e que qualquer coincidência de esquemas tácticos entre esses tempos e os de Hoje é pura especulação e uma total perda de Tempo… mas, não foi o Nuno, e não um qualquer Espírito Santo de vão-de-escada, que afirmou que (e cito): «não há um sistema táctico, há uma ideia: os laterais estão constantemente projectados; os médios que envolvem, que rompem; e os avançados que estão sempre perto da grande área adversária. assim, em 60 metros, não há um sistema que se possa identificar, não há 4-4-2, nem 4-3-3. há uma ideia!»? e não foi o mesmo Nuno que afirmou (e cito): «a minha mensagem é única e coerente. acredito fielmente na Comunicação. acho que os jogadores ouvem o que dizemos, sentem o que dizemos e tentam reproduzir isso nos 90 minutos. nem sempre foi assim, mas na maioria das vezes sim. não vejo necessidade de mudar a linha de Comunicação de, como ouço, “dar murros na mesa”. o importante é passar uma mensagem coerente e clara para os jogadores»? então, qual a surpresa de, na Amoreira, termos jogado com quatro médios?! pelo que afirma e em Absurdo, até poderemos jogar sem avançados frente ao spórtém…
o importante a reter, pelo menos para mim e considerando aquele pragmatismo que expus ali atrás, é que houve a assumpção de um erro na explanação daquele sistema de 4 médios. é que e pela primeira vez, Nuno resolveu mexer na Equipa e corrigir um sistema que não estava a resultar (de todo!) ainda na primeira parte do encontro. eu acho que esteve bem em emendar a sua decisão primeira, mas e pelo que pude ler na bluegosfera, até parece que foi cometido um qualquer sacrilégio… aliás, recordo-me de outras partidas “deste” FC Porto, “do” Espírito Santo, na primeira volta, em que nem chegámos a esgotar as três substituições a que temos direito por Lei e quando o jogo “pedia” algo (substancialmente) mais* (melhor?)…
[* dá para compreender um pouco mais (melhor?) a minha actual condição de “resignação”, aquele afirmar de um certo pragmatismo?…]

na partida na Amoreira também deu-se o caso de os primeiros 45′ terem sido amorfos, sem muita chama, sempre a dar a sensação de que estávamos a disputar a partida, mais do que para a vencer, antes para não sairmos de lá sem qualquer ponto conquistado. (infelizmente) já não é a primiera vez que o sinto e a gota de água, para mim, foram aqueles inexplicáveis vinte minutos finais da partida ante o 5lb, no Dragão – em que conscientemente se optou por resguardar o 1-0, qual equipinha pequenina e ante um adversário que, desde o primeiro minuto, se preocupou em não perder (aliás, aqueles festejos efusivos por se ter conseguido um empate, ao minuto 92′, assim o indiciam…).
por outro lado, também vi, ao longo dos 90′, que esta Equipa tem fibra, tem raça, tem carácter, tem garra e não se dá por vencida antes do apito final – e numa clara antítese, por exemplo, para a época transacta. nota-se, sente-se o Espírito de Grupo – e só assim se poderão justificar as reacções de Casillas e de Marcano, ao golo sofrido na Amoreira (num lance fortuito do Estoril, é certo, mas num remate perfeito e só defensável com os olhinhos). e, acho eu, esse deverá ser um mérito que, com toda a Justiça, se deverá imputar ao actual treinador do FC Porto**, ou não será assim?
[** curiosamente o mesmíssimo treinador cujos seus festejos, aquando do nosso segundo golo, foram postos em causa/severamente criticados/alvo de censura (!!!) – como se tivesse que haver um qualquer código de posturana altura de um momento orgásmico, como é o de um golo a favor do FC Porto…]
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em suma e como bem afirma o RCBC, na sua mais recente prosa:

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« a pergunta que me coloco a mim próprio é: será razoável “pedir lagosta com champanhe”, até ao final do campeonato, em vez de “um bom bitoque com batata frita e coca-cola”?
para mim, a focalização até ao final da época deverá centrar-se sobretudo em termos um nível de eficácia e de competência, que nos permita arrecadar o máximo de pontos possível, com maior ou menor fulgor exibicional. […] sinceramente já estou preparado para assistir a “concertos de bombo” (e não «de ópera») e a “comer bitoque com batata frita” até ao final do campeonato. não se trata de falta de ambição ou de exigência, trata-se de realismo. »
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© google | superporto
(clicar na imagem para ampliar)

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também me foi dado ver e dentro do possível que a (fraca, péssima) realização da transmissão televisiva o permitiu, que e mais uma vez nesta época (que ainda não terminou), e tal&qual como as anteriores duas, que tivemos que lutar contra tudo, contra todos e contra os tolos do costume – i.e., e não há como o sonegar, contra uma equipa de apitadores que souberam (muito) bem ao que foram e desde o seu início (desde a sua nomeação). tenho para mim que o “servicinho” estava muito bem encomendado…

façamos um exercício simples de “supônhamos que” [brincadeira].
imaginemos que aquele fora-de-jogo, muito mal assinalado pelo mesmo bandeirinha que foi incessantemente pressionado pelo “illusionista” igualmente natural do País Basco, mas que comanda o Estoril, e que aconteceu aos 6′ do encontro, e que a imagem acima documenta o que a realização da transmissão televisiva não repetiu e o tribunal do pasquim do ‘quim oliveirinha não analisou, sonegando esse facto de forma despudorada, não o era. imaginemos que o lance decorria com a normalidade que deveria ter acontecido, e que faríamos o golo – algo muito provável de poder ter acontecido, não fosse esse lance indevidamente invalidado.
aos 7′ minutos, a vencer por 0-1, num campo tradicionalmente difícil e ante um opositor que, contra nós, não cede e tudo faz para (pelo menos) empatar o resultado – e ao invés do que acontece quando os outros, ditos “gloriosos”, lá vão passear – o jogo seria outro, certo? porventura não teria havido aquela sofreguidão final, aquela ânsia na procura de um golo que tardava em acontecer. e, se calhar, muitas das críticas que se teceram (e que ainda se tecem…), não teriam visto a luz do dia, correcto? pois…
mas, não foi nada disso que aconteceu e os 2 golos que marcámos também o foram contra a “encomenda” (do) oliveira, o apitador que nos sonegou duas grandes penalidades, não concedeu a lei da vantagem aos 18’, num lance em que optou por assinalar a falta (que existiu!) sobre Diogo Jota, quando Herrera e André² seguiam isolados para um golo certo, e que foi basto permissivo com a distribuição de “lenha”, de “cacete”, de “pau”, de porrada velha, por parte dos canarinhos – e que não os de Terras de Vera Cruz, que esses também sabem jogar à bola. os da Amoreira é mais às pernas dos jogadores…

já agora, um parêntesis para afirmar que a autêntica roubalheira, em termos de arbitragens, esta época, também atinge os jogos da Segunda Liga, mormente aqueles em que intervém o campeão nacional em título.
a imagem que se segue é só mais um exemplo, e refere-se à partida de 14 de Janeiro último, ante o Aves, num empate muito amargo…

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© google | Tomo III
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é por demais evidente o adiantamento do guardião do Desportivo local, no momento em que Fede Varela remata – algo que escapou ao apitador de serviço, certamente que por dificuldades de visão total desse lance, do ponto (nada) privilegiado em que se encontrava [modo de ironia ‘off‘]…
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© fotos da curva | Tomo III
(clicar na imagem para ampliar)

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por último, uma palavrinha para quem se diverte com o rebentamento de petardos em jogos de futebol e considera que (e cito) «’no pyro, no party, no fun‘»:

o vosso lugar não é no Futebol.
aliás: o vosso lugar é bem longe de recintos desportivos, estádios de futebol incluídos.
o que vocês fizeram, este Sábado, só dá razão a tod@s os que nos querem “muito bem” e que gloriosamente aguardam por momentos como esses para nos entalarem bem entaladinhos – por exemplo, no recolher de dados e/ou de factos em que as nossas claques estejam envolvidas e independentemente dos seus membros que prevaricaram, para imporem ao Clube (pelo menos) um jogo à porta fechada por «comportamento incorrecto do público» e «arremesso perigoso de objectos» – uma sanção prevista no art. 178º do Regulamento Disciplinar da Liga.

(e, note-se bem, que prezo muito o trabalho meritório das claques portistas, mas ele há momentos em que a crítica também deve ser tecida, de uma forma justa e objectiva, para o Bem de tod@s quant@s amam o Clube e independentemente da forma como o sentem.)
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e, chegados aqui, com a interrupção da partida por duas vezes – uma delas quando estávamos a massacrar a defesa estorilista e dentro do que a adjectivação daquele verbo (massacrar) comporta na partida em causa – estou certo de que a multa que será dirigida à $AD portista, esta semana, será muito avultada* – porventura num total de 300 UCs (ponto 2., do art. 186º), sendo que cada UC tem o valor de 78 euros… «é só fazer as contas», parafraseando o outro… e também estou certo de que, apenso àquela multa, estará um aviso de que não haverá contemplações, numa próxima vez, porque… não haverá lugar a uma próxima vez.
[* a multa teve um total de 9028 euros (aqui, a pág. 7 e 8)].
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disse!
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9 thoughts on “«ganhámos (apesar do treinador)»

  1. NES, neste ultimo jogo teve duas faces de uma mesma moeda: ora foi o “parvo” em meter 4 médios de características semelhantes, ora foi o “esperto” em fazer as substituições a tempo da vitória.
    Eu até posso perceber o tal esquema da 4 médios, mas isso pode-se aplicar com a vitória quase garantida. Para estes jogos é preciso por em prática um sistema que dê mais dinâmica e mais intensidade, assim como aquele com que se acabou o jogo no Estoril.

    Por outro lado, o Sistema (o ‘polvo’) já está a tremer em todos os sítios. E aqueles 2 penaltis que nos gamaram foram mais 2 motivos para nos tentar parar de dar mais uns ‘toquezinhos’ nesse sistema. Estamos na luta, onde até parece que estamos a ganhar terreno.

    PS: Sábado estamos lá?

    Abraços.

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  2. Viva Miguel,
    Li com a atenção possível o longo “post” e concordo com quase tudo.
    Mas, agora, os meus “bitaites”:
    É evidente que parece haver na equipa Espírito de Grupo, mas… Eu acho que o problema não é mais ou menos união entre os jogadores; o problema consiste na deficiente organização e na (ainda) ausência de automatismos na equipa…
    Continuo a insistir que o NES ainda não tem estofo suficiente para comandar as tropas do Dragão.

    No próximo fim de semana vem aí o Clássico- mais um teste para avaliar a competência do actual (des)treinador do FC Porto… Oxalá me engane.

    Abraço,
    Armando Monteiro | dragão atento

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  3. Não! 🙂
    Não corrigiu na primeira parte. Na primeira parte fez uma substituição. A única intenção possível dessa foi meter um jogador melhor do que o que tirou. No mesmo exacto lugar. Ponto! E, se queres mesmo saber, errou. ‘Twice’, portanto. Só depois de mais 20 minutos na segunda parte é que mudou mesmo. E bem! E a tempo!
    Convenhamos que seria preferível ter acertado logo de início. O que era aparentemente fácil; tendo em conta o jogo, bastaria apresentar a SUA equipa – a que ele assina e trabalha há um porradão de jogos.
    Mas ganhámos, ‘i’m happy’. Só prefiro que não se repita, porque acho que não ganharemos muitas vezes. Assim.

    Sim! 🙂
    O caráter, a união, a alma até Almeida na maioria dos jogos. Mérito indiscutível do treinador. E é o que nós tem trazido até aqui, a esta distância mínima. Portanto, se estamos na luta, e isso não é estar à frente!, é mérito de NES!
    Mas, ‘hey!’, lembras-te da última vez que, mais do que estar a um ponto!, estivemos mesmo à frente? Eu sim. Era um dos ranhosos seguidistas que não assobiou! Agora, (ainda) atrás, continuarei a aplaudir todos os cincazeros que faltam até sermos campeões. Se não repetirmos o Rio Ave e o Estoril, estaremos mais perto. Só isso.

    Abraço

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  4. caríssimos,

    muito obrigado! pela regularidade nas vossas visitas, pelos comentários e pelas vossas gentis palavras!

    no fundamental:
    bem sei que a posta é longa – ‘sorry‘, Armando; é a imagem de marca deste espaço. a ver se a próxima é mais curta… 😀

    mesmo assim, acho que fica bem vincada a distância que nos separa nalgumas questões – o que considero salutar, note-se. por exemplo, eu acho que o Nuno errou mas que foi a tempo de emendar esse erro. e ainda na primeira parte! eu acho que ele não o fez de propósito. eu acho que ele tentou baralhar o esquema táctico, por forma a surpreender o Basco do Estoril, e apesar de se ter dado mal.
    e, veja-se só!, apesar dessas «invenções», ganhámos! não foi obra do Espírito Santo, porque ela não caiu do céu aos trambolhões; mas o Nuno também tem cota-parte na sua conquista porque contribuiu, do banco, para que ela tivesse acontecido.
    o que estou em crer que nenhum de nós faria, era criticar os festejos do treinador, aquando do nosso segundo golo. mas até isso eu pude ler por aí. e por mais do que um ‘blogger’…

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    abr@ços a «ambos os três» 😀
    Miguel | Tomo III

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