o Futuro é agora, porra!

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como adepto também cheguei ao final da paciência.
a mim não me interessa o que já ganhei. o que o FC Porto ganhou é Passado, e está no Museu. é a história que ninguém pode mudar.
candidato-me porque as coisas estão mal e é preciso voltar colocá-las como eram. e como me sinto com capacidade para isso, tenho a certeza de que eu e a Equipa que me acompanha, iremos dar a volta ao que não está bem.
não me candidato, nem quero que defendam, ou que votem na minha candidatura, por aquilo que eu ganhei; candidato-me para que o FC Porto volte a ser o que foi, durante décadas, durante a minha presidência
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Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa | Abril de 2016.
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caríssim@,

aquelas palavras, proferidas pelo nosso querido líder aquando da sua campanha para nova reeleição presidencial e que viria a vencer (porquanto que foi candidato único nas últimas eleições para Presidente do Clube…), um ano e um mês depois permanecem extremamente actuais. demasiado actuais, até.
acontece que, neste entretanto e pese embora ainda ser matematicamente possível o título nacional, esta será mais uma época “a seco”. a quarta consecutiva*, num inédito (inusitado?) recorde negativo em 35 primaveras de sucessos retumbantes.
* bem sei que, a 10 de Agosto de 2013, conquistámos a vigésima Supertaça Cândido de Oliveira do Clube, com o “palminhas” fonseca ao comando dos destinos da equipa azul-e-branca. mesmo assim, há quatro épocas que deixamos fugir o troféu maior a nível nacional. e esse, para mim, é o que conta.

não há como escamoteá-lo: no que ao futebol sénior diz respeito, este foi novamente um ano desportivo ‘muit’amau’. e não há por que escondê-lo, antes encarar esse facto insofismável de frente, por forma a nos precavermos no Futuro – o qual (espero) já deverá ter começado a ser definido e delineado no regresso ao continente, depois do descalabro na “pérola do Atlântico”.

sem pretender ser exaustivo, de positivo (sim!, porque, nesta época prestes a findar, também houve situações que nos fizeram sorrir), retenho o “milagre” da eliminatória de acesso à fase de grupos da Champions, ante a toda-poderosa AS Roma e numa altura de basta descrença, entre a turpe azul-e-branca, nas efectivas capacidades da Equipa; as nove vitórias consecutivas para o nosso comezinho campeonato (entre meados de Janeiro e a primeira quinzena de Março), com exibições que chegaram a ser categóricas (Estoril, Guimarães, Tondela, Nacional…); o reforço de um espírito de grupo como há muito não se via num plantel azul-e-branco, a indiciar que todos “remam”  efectivamente para o mesmo lado, em prol de objectivos comuns e de grupo, e não individuais.
foram tempos que nos permitiram sonhar e considerar que seria possível ir festejar um tão ambicionado título para os Aliados. e eu – tal como tu e tod@s no Clube (dos dirigentes, passando pelos treinadores e jogadores) – senti-me acreditar nessa forte probabilidade. curiosamente (ou talvez não…), foi o período em que o Dragão finalmente acordou de uma inerte e indolente letargia, resolvendo apostar forte no combate ao «polvo», com o aparecimento do programa “Universo Porto – da bancada“. e, sim!, é impossível fugir a este (mais do que previsível) tetra da treta sem referir o basto #colinho, com imenso #mantoprotector e fartas #cartilhas; mas também houve (ainda há!) erros próprios, os quais são da nossa exclusiva responsabilidade, e é sobre esses que importa reflectir – porque são aqueles que conseguimos controlar.

de (muito) negativo, refiro os cinco empates obtidos nos últimos sete jogos e que nos custaram a efectiva aproximação a esse líder com pés de barro e futebol muit’a pobrezinho; uma errática política de “rotação” de jogadores, com alguns #lesadosdoNES (João Carlos Teixeira e Depoitre à cabeça); um imperceptível modelo de jogo (ou algo parecido com tal), mormente depois daquele empate com sabor a derrota ante o Setúbal “de” couceiro, e em nada condizente com os pergaminhos do Clube e que indicia sobretudo que se prefere não sofrer golos ao invés de os procurarmos desde o primeiro segundo das partidas.
são os tempos presentes, que levam a que se duvide de tudo e de tod@s, e se dispare indiscriminadamente, com tudo o que de injusto tal acarreta.

ou seja: é impossível não dissociar aquelas afirmações do Presidente com estes factos desportivos. portanto, sim!, não estamos na mesma: estamos pior. e, como tal, há responsáveis por este mau ano desportivo. e há nomes que têm (devem!) que ser mencionados, porque no FC Porto “a culpa não morre solteira”. à cabeça, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa – porque tudo no Clube principia e acaba na sua figura – e os seus ‘compagnons de route‘ de sempre e para Sempre, actuais membros directivos da $AD azul-e-branca. depois destes, o do actual Director-geral, eng. Luís Gonçalves – e apesar de ter recebido “a criança em braços” já com a época em curso. depois, a equipa técnica escolhida pelo Presidente. e então, só depois, tod@s nós, adept@s indefectíveis do FC Porto. em suma: tod@s temos culpas no cartório, com maior ou menor responsabilidade. o meu enfoque centra-se nas primeiras.

acho que estamos de acordo que se avizinham tempos difíceis para os lados do Dragão. e não adianta tapar o Sol com uma peneira: tod@s iremos sofrer, de uma maneira ou de outra, apesar daquela mesma responsabilidade. e não!, não estou a ser catastrofista e/ou pessimista, antes realista.
aliás, arrisco-me a tecer o seguinte cenário: a $AD, na figura do seu responsável máximo, mais uma vez tudo fará para inverter este rumo em direcção a um Abismo que parece não ter um fim e que se iniciou com a debandada do £ibras-Boas, a duas semanas de se iniciar a época 2011/2012 – e é bom recordá-lo. e, sim!, ainda não esqueci, sequer perdoei!
para que se inverta esta (espécie precoce de) hegemonia pintada em tons mais rubros, espero bem que não se hipotequem os desígnios financeiros a que estamos obrigados pelas normas da UEFA – muito rígidas, inflexíveis e nada meigas para com clubes da nossa dimensão e periféricos ao centro do P(h)oder futebolístico europeu.
ao contrário da recente e muito bem-vinda “onda azul”, temo que o próximo treinador da equipa sénior de futebol profissional não terá umas condescendência e indulgência tão benévolas por parte daquela – seja ele o Nuno ou qualquer outro Espírito Santo, com agravo para o primeiro caso permaneça para a próxima época (o que desconfio que não venha a acontecer).
assim, aos primeiros desaires que surgirem (que inevitavelmente irão surgir, não haja dúvidas. espera-se e deseja-se é que sejam em menor número do que a época em curso – 01 derrota e 10 comprometedores empates…), prevejo que regressará (em número e em peso) a “homérica” massa assoBiativa, com tudo o que de pernicioso tal poderá acarretar para uma equipa em construção – e sim!, iremos assistir a um novo defeso movimentado para os nossos lados, quanto mais não seja porque está orçamentada a necessidade de «proveitos com transações de passes de jogadores no valor de 115,781M€» (aqui, a páginas 05).

concluindo: este é um cenário plausível e que não se deseja, sequer que se repita, de todo! para tal, já bastam os últimos quatro anos. mas, se vier a acontecer, que se tenha a plena consciência de que há a forte probabilidade de que aqueles quatro anos perdurarão (pelo menos) por mais um. e, sim!, estou muito descrente na capacidade de inversão deste rumo, porque as promessas feitas há um ano não se concretizaram e retumbaram num fiasco. mais um…
é certo que houve melhorias no plano comunicacional do Clube, no qual estamos mais “agressivos” (por que basto incómodos) para com o “glorioso” ‘establishment‘ que (ainda) reina no nosso comezinho futebolzinho tuga;
sim!, a aquisição dos direitos desportivos e económicos de ‘tiKinho’ Soares indicia (mesmo que de forma precoce e/ou pírrica) uma inversão no modelo de contratação, porventura mais voltado para o que de bom existe em território nacional;
sim!, há potencial no actual plantel, apesar de todas as suas limitações, igualmente próprias de muita juventude;
sim!, poderemos, com ponderação, vender alguns dos nossos “anéis” (Danilo, Rúben, Brahimi, André Silva) que o Futuro permanece de certa forma risonho, pois que há muita “matéria prima” de Qualidade nos escalões da formação azul-e-branca,

mas “isto” só, não chega para satisfazer as altas expectativas de um adepto portista. para mim, não bastam. quero e desejo mais, nem que tenhamos que ficar “a seco” outros dezanove anos (e longe de nós vá tal agouro!).
quero é perceber que efectiva e comprovadamente está a haver uma inflexão neste rumo. e, Hoje, e como ali em cima o afirmei, ainda não consigo acreditar, porque os “sinais” dados por quem decide ainda não são satisfatórios e indiciam que as práticas serão as mesmas esperando-se por resultados diferentes – os mesmos que, nestes últimos quatro anos redundaram num enorme z-e-r-o títulos. e é bom que se perceba que são estes últimos quatro anos que estarão sempre presentes no cutelo, ao invés dos anteriores trinta e um de muito Sucesso (talvez porque a memória dos homens seja fraca, talvez porque a Gratidão também tem um fim)…
espero mesmo estar redondamente enganado nestes meus vaticínios e que, de hoje a um ano e se não for antes, possa estar a emendá-los e a pedir-te e a quem de direito, sinceras desculpas pelo sucedido.

finalizando:
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permanecendo (‘ad aeternum‘?) nos destinos do nosso Clube do coração, vai desgastando a sua imagem, bem como aquela aura de líder incontestado e incontestável, que tanto trabalho, esforço, dedicação e empenho lhe levou a construir – os últimos quatro anos são disso exemplo.
[…]
lastimo que, no nosso Clube, não haja quem, sendo frontalmente contra a actual Direcção, não elabore um projecto convincente e o submeta ao escrutínio dos sócios, e mesmo tendo sempre presente a verdadeira abada que poderá levar nas urnas. estou certo da minha mais forte convicção de que, mesmo assim, conquistaria o Respeito de muitos – inclusive dos que contra si teriam votado.
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a toda esta (extensa) prosa e àquelas minhas palavras datadas de Dezembro de 2016, em Março desse mesmo ano expressei publicamente o desejo íntimo de que «quero acreditar em querer acreditar!».
nunca pensei que, mais de um ano volvido, aquelas permanecessem tão actuais e que essas vontades estivessem tão vivas, infelizmente – porque tal significa que voltamos a claudicar e que o Fracasso persiste em se sobrepor ao Sucesso.
e, com todo este relambório, que não se infira que estou a afirmar que não se está a trabalhar, de todo! acho é que esse deve ser melhor direccionado e já no planeamento da próxima época – a começar pela assertividade na escolha do treinador, como sempre.

e, já agora…

… qual é o teu prognóstico, o teu grau de confiança?
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peço-te esse favor de despenderes (e no máximo!) mais um minuto, do teu precioso e valiosíssimo tempo, a responder àquele inquérito, cuja votação termina às 19h30m de amanhã, Quinta-feira, dia 11 de Maio de 2017.

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disse!
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5 thoughts on “o Futuro é agora, porra!

  1. Caro Miguel Lima,
    grande reflexão sobre o estado da nação portista com a qual concordo a 100%.
    Infelizmente tive de votar na hipótese [… que conseguiremos escavar ainda mais um fundo que (per)dura há 4 anos], pois, por muito fundo que o Clube já esteja, parece-me que existe uma espécie de atracção pelo abismo que nos arrasta ainda mais para baixo a cada ano que passa.
    Temo que os erros do passado continuem a repetir-se teimosamente, e que a Direcção insista em políticas que se tem mostrado desastrosas, como, por exemplo, a contratação de treinadores sem grande currículo e experiência, jogadores sem categoria e, não menos importante, uma apostura de quase alheamento face ao domínio imposto pelo Benfica nos meandros do futebol português.

    Continuação do bom trabalho.
    Abraço.

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    1. @ Rodrigo

      olha tu! 😉
      andamos desaparecidos/desencontrados!
      (a ver se o ‘reduto portista‘ ganha embalo, para ser o maior, car@go 😀 )

      sim, é uma reflexão «grande», sim senhor. basta extensa. e reparei só agora que esqueci de colocar o aviso pertinente 😉
      sobre a dita, nada que já não esteja a matutar há algum tempo e que seja alvo de análise entre pares.
      e é um sentimento que, assumo e sem qualquer espécie de sobranceria bacoca, seja generalizado à restante massa adepta: há um efectivo desgaste da imagem do Presidente, o que lamento profundamente porque não o merecia. mais: não o merecíamos (a esse desgaste, bem entendido), porque foi um Homem que deu tudo em prol do Clube.
      e é exactamente aí que reside o busílis da questão: deu, pretérito perfeito; acho que já está mais do que na hora de ceder o lugar. o problema é que, na suposta Oposição – muito silenciosa (quando e porque convém), extremamente calculista e basto cobardolas – não há quem se assuma, quem se queira chegar à frente… até parece que preferem (conscientemente) ver tudo a arder, tudo no Abismo para, só então, se apresentarem como os salvadores da pátria… temo que, se tal acontecer, também se possam arvorar numa espécie (muit’a má) de “donos disto tudo”, com tudo o que de ruim daí possa advir.

      em suma:
      estou como tu: «temo que os erros do passado continuem a repetir-se teimosamente». o meu Espírito está sombrio e o meu humor já viu melhores dias – um pouco à semelhança do estado do tempo, hoje, na ImBicta (muito cinzento e alguma chuva, por vezes intensa).
      pode ser que… esperemos…

      abr@ço forte
      Miguel | 92º minuto

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  2. Grandíssimo texto, Miguel.

    Na minha opinião, dá a ideia de que se continua com a mentalidade de não se corrigirem os erros que vêm a ser feitos ao longo destes últimos 4 anos. Muitas vezes, parece que, na SAD, há uma tendência para se ser teimoso e pelos maus motivos.
    É que há erros que até nós, simples adeptos, já conseguimos desvendar enquanto que na SAD há uma certa pestilência para se ser “ignorante” perante a tal situação… E, quando na raiz se “vai indo” neste caminho, os ramos também sofrem com isso…

    No fundo, que o “monstro” FC Porto acorde.

    Abraços.

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